quinta-feira, 19 de março de 2026

 

CURTA REFLEXÃO XXVII | Autoria de: Carlos Aguiar Gomes


Maria, a Theotokos, a Santa Mãe de Deus, é invocada pelos cristãos em todas as circunstâncias da vida — individual, familiar ou colectiva — tanto na paz como na guerra.

Os tempos que estamos a viver, que se podem apelidar, sem grandes dúvidas, como os de uma III Guerra Mundial, levam-nos a invocar Maria, Nossa Senhora, como a Rainha da Paz, suplicando-Lhe o dom precioso da paz, essa “tranquilidade na ordem”, como dizia São Tomás de Aquino.

Os portugueses cantam, há quase um século, uma das mais belas súplicas a Maria Santíssima pela paz, à qual Isabel Silvestre (grupo de Manhouce) deu uma projecção única e excepcional. Referimo-nos ao extraordinário cântico mariano que, ainda há poucos anos, todos cantávamos:

“Miraculosa, Rainha do Céu”

Este hino encerra uma das mais ternas e intensas súplicas à Theotokos, implorando o dom da paz.

O cântico em apreço é da autoria de um músico espinhense, Fausto Neves, com letra inspiradíssima de Carlos Moraes. Terá sido composto entre 1939 e 1942, já em plena II Guerra Mundial. Pela sua beleza — tanto na letra como na música —, foi amplamente cantado por portugueses, com profunda emoção, em procissões, peregrinações, Terços e outras devoções, colectivas ou particulares.

Este hino, uma das mais belas peças musicais marianas do século XX, era entoado com enorme fervor, muitas vezes acompanhado de lágrimas.

Lamenta-se profundamente que esta súplica à Santa Mãe de Deus, nossa Mãe, tenha sido abandonada.

A nossa Academia Mariana Theotokos, nestes dias conturbados e perigosos, em que a guerra se encontra em desenvolvimento, entende ser recomendável recuperar este cântico-súplica à Theotokos, Rainha da Paz, nas celebrações comunitárias.

Regista-se abaixo o texto do referido cântico, sugerindo-se que seja ouvido na interpretação de Isabel Silvestre, disponível em várias plataformas digitais.

MIRACULOSA, RAINHA DO CÉU

Miraculosa, Rainha do Céu,
Nossa Senhora, Mãe de Jesus,
Dai-nos a graça da tua luz,
Virgem Maria, divina flor,
Dai-nos a graça do teu amor.

Miraculosa Rainha dos Céus,
Sob o teu manto, tecido de luz,
Faz com que a guerra se acabe na terra
E haja entre os homens a paz de Jesus.

Se em teu regaço, bendita Mãe,
Toda amargura remédio tem,
As nossas almas pedem que vás
Junto da guerra, fazei a paz!

Miraculosa Rainha dos Céus,
Sob o teu manto, tecido de luz,
Faz com que a guerra se acabe na terra
E haja entre os homens a paz de Jesus.

Pelas crianças, flores em botão,
Pelos velhinhos sem lar nem pão,
Pelos soldados que à guerra vão,
Senhor, escuta a nossa oração.

Miraculosa Rainha dos Céus,
Sob o teu manto, tecido de luz,
Faz com que a guerra se acabe na terra
E haja entre os homens a paz de Jesus.

Que Nossa Mãe do Céu consiga a paz entre os homens!

“Miraculosa Rainha dos Céus,
Sob o teu manto, tecido de luz,
Faz com que a guerra se acabe na terra
E haja entre os homens a paz de Jesus.”

segunda-feira, 16 de março de 2026

 

IQBAL MASIH | Pequeno Herói Cristão - Vendido para a escravidão aos 4 anos,

 libertou mais de 3.000 crianças antes de ser assassinado aos 12


A história de Iqbal Masih é uma das mais marcantes denúncias da escravidão infantil no final do século XX. Nascido em 1983, na cidade de Muridke, na região do Punjab, no Paquistão, Lqbal Masih veio ao mundo no seio de uma família cristã extremamente pobre. O que deveria ter sido uma infância comum foi rapidamente substituído por uma realidade dura e injusta.

Quando tinha apenas quatro anos, os seus pais contraíram uma pequena dívida, equivalente a cerca de 600 rúpias, junto do proprietário de uma fábrica de tapetes. Como forma de pagamento, o menino foi entregue para trabalhar na fábrica. Assim começou uma infância marcada por trabalho forçado, privação e sofrimento.

Na fábrica de tapetes, Lqbal Masih, tal como muitas outras crianças, era obrigado a trabalhar longas horas por dia em condições extremamente duras. O trabalho começava antes do nascer do sol e prolongava-se durante grande parte do dia. Muitas crianças permaneciam presas aos teares para evitar fugas e recebiam alimentação escassa. Ao mesmo tempo, a dívida que justificava o trabalho raramente diminuía, pois era constantemente aumentada por juros abusivos e novas despesas impostas pelos proprietários.

Durante anos, esta realidade manteve milhares de crianças presas a um sistema conhecido como servidão por dívida, uma forma de escravidão moderna que continuava a existir apesar de já ter sido considerada ilegal pelas autoridades paquistanesas.

Por volta dos dez anos de idade,Lqbal Masih conseguiu finalmente libertar-se. Ao tomar conhecimento de que aquele sistema era ilegal, decidiu não permanecer em silêncio. Juntou-se a activistas que lutavam contra o trabalho escravo e começou a denunciar publicamente a exploração infantil existente na indústria dos tapetes.

Apesar da sua pouca idade e da fragilidade física causada por anos de trabalho e desnutrição, Lqbal Masih revelou uma coragem extraordinária. Ajudou a identificar fábricas que exploravam crianças e participou em campanhas de sensibilização. O seu testemunho e a sua colaboração contribuiu para a libertação de mais de três mil crianças submetidas ao trabalho forçado.

A sua história ultrapassou rapidamente as fronteiras do Paquistão. Lqbal Masih foi convidado a falar em vários países, incluindo os Estados Unidos e a Suécia, onde denunciou a realidade da escravidão infantil. Em 1994 recebeu o Prémio Reebok de Direitos Humanos, um reconhecimento internacional pela sua luta.

A coragem de Iqbal Masih tornou-se incómoda para aqueles que lucravam com a exploração infantil. No dia 16 de Abril de 1995, domingo de Páscoa, durante uma visita à sua terra natal, foi morto a tiro. Tinha apenas doze anos de idade.

A sua vida foi breve, mas o impacto do seu testemunho permanece até hoje. Lqbal Masih transformou a sua própria dor numa causa de justiça e deu voz a milhares de crianças que viviam em silêncio e opressão. A sua história continua a ser recordada como um símbolo de coragem, de dignidade humana e de resistência contra a injustiça.

Mesmo com uma vida tão curta, o seu exemplo recorda-nos que a defesa da dignidade humana não depende da idade, da força ou da posição social, mas da coragem de fazer ouvir a verdade.

sexta-feira, 13 de março de 2026

 Cristãos unem-se para proteger igrejas no México


Após os ataques e tentativas de vandalização contra igrejas ocorridos no México durante as manifestações de 8 de março, muitos fiéis decidiram responder de forma pacífica e corajosa: uniram-se para proteger os templos.

Em várias cidades, como Guadalajara, grupos de católicos — incluindo muitas famílias e jovens — formaram correntes humanas à volta de igrejas e catedrais. De mãos dadas, colocaram-se diante das portas dos templos para impedir novos atos de vandalismo.

Vestidos de branco, em sinal de paz, permaneceram ali durante as manifestações, rezando e defendendo os lugares sagrados que fazem parte da fé e da história do povo mexicano.

Em alguns momentos foram alvo de insultos e até de objetos atirados por manifestantes, mas mantiveram-se firmes, respondendo não com violência, mas com presença, coragem e oração.

Este gesto tornou-se um forte testemunho de amor a Deus e de união entre os cristãos. Quando a fé é atacada, o povo de Deus não responde com ódio, mas com fidelidade, coragem e comunhão.

A Igreja sempre ensinou que os templos são lugares sagrados, dedicados ao culto de Deus e ao encontro das almas com o Senhor. Defendê-los é também defender a liberdade religiosa e o respeito pela fé.

O que aconteceu no México recorda-nos que a fé cristã continua viva: quando um templo é ameaçado, os fiéis levantam-se, unem-se e permanecem juntos para proteger aquilo que amam.

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.”
(Mateus 5,6)

Rezemos pelo México, pela paz entre os povos e pela proteção de todos os lugares dedicados a Deus.

 


No dia 8 de março de 2026, durante manifestações do Dia Internacional da Mulher, registou-se um grave episódio de violência contra um templo católico no México. Na cidade de Oaxaca, manifestantes tentaram incendiar a porta principal de madeira da Catedral de Nossa Senhora da Assunção.


Vídeos divulgados nas redes sociais mostram algumas pessoas a atearem fogo à entrada do templo, enquanto outras vandalizavam a fachada do edifício.

Infelizmente, este não foi um caso isolado. No mesmo dia, várias igrejas em diferentes locais do país foram alvo de ataques: paredes vandalizadas com mensagens pró-aborto, imagens religiosas danificadas e grades de proteção forçadas ou derrubadas. Em certos lugares, chegaram mesmo a acender fogueiras e objetos junto aos templos.

A Catedral de Nossa Senhora da Assunção é um dos templos históricos mais importantes do México, e a porta de madeira atacada faz parte da estrutura tradicional e patrimonial do edifício.

Nos últimos anos, episódios semelhantes de vandalismo contra igrejas têm ocorrido durante as marchas de 8 de março no México, frequentemente protagonizados por grupos radicais que contestam a posição da Igreja Católica sobre o aborto.

Independentemente de qualquer posição política, atacar templos religiosos, tentar incendiá-los ou profanar lugares sagrados constitui um ato grave de violência e intolerância que nunca deveria ser normalizado.

“Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus é santo — e esse templo sois vós.”
(1 Coríntios 3,17)

Rezemos pelo México, pela conversão dos corações e pelo respeito pela fé e pelos lugares sagrados.

 NIGÉRIA | UM HERÓI CHAMADO EZEKIEL DACHOMO



Num tempo em que muitos preferem o silêncio perante a injustiça, há homens que escolhem falar — mesmo quando isso coloca a própria vida em risco.


O Reverendo Ezekiel Dachomo, pastor cristão na região de Plateau, na Nigéria, tornou-se uma das vozes mais firmes na denúncia da violência que tem assolado numerosas comunidades cristãs naquele país. Ao longo dos últimos anos, tem documentado ataques, acompanhado vítimas e presidido a funerais colectivos de homens, mulheres e crianças assassinados em massacres que muitas vezes passam despercebidos ao mundo.

A sua coragem em denunciar estes crimes trouxe-lhe uma grande visibilidade internacional — mas também um preço muito elevado. O próprio reverendo declarou que a sua vida está em perigo devido a ameaças constantes, incluindo avisos de grupos terroristas que alegadamente colocaram uma recompensa pela sua morte.

Apesar disso, não se cala.

Continua a falar, a denunciar e a pedir que o mundo não ignore o sofrimento das comunidades cristãs que vivem sob o terror.

Homens como o Reverendo Dachomo lembram-nos que a fé cristã nunca foi apenas conforto — foi também coragem. Coragem para dizer a verdade, coragem para defender os inocentes e coragem para permanecer firme quando o mal parece querer impor o silêncio.

Rezemos por ele.
Rezemos pelas comunidades cristãs perseguidas na Nigéria.
E rezemos para que Deus levante mais homens e mulheres dispostos a defender a verdade, mesmo quando o preço é alto.

 


No Dia Internacional da Mulher, um ato de vandalismo chocou os fiéis católicos no Brasil.

Na cidade de Jauru, no estado de Mato Grosso, um homem destruiu com um machado uma imagem de Nossa Senhora de Aparecida que se encontrava numa pequena capela junto ao cruzeiro da cidade.

Esta imagem tinha sido colocada naquele local pelo missionário Padre Nazareno Lanciotti, sacerdote que dedicou a sua vida ao serviço do povo brasileiro e que será beatificado em junho pela Igreja Católica.

Atos como este não ferem apenas uma estátua: ferem a fé de milhões de cristãos que veneram a Mãe de Deus e recorrem a Ela como refúgio, auxílio e esperança.

Ao longo da história, a devoção a Nossa Senhora tem sido sinal de consolo e de proteção para os povos. Mesmo quando símbolos sagrados são atacados, a fé dos cristãos permanece firme.

Que este triste episódio nos leve não ao ódio, mas a uma renovação da nossa devoção a Maria.Rezemos em reparação por este ato e peçamos a intercessão de Nossa Senhora de Aparecida para que os corações se convertam.

Nossa Senhora de Aparecida, rogai por nós

segunda-feira, 2 de março de 2026

 


No caminho, Jesus faz aos apóstolos uma pergunta aparentemente inofensiva: «Quem dizem as pessoas que eu sou?» (Marcos 8:27). Eles respondem com o que as pessoas dizem sobre ele: «João Batista; outros dizem Elias; outros ainda, um dos profetas». Essas respostas não são surpreendentes. João tinha vivido uma vida ascética no deserto, alimentando-se de mel e gafanhotos, oferecendo um batismo de arrependimento e apelando a uma conversão radical. Morreu decapitado por ordem de Herodes. Elias era um grande profeta, «o homem de Deus» (2 Reis 1, 9) segundo a tradição judaica. Ascendeu ao céu diante dos olhos deslumbrados do seu discípulo Eliseu, e o profeta Malaquias anunciou o seu regresso «antes da vinda do grande e terrível dia do Senhor» (Malaquias 3, 23). Assim, Jesus poderia ser Elias regressado aos seus olhos. Finalmente, «um dos profetas» — esta terceira resposta era consistente com as ações de Jesus, que chamava as pessoas a acreditar em Deus. Esta era a missão de todos os grandes profetas da antiguidade.

Depois de obter esta resposta, Jesus pergunta-lhes: «E vocês, o que dizem? Para vocês, quem sou eu?» Não se trata de repetir as palavras dos outros, mas de dar uma resposta pessoal. Diante do mistério de Jesus, Pedro toma a palavra e diz-lhe: «Tu és o Cristo». Muitos esperavam a vinda do Messias, do Cristo, sendo que as duas palavras têm o mesmo significado, a primeira em hebraico e a segunda em grego. Jesus não confirma diretamente a Pedro a exatidão da sua resposta, mas proíbe-os de falar sobre Ele a ninguém. Este comentário de São Marcos confirmaria a resposta correta de Pedro? Parece-nos justo, uma vez que Jesus teria corrigido Pedro se este estivesse errado. Perguntemo-nos agora qual seria a nossa resposta a Jesus se Ele nos perguntasse: «Para vocês, quem sou eu?» Tal como as multidões de outrora, talvez déssemos as seguintes respostas: «um mestre, um professor, um profeta, um sábio». É certo que isso é verdade, mas será que O vemos como Aquele que as Sagradas Escrituras apresentam? Lucas diz que ele é o Filho do Altíssimo. João diz que ele é o Verbo divino feito carne, a imagem do Pai eterno. O centurião ao pé da cruz diz que ele é verdadeiramente o Filho de Deus. Os evangelhos apresentam-no como a segunda pessoa da Santíssima Trindade. Ele é o verdadeiro cordeiro que tira o pecado do mundo e nos salva a todos da morte pelo seu sacrifício. A lista é ainda longa. Ele é desde toda a eternidade e veio entre nós para que tenhamos a Vida eterna. Estamos dispostos a acolher a sua pessoa tal como a fé nos apresenta, uma única pessoa divina em duas naturezas, divina e humana? E se a pergunta «para si, quem é Jesus?» for feita por um ente querido, ou mesmo por um muçulmano, sabe apresentar-lhe a pessoa de Jesus tal como ele é na verdade, nosso Senhor e nosso Salvador? … da Mensagem fraterna do Bispo de Chartres para esta semana

  CURTA REFLEXÃO XXVII | Autoria de:  Carlos Aguiar Gomes Maria, a Theotokos, a Santa Mãe de Deus, é invocada pelos cristãos em todas as cir...