quinta-feira, 20 de agosto de 2026

São Bernardo de Claraval, o abade que modelou a Igreja

 


No coração da Idade Média, num tempo de cruzadas, reformas e renovação espiritual, ergue-se a figura luminosa de São Bernardo de Claraval (1090–1153), doutor da Igreja, abade cisterciense, pregador da Segunda Cruzada e guia espiritual de príncipes, monges e papas. A sua vida e obra tornaram-no um dos pilares espirituais da Europa cristã, símbolo da mística monástica e da luta pelo ideal de uma Cristandade una, pura e militante.

Para a Militia Sanctæ Mariæ, cuja missão consiste em viver, defender e propagar os ideais cavaleirescos à luz do Evangelho e sob o estandarte de Maria, São Bernardo é não apenas um exemplo, mas também um modelo inspirador de entrega, combate interior e zelo pela verdade.

I. O Jovem Bernardo e o Chamamento Monástico:

Bernardo nasceu em 1090, no seio da nobreza da Borgonha, em Fontaine-lès-Dijon. Desde cedo, destacou-se pela inteligência, sensibilidade e profunda piedade. Aos 22 anos, renunciando às promessas do mundo, ingressa no mosteiro de Cîteaux - a casa-mãe da recém-formada ordem cisterciense - levando consigo mais de 30 companheiros, incluindo irmãos, amigos e até o seu pai. A sua conversão provocou uma verdadeira revolução espiritual: onde ele passava, outros seguiam.

Dois anos depois, foi enviado para fundar um novo mosteiro em Claraval (Clairvaux), de onde emergiria um movimento espiritual que marcaria profundamente o século XII.

II. Claraval: Fonte de Luz para a Cristandade:

Como abade de Claraval, Bernardo liderou não apenas uma comunidade, mas um renascimento espiritual. O seu mosteiro tornou-se modelo de disciplina, oração e ascese. A regra beneditina, vivida com austeridade e fervor, era aplicada com equilíbrio e sabedoria.

Claraval produziu dezenas de novas fundações, espalhadas por toda a Europa, e formou monges que viriam a ser bispos, papas e conselheiros de reis. Para São Bernardo, o monge era antes de tudo um homem que buscava Deus (quaerere Deum), e esta busca manifestava-se numa vida de contemplação e penitência, mas também num vigoroso amor pela Igreja e pela humanidade.

III. A Palavra como Espada: Pregador e Doutor da Igreja:

Homem de oração e silêncio, Bernardo foi também, paradoxalmente, um dos mais ativos intervenientes da sua época. A sua palavra inflamava corações: pregava com ardor, com lógica refinada, mas, sobretudo, com uma força espiritual arrebatadora. Em 1146, foi chamado a pregar a Segunda Cruzada por ordem do Papa Eugénio III - antigo discípulo seu - e percorreu a Europa, exortando príncipes e cavaleiros para irem em defesa dos Lugares Santos. O seu apelo reuniu multidões, movidas mais pela fé do que pela ambição.

Ao mesmo tempo, defendeu a ortodoxia da fé contra heresias e desvios, como na sua célebre refutação dos erros de Pedro Abelardo, e interveio energicamente nos conflitos entre a Santa Sé e os poderes seculares. A sua voz tornou-se uma das mais respeitadas da cristandade medieval.

Em 1830, o Papa Pio VIII declarou-o Doutor da Igreja, conferindo-lhe o título de Doctor Mellifluus - o Doutor Melífluo - devido à doçura da sua palavra, embebida da Sagrada Escritura e do amor à Virgem Maria.

IV. A Virgem Maria e a Teologia do Amor:

São Bernardo é talvez um dos mais notáveis mariólogos da história da Igreja. Foi ele quem afirmou: "De Maria numquam satis" - “de Maria nunca se diz o suficiente”. Para São Bernardo, a Virgem Maria era a Stella Maris, a Estrela do Mar que guia os navegantes da fé. Em inúmeros sermões, especialmente sobre o Missus est (Evangelho da Anunciação), elevou a figura de Maria como Mãe da Igreja e mediadora da graça.

A sua espiritualidade está marcada por um amor apaixonado por Cristo e Maria, vendo n’Eles o modelo perfeito de obediência, humildade e entrega total. A cruz de Cristo era o trono do amor, e Maria, a porta por onde a Graça entrou no mundo.

V. Um Cavaleiro do Espírito, exemplo para a Militia Sanctæ Mariæ:

A vida de São Bernardo apresenta-se como um arquétipo do miles Christi - o soldado de Cristo. Ainda que tenha vivido no claustro, combateu com vigor as forças do erro, da tibieza e da heresia. A sua “espada” era a fé, e o seu “escudo”, a oração.

Para nós, membros da Militia Sanctæ Mariæ, São Bernardo é patrono e mestre: ensina-nos que o verdadeiro combate começa no coração, na ascese, no domínio de si mesmo. E, ao mesmo tempo, recorda-nos que a fé exige coragem, ação e entrega total. Como ele, queremos ser fiéis a Maria, fiéis à Igreja e defensores da Verdade, com zelo, mas sem orgulho; com firmeza, mas sem dureza.

São Bernardo de Claraval foi uma luz fulgurante no meio das trevas e confusões do seu tempo. Combinou contemplação e ação, mística e razão, amor e combate. A sua vida continua a inspirar os que, como nós, desejam seguir Cristo sob o manto de Maria, num tempo em que a fé volta a ser desafiada e os valores cristãos ameaçados.

Que o seu exemplo nos fortaleça e a sua intercessão nos acompanhe nesta peregrinação terrena. E que, como ele, possamos um dia ouvir da boca do Senhor: “Servo bom e fiel, entra na alegria do teu Senhor.”


MATER NOSTRÆ MILITIÆ

Quando o dia se tornar proceloso, 
O mar da vida virar alteroso, 
Mater nostræ militæ, audi nos.

Quando a dúvida nos atormentar
E a tibieza noss'alma rondar
Advocata nostra ora pro nobis.

Quando emergirem as provocações
D'ódio e d'outras más ocasiões
Mater nostræ militæ, audi nos.

Quando o furor dos ventos das tentações
Nos cercarem com algemas de prisões
Advocata nostra, ora pro nobis.

Quando o mal nos deixar indiferentes
Peçamos-lhe como bons combatentes:
Mater nostræ militæ, audi nos.

Quando naufragarmos nas incertezas, 
Aflições, desânimos e tristezas;
Advocata nostra, ora pro nobis.

Quando a hora derradeira soar
No suspiro final possamos clamar:
Mater nostræ militæ, audi nos,
Advocata nostra, ora pro nobis.

(Poema mariano e baseado em São Bernardo de Claraval da autoria de Carlos Aguiar Gomes, 7.º Mestre da Militia Sanctæ Mariæ)

sábado, 27 de junho de 2026

 CÍRCULO INTERNACIONAL SHAHBAZ BAHTTI

NIGÉRIA | 43 mil cristãos mortos — O silêncio do mundo
Novo massacre no estado de Plateau volta a expor a violência sistemática contra comunidades cristãs no Cinturão Médio





Na noite de 22 de junho de 2026, a pequena aldeia cristã de Kawel, no estado de Plateau, Nigéria, foi palco de mais um episódio devastador de violência. Pelo menos 28 cristãos foram mortos num ataque brutal atribuído a militantes armados fulani, que invadiram a localidade, cortaram as comunicações e abriram fogo contra civis indefesos.

Entre as vítimas encontram-se um pastor, um médico e vários pacientes de um posto de saúde local. Casas foram incendiadas, famílias destruídas e sobreviventes deixados em choque profundo.
Este ataque não surge isolado, mas insere-se num padrão persistente de violência contra comunidades cristãs no chamado Cinturão Médio nigeriano.

:: O ataque a Kawel ::

Segundo testemunhos de sobreviventes, os atacantes chegaram durante a noite, bloqueando qualquer possibilidade de pedido de ajuda ao cortar as telecomunicações da aldeia. Qualquer pessoa que tentasse sair de casa era imediatamente alvejada.
O sobrevivente Jesse Peter Dukut relatou que os agressores pareciam conhecer os líderes cristãos pelo nome, sugerindo um nível de coordenação e informação local preocupante. “Mataram meu tio e meus irmãos. Por pouco não fui baleado”, afirmou.

Outro residente, Godswill Nuhu, confirmou a morte do pastor Markus Nyam, líder da Igreja de Cristo nas Nações, bem como de membros da sua congregação. Entre os mortos estavam ainda profissionais de saúde e doentes que se encontravam no centro médico da aldeia no momento do ataque.
Apesar da intervenção da polícia estadual, os atacantes conseguiram fugir e, até ao momento, não foram efetuadas detenções.

:: Um padrão de violência repetido ::

O estado de Plateau e outras regiões do centro da Nigéria têm sido palco recorrente de ataques contra comunidades agrícolas, muitas vezes de maioria cristã. Diversos relatórios internacionais e organizações de monitorização da liberdade religiosa têm alertado para a escalada da violência e para a atuação de grupos armados que operam com elevado grau de impunidade.

Algumas estimativas provenientes de relatórios e organizações internacionais indicam que cerca de 43 mil cristãos terão sido mortos nas últimas décadas na Nigéria, no contexto desta violência prolongada.

A Nigéria figura entre os países onde mais cristãos são mortos ou perseguidos por motivos religiosos, segundo organizações internacionais de defesa da liberdade religiosa, incluindo a Portas Abertas. Esta realidade aponta para um problema estrutural e prolongado, e não para incidentes isolados.

:: A Questão do Silêncio Internacional ::

O que mais fere não é apenas a violência em si, mas o silêncio que frequentemente a envolve. A repetição destes massacres, sem respostas proporcionais da comunidade internacional, levanta questões profundas sobre a proteção de minorias religiosas e a eficácia dos mecanismos globais de prevenção de genocídios e perseguições sistemáticas.

A ausência de ação concreta, ou mesmo de uma atenção continuada mediática e política, contribui para a sensação de abandono sentida por muitas destas comunidades.

O massacre de Kawel não pode ser reduzido a mais uma estatística. Cada vida perdida representa uma família destruída, uma comunidade fragilizada e uma ferida moral no nosso tempo.
Ao longo das últimas décadas, diferentes estimativas e relatórios internacionais apontam para dezenas de milhares de mortos na violência religiosa e intercomunitária na Nigéria, incluindo cerca de 43 mil cristãos vítimas deste ciclo de ataques, um número que revela a dimensão trágica e prolongada desta realidade.

A Nigéria continua a ser palco de um sofrimento que exige não apenas solidariedade, mas também responsabilidade internacional, investigação séria e proteção efetiva das populações civis.
O silêncio perante este tipo de violência não é neutralidade — é, de certa forma, uma forma de cumplicidade pela omissão.
Que a memória das vítimas de Kawel não seja esquecida e que a sua dor não permaneça invisível.

Bruno Fernando de C. Guedes
Presidente do Círculo Internacional Shahbaz Bahtti 

 

MILITIA SANCTAE MARIAE – Cavaleiros de Nossa Senhora


                                PRIORADO DE SÃO NUNO





                                      NEWSLETTER – JUNHO 26

                                                      NÓTULA - 2






                     O Papa na audiência ( 22.VI.26) à Fundação Lejeune



O Papa Leão XIV recebeu , assinalando o 1º centenário do nascimento do Venerável Jérôme Lejeune ( 13.VI.1926), a Fundação Lejeune e aproveitou a efeméride para nos deixar alguns pontos de vista fundamentais para a defesa da Vida Humana, sobretudo da mais vulnerável e frágil, perseguida por cultores da “ civilização da morte”, os neo-eugenistas que, a propósito do Aborto, dizem tratar-se de “ saúde sexual e reprodutiva”!

O Professor Jérôme Lejeune teve consciência dos efeitos perversos possíveis, e agora concretizados recorrentemente, da sua sensacional descoberta, a “ Trissomia 21”. Lejeune tinha receio de que o seu trabalho pioneiro poderia levar ao que profeticamente apelidou de “ racismo cromossómico” e que se generalizou com eufemismos suaves que todos bem conhecemos.

Leão XIV referiu que:


«O valor da pessoa não depende do que realiza ou produz»

E com veemência disse:

Jamais um médico deveria permitir-se, com base em algoritmos de laboratório, decidir sobre a vida de um embrião ou de uma pessoa idosa”.” Nunca a medicina poderá tornar-se escrava da morte programada”



O Papa, nesta audiência, sublinhou a importância e o trabalho que a Fundação faz ao longo dos anos apoiando doentes de todo o mundo e, no final, fez votos para que o Professor Jérôme Lejeune “ … inspire a coragem da verdade aos numerosos jovens e profissionais desejosos de serem coerentes”.

O nosso Instituto Internacional Familiaris Consortio tem como um dos seus patronos e inspiradores da sua acção precisamente o Professor Jérôme Lejeune.



Carlos Aguiar Gomes – Presidente do IIFC/IFCI





IIFC/IFCI - Newsletter - Nótula 1

 

MILITIA SANCTAE MARIAE – Cavaleiros de Nossa Senhora


                                 PRIORADO DE SÃO NUNO





                                  NEWSLETTER – JUNHO 26

                                                        NÓTULA - 1





O “ POVO DA VIDA”, cada vez mais se manifesta publicamente sem receio de represálias.


No passado dia 13 de Junho, Roma assistiu à grandiosa “ XIV MARCHA PELA VIDA”. Foram muitos milhares que saíram à rua clamando pelo respeito do primeiro e mais fundamental DIREITO HUMANO: o DIREITO À VIDA, da concepção à morte natural.

O momento alto desta grandiosa manifestação foi a leitura de uma mensagem de apoio do grande ANDREA BOCELLI que todos conhecemos e apreciamos. Nesta mensagem impactante, o famoso tenor, referiu:


A minha Mãe , a quem os médicos aconselharam a não continuar com a gravidez, escolheu confiar na vida e não renunciar às suas responsabilidades. Aconselharam-na a não continuar com a gravidez, mas decidiu confiar na vida e não recuar. Devo tudo a esta decisão. ( … ) A vida quando se acolhe em vez temer-se, multiplica-se e as civilizações que prosperaram são as que investiram nas novas gerações. “


Esta extraordinária mensagem-testemunho foi imensamente ovacionada e comoveu todos os presentes.

Andrea Bocelli , um dos mais famosos tenores da actualidade, invisual, deu, assim, um precioso contributo para a causa da Vida. Devemos à coragem e confiança na vida de sua Mãe, termos hoje o prazer de ouvir uma das mais belas vozes deste momento.



Carlos Aguiar Gomes

Presidente doo IIFC/IFCI



sábado, 30 de maio de 2026

 Militia Sanctae Mariae Portugal | Carlos Aguiar Gomes

" No próximo dia 1 de junho celebramos o Dia Mundial da Criança, uma data que nos convida a refletir sobre a Dignidade, os Direitos e o Bem-Estar de todas as Crianças.
A propósito desta efeméride, partilho a mensagem preparada pelo Institut International Familiaris Consortio IIFC/IFCI, que ainda sirvo, que nos recorda a importância de Proteger, Acompanhar e Valorizar as novas Gerações, verdadeiro Sinal de Esperança para o Futuro. Convido-vos à sua leitura e divulgação. "

<< Cada criança é um hoje, projeto de um futuro que queremos mais justo, solidário e amoroso. Está nas nossas mãos tornar viável tal futuro para cada criança, hoje. Sim, é neste hoje que se preparam as crianças para amanhãs que são já amanhã.
O cenário nacional e mundial está muito negro para as nossas crianças. São cada vez menos. Todos os anos nascem menos crianças, que cada vez mais são filhos únicos.
Cada dia que passa traz-nos ao conhecimento casos de mais crianças vítimas da fome imoral numa sociedade da abundância.
Cada dia que passa chegam-nos notícias de crianças vítimas de guerras absurdas de adultos sem escrúpulos e ávidos de riquezas.
Cada dia tomamos conhecimento de vis explorações de crianças perante o nosso olhar intencionalmente distraído.
Cada dia que passa mais sabemos de milhares de crianças abandonadas e exploradas por uma sociedade corrupta e corruptora, sem escrúpulos.
Todos os dias somos confrontados com atentados graves contra a dignidade das crianças, seres humanos em construção.
Muitas crianças, mas mesmo muitas, são objeto de posse de pais egoístas e inconscientes dos seus deveres no exercício de uma paternidade e maternidade amorosamente conscientes e responsáveis.
Uma criança não é um brinquedo para satisfação de um capricho pessoal.
Uma criança é sempre um dom que temos a obrigação de acolher e proteger amorosamente. É um ser humano com direitos e que temos de preparar para cumprir os seus deveres quando chegar o momento de os exercer, numa sociedade que queremos com paz, amor e justiça.
Uma criança... é o futuro. Que futuro queremos, afinal?
Neste DIA MUNDIAL DA CRIANÇA, este será um momento privilegiado para trabalharmos no sentido de que todos os dias sejam dias da criança, de todas as crianças. Amadas. Respeitadas. Ajudadas a crescer em plenitude. Com Amor.
Presidente do IIFC/IFCI >>

quarta-feira, 6 de maio de 2026

 A VIRGEM MARIA E A LITURGIA

Autoria de : Michel Pagiossi Silva


Maria não está no centro da liturgia.

Mas está no coração dela.

A liturgia da Igreja é essencialmente cristocêntrica: tudo é oferecido ao Pai, por Cristo, no Espírito Santo. No entanto, dentro desse mistério, a Virgem Maria ocupa um lugar único, porque ninguém esteve tão unido a Cristo quanto ela. Sua presença na liturgia não é acessória nem decorativa, mas profundamente teológica.

O Concílio Vaticano II ensina que Maria está intimamente unida à obra da salvação e, por isso, é também inseparável da vida litúrgica da Igreja (cf. Lumen Gentium, 53). Aquela que deu ao mundo o Corpo de Cristo está presente, de modo espiritual, sempre que esse mesmo Corpo é oferecido no altar. Não como sacerdotisa, mas como Mãe que participa da oblação do Filho.

Na Santa Missa, o nome de Maria não aparece por acaso. Ela é invocada no coração da Oração Eucarística, especialmente no Cânon Romano, porque a Igreja reconhece que o mistério que ali se realiza começou no seu ventre. Sem o “fiat” de Maria, não haveria Encarnação. E sem Encarnação, não haveria Sacrifício redentor.

Contemplar Maria na liturgia é aprender a participar da Missa como ela participou do Calvário: em silêncio, em adoração, em entrega total. Ela não toma o lugar de Cristo, mas nos ensina a permanecer com Ele. Sua atitude interior é o modelo perfeito de participação litúrgica: fé sem reservas, obediência plena e união profunda com o sacrifício.

Por isso, a verdadeira devoção mariana não afasta da liturgia, mas conduz a ela. Quem ama Maria aprende a amar a Santa Missa. Quem se aproxima do seu coração encontra o caminho mais seguro para o altar.

Maria não é o centro do culto.

Mas ninguém nos conduz melhor ao centro.

Por uma Santa Liturgia.

domingo, 19 de abril de 2026

 Militia Sanctae Mariae Portugal Theotokos - Academia Mariana
CURTA REFLEXÃO XXXII | Autoria de Carlos Aguiar Gomes

“... povo peregrino, povo da vida e a favor da vida...”
(Evangelium vitae, 105)

“... é urgente uma grande oração pela vida, que atravesse o mundo inteiro.”
(Evangelium vitae, n.º 100)

“Ó Maria,
Mãe dos viventes,
confiamo-vos a causa da vida:
olhai, Mãe, para o número sem fim
de crianças a quem é impedido nascer,
de pobres para quem se torna difícil viver,
de homens e mulheres vítimas de inumana violência,
de idosos e doentes assassinados pela indiferença
ou por uma presunta compaixão...”
(Evangelium vitae, n.º 105)

Nunca é demasiado, e nunca será uma perda de tempo, repetir e jamais esquecer que o Papa São João Paulo II Magno foi e ficará para sempre o Papa da Vida e da Família.

Entre os inúmeros documentos, mais ou menos solenes, São João Paulo II Magno deixou-nos dois extraordinários testemunhos imperecíveis do seu empenho constante na defesa intransigente e clara da necessidade de uma “militância” pela vida humana, da concepção até à morte natural: a Exortação Apostólica Familiaris Consortio (22 de novembro de 1981) e a Encíclica Evangelium Vitae (25 de março de 1995).

Estes dois documentos do Papa São João Paulo II Magno não perdem o seu interesse nem a sua validade. A doutrina neles exposta mantém-se actual — talvez mais do que nunca — e condensam, de forma insofismável e sem necessidade de qualquer actualização, o que foi, é e sempre será a doutrina da Igreja sobre os temas abordados.

A nossa Academia Mariana Theotokos está a organizar mais uma peregrinação a um dos mais antigos santuários marianos do nosso país, o Santuário de Nossa Senhora da Abadia (Amares), no próximo dia 1 de maio, de participação livre.

Este ano, centrar-se-á em São Bernardo de Claraval, o Doutor melífluo, um dos maiores cultores e cantores de Maria, a Santa Mãe de Deus, a Theotokos.

Rezando à Rainha da Vida e das Famílias, com São Bernardo, teremos uma especial atenção orante pela vida humana e pelas famílias, cumprindo um voto deste Papa maior, São João Paulo II Magno:

“... é urgente uma grande oração pela vida, que atravesse o mundo inteiro...”
(Evangelium vitae, n.º 100)

É o que nos propomos fazer nesta peregrinação à Senhora da Abadia!

Nesta peregrinação queremos continuar a viver como:

“... povo peregrino, povo da vida e a favor da vida...”


São Bernardo de Claraval, o abade que modelou a Igreja

  No coração da Idade Média, num tempo de cruzadas, reformas e renovação espiritual, ergue-se a figura luminosa de São Bernardo de Claraval ...