A VIRGEM MARIA E A LITURGIA
Autoria de : Michel Pagiossi Silva
Maria não está no centro da liturgia.
Mas está no coração dela.
A liturgia da Igreja é essencialmente cristocêntrica: tudo é
oferecido ao Pai, por Cristo, no Espírito Santo. No entanto, dentro desse
mistério, a Virgem Maria ocupa um lugar único, porque ninguém esteve tão unido
a Cristo quanto ela. Sua presença na liturgia não é acessória nem decorativa,
mas profundamente teológica.
O Concílio Vaticano II ensina que Maria está intimamente
unida à obra da salvação e, por isso, é também inseparável da vida litúrgica da
Igreja (cf. Lumen Gentium, 53). Aquela que deu ao mundo o Corpo de Cristo está
presente, de modo espiritual, sempre que esse mesmo Corpo é oferecido no altar.
Não como sacerdotisa, mas como Mãe que participa da oblação do Filho.
Na Santa Missa, o nome de Maria não aparece por acaso. Ela é
invocada no coração da Oração Eucarística, especialmente no Cânon Romano,
porque a Igreja reconhece que o mistério que ali se realiza começou no seu
ventre. Sem o “fiat” de Maria, não haveria Encarnação. E sem Encarnação, não
haveria Sacrifício redentor.
Contemplar Maria na liturgia é aprender a participar da
Missa como ela participou do Calvário: em silêncio, em adoração, em entrega
total. Ela não toma o lugar de Cristo, mas nos ensina a permanecer com Ele. Sua
atitude interior é o modelo perfeito de participação litúrgica: fé sem
reservas, obediência plena e união profunda com o sacrifício.
Por isso, a verdadeira devoção mariana não afasta da
liturgia, mas conduz a ela. Quem ama Maria aprende a amar a Santa Missa. Quem
se aproxima do seu coração encontra o caminho mais seguro para o altar.
Maria não é o centro do culto.
Mas ninguém nos conduz melhor ao centro.
Por uma Santa Liturgia.
