Faz hoje três anos que uma família inteira foi elevada às honras dos altares. A Família Ulma, uma centelha de luz nos anos sombrios da Segunda Guerra Mundial, uma família como qualquer outra: o pai, Josef, trabalhava no campo e a mãe, Wiktoria, fazia os serviços de casa, além de cuidar de seis filhos e daquele que estava para nascer... Casaram em 1935, quatro anos antes do início da Segunda Guerra Mundial.
Na manhã do dia 24 de março de 1944, após ter recebido uma denúncia de que estariam a dar abrigo a judeus, uma patrulha nazi cercou a sua casa: começaram por disparar em direção ao teto, de onde o sangue dos oito judeus ali escondidos (Shaul Goldmann, com os seus quatro filhos, Lea Didner, com a sua filha Reshla, de cinco anos, e Golda Grünfeld). começou a escorrer.
Em baixo, no lugar onde caía o sangue, havia uma mesa sobre a qual tinha sido colocada - não se sabe o motivo - uma foto das duas mulheres judias. No braço de uma delas estava desenhada a estrela de David. Esta foto foi conservada até hoje como “relíquia” deste martírio judaico, e também cristão.
Depois, os nazis trouxeram o casal para fora de casa e dispararam sobre Józef e Wiktoria, que estava grávida de sete meses. Quando as crianças começaram a gritar ao verem os seus pais a serem assassinados, dispararam também sobre elas: Stanisława, de oito anos, Barbara, de sete, Władysław, de seis, Franciszek, de quatro, Antoni, de três, e Maria, de dois.
No fim, incendiaram a casa, para que não restassem dúvidas aos habitantes daquela pequena aldeia: aquilo era o que lhes aconteceria também a eles, caso arriscassem ajudar os judeus.
Mais tarde, no momento em que o corpo de Wiktoria ia ser colocado dentro do caixão, percebeu-se que, do seu ventre, saíam já a cabeça e parte do corpo do bebé recém-nascido. Na iminência do extermínio da família, teria começado a dar à luz.
Os Beatos Ulma, cuja festa litúrgica a Igreja Católica celebra a 7 de julho, foram reconhecidos pela Igreja católica como mártires, símbolo da coragem e compaixão, sendo ainda considerados Justos entre as Nações pelo Estado de Israel.
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