No caminho, Jesus faz aos apóstolos uma pergunta aparentemente inofensiva: «Quem dizem as pessoas que eu sou?» (Marcos 8:27). Eles respondem com o que as pessoas dizem sobre ele: «João Batista; outros dizem Elias; outros ainda, um dos profetas». Essas respostas não são surpreendentes. João tinha vivido uma vida ascética no deserto, alimentando-se de mel e gafanhotos, oferecendo um batismo de arrependimento e apelando a uma conversão radical. Morreu decapitado por ordem de Herodes. Elias era um grande profeta, «o homem de Deus» (2 Reis 1, 9) segundo a tradição judaica. Ascendeu ao céu diante dos olhos deslumbrados do seu discípulo Eliseu, e o profeta Malaquias anunciou o seu regresso «antes da vinda do grande e terrível dia do Senhor» (Malaquias 3, 23). Assim, Jesus poderia ser Elias regressado aos seus olhos. Finalmente, «um dos profetas» — esta terceira resposta era consistente com as ações de Jesus, que chamava as pessoas a acreditar em Deus. Esta era a missão de todos os grandes profetas da antiguidade.
Depois de obter esta resposta, Jesus pergunta-lhes: «E vocês, o que dizem? Para vocês, quem sou eu?» Não se trata de repetir as palavras dos outros, mas de dar uma resposta pessoal. Diante do mistério de Jesus, Pedro toma a palavra e diz-lhe: «Tu és o Cristo». Muitos esperavam a vinda do Messias, do Cristo, sendo que as duas palavras têm o mesmo significado, a primeira em hebraico e a segunda em grego. Jesus não confirma diretamente a Pedro a exatidão da sua resposta, mas proíbe-os de falar sobre Ele a ninguém. Este comentário de São Marcos confirmaria a resposta correta de Pedro? Parece-nos justo, uma vez que Jesus teria corrigido Pedro se este estivesse errado. Perguntemo-nos agora qual seria a nossa resposta a Jesus se Ele nos perguntasse: «Para vocês, quem sou eu?» Tal como as multidões de outrora, talvez déssemos as seguintes respostas: «um mestre, um professor, um profeta, um sábio». É certo que isso é verdade, mas será que O vemos como Aquele que as Sagradas Escrituras apresentam? Lucas diz que ele é o Filho do Altíssimo. João diz que ele é o Verbo divino feito carne, a imagem do Pai eterno. O centurião ao pé da cruz diz que ele é verdadeiramente o Filho de Deus. Os evangelhos apresentam-no como a segunda pessoa da Santíssima Trindade. Ele é o verdadeiro cordeiro que tira o pecado do mundo e nos salva a todos da morte pelo seu sacrifício. A lista é ainda longa. Ele é desde toda a eternidade e veio entre nós para que tenhamos a Vida eterna. Estamos dispostos a acolher a sua pessoa tal como a fé nos apresenta, uma única pessoa divina em duas naturezas, divina e humana? E se a pergunta «para si, quem é Jesus?» for feita por um ente querido, ou mesmo por um muçulmano, sabe apresentar-lhe a pessoa de Jesus tal como ele é na verdade, nosso Senhor e nosso Salvador? … da Mensagem fraterna do Bispo de Chartres para esta semana

