quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Dom Gérard Lafond OSB (1926-2026) - No 1º Centenário do nascimento do nosso fundador





Uma vida que se consumiu ao serviço de um carisma e que concretizou na fundação de uma comunidade laical, a Militia Sanctæ Mariæ - Cavaleiros de Nossa Senhora: caminhada de conversão – serviço concreto de Nossa Senhora e da Igreja - formação permanente - busca permanente da verdade - justiça - fraternidade vivida - compromisso laical e missão. Um carisma. Uma espiritualidade - Uma missão.

Jovem leigo, monge, Abade e Fundador fortemente estruturado para a santificação e missão dos leigos no mundo concreto do tempo que Deus lhe deu de vida. Espírito inquieto na busca e difusão de um carisma que foi plasmando em seus escritos, nomeadamente na Regra que deixou aos seus “filhos espirituais”, na sua “Carta-Mensagem de Chartres de 1995”. ou no seu último projecto que foi “Nouveau Regard”.

Era assim Dom Gérard Maria Lafond, nascido em Rouen (França) em 30 de Setembro de 1926 e cujo 1º centenário do nascimento vamos celebrar de 26 de setembro de 2026 a 26 de setembro de 2027.

Sempre atento aos sinais dos tempos que viveu e que passam por uma Europa que sofreu muitas e diversificadas mutações de paz e guerra, de contrastes, de agitação intelectual, cultural e religiosa e de enfrentamento de crises sucessivas que balançavam entre modernidade e Tradição, Gérard Lafond nunca se pôs fora da História sempre fiel ao seu carisma de Fundador profundamente mariano, beneditino-bernardiano (não foi por acaso que se fez monge beneditino e que serviu o ideal monástico como Abade) e cavaleiresco.

Dom Gérad Lafond OSB era um defensor de uma Tradição viva e dinâmica, nunca imobilista e conservacionista. Ao fundar, por acção do Espírito Santo, a “sua” Militia Sanctæ Mariæ - Cavaleiros de Nossa Senhora, Dom Lafond não quis fundar um museu de recordações heróicas e respeitáveis. Dom Lafond sentiu que urgia, a partir da sua observação atenta do mundo que restou no final da II Guerra Mundial, “refundar” a Europa com um laicado destemido e servidor dos mais desprotegidos, de “lutadores orantes” por uma sociedade mais fraterna, justa e solidária, respeitadora e promotora dos direitos de Deus e do Homem neste “aqui e agora” sempre diferente.

Neste 1º centenário do seu nascimento, podemos e devemos recordar e manter vivo o ideal que sempre e em todas as circunstâncias guiou Dom Lafond: observar o mundo à luz de Deus - servi-lo na fidelidade activa mas pró-activa à Igreja e aos seus ensinamentos sempre “antigos e sempre novos”.

Ao lembrarmos o nosso Fundador, não estamos a visitar e recordar com saudade uma “peça de museu” por mais significativa que seja. Estamos a exigir de nós próprios a lucidez de, ao olhar o seu carisma, mantermos a chama que em nós acendeu e que queremos manter viva alimentados pelos seus ensinamentos para o serviço da Igreja e dos deserdados, guiados por Maria, a Santa Mãe de Deus.

Fazemos votos de que este 1º centenário do seu nascimento seja para todos os Irmãos da comunidade de que fazemos parte, a MSM, uma alavanca para a nossa santificação e para o serviço dos nossos irmãos sofredores de uma sociedade desorientada, sem rumo e cada vez mais ameaçada de destruição por uma autofagia porque retirou Deus do centro da História.

Que Dom Lafond seja sempre para todos nós, seus “filhos espirituais” ou não, um guia seguro e um exemplo para estes tempos difíceis e desafiantes que nos é dado viver.

Quando faleceu, no mosteiro onde foi Dom Abade (S. Paul de Wisques, França) em 31 de Outubro de 2010, Dom Lafond deixou-nos um legado que deveremos conhecer, respeitar e cumprir.

Que Nossa Senhora de Chartres, onde a MSM recebeu o seu primeiro reconhecimento canónico, o tenha já em seus braços e permita que brevemente a sua causa de beatificação se concretize para maior honra de Deus no tempo e na eternidade.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Família Ulma

 


Faz hoje três anos que uma família inteira foi elevada às honras dos altares. A Família Ulma, uma centelha de luz nos anos sombrios da Segunda Guerra Mundial, uma família como qualquer outra: o pai, Josef, trabalhava no campo e a mãe, Wiktoria, fazia os serviços de casa, além de cuidar de seis filhos e daquele que estava para nascer... Casaram em 1935, quatro anos antes do início da Segunda Guerra Mundial. 

Na manhã do dia 24 de março de 1944, após ter recebido uma denúncia de que estariam a dar abrigo a judeus, uma patrulha nazi cercou a sua casa: começaram por disparar em direção ao teto, de onde o sangue dos oito judeus ali escondidos (Shaul Goldmann, com os seus quatro filhos, Lea Didner, com a sua filha Reshla, de cinco anos, e Golda Grünfeld). começou a escorrer.

Em baixo, no lugar onde caía o sangue, havia uma mesa sobre a qual tinha sido colocada - não se sabe o motivo - uma foto das duas mulheres judias. No braço de uma delas estava desenhada a estrela de David. Esta foto foi conservada até hoje como “relíquia” deste martírio judaico, e também cristão.

Depois, os nazis trouxeram o casal para fora de casa e dispararam sobre Józef e Wiktoria, que estava grávida de sete meses. Quando as crianças começaram a gritar ao verem os seus pais a serem assassinados, dispararam também sobre elas: Stanisława, de oito anos, Barbara, de sete, Władysław, de seis, Franciszek, de quatro, Antoni, de três, e Maria, de dois. 

No fim, incendiaram a casa, para que não restassem dúvidas aos habitantes daquela pequena aldeia: aquilo era o que lhes aconteceria também a eles, caso arriscassem ajudar os judeus.

Mais tarde, no momento em que o corpo de Wiktoria ia ser colocado dentro do caixão, percebeu-se que, do seu ventre, saíam já a cabeça e parte do corpo do bebé recém-nascido. Na iminência do extermínio da família, teria começado a dar à luz.

Os Beatos Ulma, cuja festa litúrgica a Igreja Católica celebra a 7 de julho, foram reconhecidos pela Igreja católica como mártires, símbolo da coragem e compaixão, sendo ainda considerados Justos entre as Nações pelo Estado de Israel.

Dom Gérard Lafond OSB (1926-2026) - No 1º Centenário do nascimento do nosso fundador

Uma vida que se consumiu ao serviço de um carisma e que concretizou na fundação de uma comunidade laical, a Militia Sanctæ Mariæ - Cavaleir...