sábado, 19 de agosto de 2023

SILERE 51

 

«Quando o disparate governa, a inteligência é um delito …» ( Henri de Montherlant, in Treizième César, Ed. Gallimard, 1970)

 

      SILERE NON POSSUM

            (Não me posso calar – Sto Agostinho)

             Para destruir um povo é preciso destruir as suas raízes.” (Alexandre Soljenitsyne)

 

                     Carta aos meus amigos – nº 51           

                             

 

                              BRAGA , 17 - Agosto - 2023

 

 

 

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PAX

 

                      « Desmantelar o racismo no ensino da Matemática»

 

  Não resisti a uma releitura de “ WOKISME” de Anne Toulouse ( Ed. Rocher, Mónaco, 2022) e que tem como sub-título “ A França será contaminada?”. Estou a reler pausadamente pois chego a pensar que esta obra, séria e actual, é um livro de piadas idiotas! Infelizmente, o wokismo veio para ficar e já , em Portugal, está a implantar-se esta idiotice que mina a nossa civilização e a destrói, o que é o seu grande e prioritário objecto.

   A autora, franco-americana, conhece muito bem o mundo da cultura destes dois países e muito bem documentada, ao longo de 194 páginas vai-nos chamando a atenção para as transformações linguísticas, culturais e espirituais que nos estão a impor os políticos, os media e os chamados “agentes culturais” da moda.

  Criando uma nova língua a que Orwell chamou “ novilíngua”, distorcendo e alterando o significado das palavras, promovendo uma verdadeira ditadura do pensamento, cancelando quem não “ afina pelo mesmo diapasão”, esta cultura ( ou contra-cultura?) está a impor-se pela força das leis e dos media , dos “ artistas” de referência, etc. Um bom exemplo é a frase com que inicio esta Carta cujo significado só os wokistas sabem decifrar.

   Inclui-se neste âmbito a tenebrosa “ teoria do Género” de quem o extraordinário Papa Ratzinger, Bento XVI escreveu:

«… a teoria do Género seria o próximo grande desafio para a Igreja e a última rebelião contra Deus com que terá de se confrontar a Igreja. É a rebelião definitiva contra Deus , o Criador » ( Diálogo com o Professor Haas, ex-Vice Presidente do Centro Nacional de Bioética dos EUA). E no seu discurso à Cúria romana, em 2012, poucos meses antes de se demitir, Bento XVI afirmou: «é evidente a profunda falsidade desta teoria e a revolução antropológica que encerra.» para ela « O homem e a mulher já não existe»

 E para lá desta teoria deletéria que a maioria dos nossos concidadãos não tem grande significado e, até, muitos acham que é um conjunto de piadas que não valorizam minimamente o seu significado profundo! Uma tristeza. Mas não contentes  em impor-nos, até, uma nova gramática, usam o cancelamento de todos os que não alinham com esta colecção de disparates e erros. O essencial para os seus defensores é calar , a bem ou a mal, o pensamento normal e lógico, cientificamente correcto.

   O que é isto de “ desracializar” a Matemática?

   O que é a imposição de pronome neutro quando falamos com alguém, pois se estamos face a uma mulher ou homem estes se “ acharem” o inverso? Em França, por exemplo, além dos pronomes ele ( il) e  ela (elle) já foi criado o polémico iel ( il + elle) que, para muitos deveria ser eil pois a primeira grafia dá prioridade ao homem!

  O importante é mudar tudo para mudar, a bem ou a mal ,a nossa cultura.

  Se os norte-americanos já estão “ loucos” com novas ideias como aquela de haver necessidade de desracializar a Matemática, que não passará de uma forma de prepotência racista de brancos contra negros, os europeus e outras latitudes culturais afins já, por exemplo, se impede de dizer que uma mulher está grávida e obrigando a usar o eufemismo, não sexista, patriarcal e normofista “ aquela pessoa está grávida”! Uma loucura total!

  … E ai de quem ousar não entrar “na onda” que nos impõem!

  Estamos em plena guerra cultural. Não tenhamos dúvidas. A nossa derrota, que  consentimos e , até a apoiamos, avizinha-se. Queremos continuar calados e concordes com estas modificações culturais que têm com objectivo último, destruir a própria noção de Pessoa Humana?

  Permitam-me, caros Amigos-leitores, que vos recomende a leitura de « WOKISME – La France sera-t-elle contaminée?», de Anne Toulouse. Temos consciência de que sem “armas” não podemos combater, fazer frente a tanto disparate e erro difundidos, apresentados como avanço cultural quando não passa de uma nova versão do marxismo?

   Não me posso calar. Não quero. Não devo. Não posso.

 

  SILERE NON POSSUM!

 

Carlos Aguiar Gomes

terça-feira, 15 de agosto de 2023

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA

 Da constituição Apostólica Munificentissimus Deus, do Papa Pio XII (Sec. XX)

Santidade, esplendor e glória do corpo da Virgem Maria

   Os santos Padres e os grandes Doutores da Igreja, nas homilias e sermões dirigidos ao povo na solenidade da assunção da Mãe de Deus, falaram deste facto como já conhecido e aceite pelos fiéis; expuseram-no com mais clareza e explicaram mais profundamente o sentido e importância desta festa, procurando especialmente esclarecer que o objecto da festa não era apenas a incorrupção do corpo mortal da bem-aventurada Virgem Maria, mas também o seu triunfo sobre a morte e a sua glorificação celeste à semelhança de Jesus Cristo, seu Filho unigénito.
   Assim São João Damasceno, que entre todos se distingue como testemunha exímia desta tradição, considerando a as- sunção corporal da Santa Mãe de Deus à luz dos seus outros privilégios, exclama com vigorosa eloquência: «Era necessário que Aquela que no parto tinha conservado ilesa a sua virgindade conservasse também sem nenhuma corrupção o seu corpo depois da morte. Era necessário que Aquela que trouxera no seio o Criador feito menino fosse habitar nos divinos tabernáculos. Era necessário que a Esposa que o Pai desposara fosse morar com o Esposo celeste. Era necessário que Aquela que tinha visto o seu Filho na cruz e recebera no coração a espada de dor de que tinha sido preservada ao dá-l’O à luz, O contemplasse sentado à direita do Pai. Era necessário que a Mãe de Deus possuísse o que pertence ao Filho e que todas as criaturas a honrassem como Mãe e Serva de Deus».
   São Germano de Constantinopla afirmava que a incorrupção e a assunção do corpo da Virgem Mãe de Deus condiziam não só com a sua maternidade divina, mas também com a peculiar santidade desse corpo virginal: «Vós, como está escrito, apareceis em beleza; e o vosso corpo virginal todo ele é santo, todo ele casto, todo ele morada de Deus, de modo que, até por este motivo, ficou isento de ser reduzido ao pó da terra; foi, sim, transformado, enquanto era humano, para a vida excelsa da incorruptibilidade; mas é o mesmo, vivo e gloriosíssimo, incólume e participante da vida perfeita».
   Outro escritor antiquíssimo afirma por sua vez: «Como Mãe gloriosíssima de Cristo, nosso Deus e Salvador, dispensador da vida e da imortalidade, é por Ele vivificada, revestida de um corpo semelhante na eterna incorruptibilidade, já que Ele a ressuscitou do sepulcro e a levou para Si, pelo modo que só Ele conhece».
   Todos estes argumentos e considerações dos Santos Padres têm como último fundamento a sagrada Escritura, que nos apresenta a santa Mãe de Deus estreitamente unida ao seu divino Filho e sempre participante da sua sorte.
   Acima de tudo deve recordar-se que, desde o século segundo, a Virgem Maria é apresentada pelos Santos Padres como a nova Eva, estreitamente unida ao novo Adão, embora a Ele sujeita. Mãe e Filho aparecem intimamente unidos na luta contra o inimigo infernal, luta essa que, como foi preanunciado no Protoevangelho, havia de terminar na vitória completa sobre o pecado e a morte, que o Apóstolo das gentes sempre associa nos seus escritos. Por isso, assim como a gloriosa ressurreição de Cristo foi uma parte essencial e o último troféu desta vitória, também para a Santíssima Virgem Maria a luta comum com a de seu Filho havia de completar-se com a glorificação do corpo virginal, segundo as afirmações do Apóstolo: Quando este corpo mortal se revestir da imortalidade, então se realizará a palavra da Escritura: A morte foi absorvida pela vitória.
   Assim a augusta Mãe de Deus, unida de modo misterioso a Jesus Cristo desde toda a eternidade pelo mesmo e único decreto de predestinação, imaculada desde a sua conceição, sempre virgem na sua divina maternidade, generosa companheira do divino Redentor, que triunfou plenamente sobre o pecado e suas consequências, como suprema coroa dos seus privilégios foi por fim preservada da corrupção do sepulcro e, tendo vencido a morte como seu Filho, foi elevada em corpo e alma à glória do Céu, onde resplandece como Rainha à direita do seu Filho, Rei imortal dos séculos.

Hino - Dia da Assunção de Nossa Senhora

                                                                    HINO

                             ( Ofício de Leituras)



Como a aurora renascida,
Como a lua que resplende,
Maria, de sol vestida,
   Ao Céu ascende.

Ascende, em plena alegria,
No mistério mais profundo,
Para quem se fez, um dia,
   A luz do mundo.

Um coro de Anjos espera,
Para aclamá-l’A entre cantos,
A Senhora que supera
   Todos os Santos.

Por suas preces sem par,
Subiremos nós também,
Quando à glória nos chamar
   A voz de Além.

Por Maria, Mãe clemente,
Chegue aos Céus o nosso hino.
Louvor a Deus uno e Trino,
   Eternamente.

15 de Agosto - Assunção de Nossa Senhora

 

"Busquemos a graça, mas busquemos por intermédio de Maria! Por ela acha-se o que se busca e não se pode ser desatendido”. ( S. Bernardo de Claraval

SILERE 50

 

  







           Mesmo nas noites escuras há sempre a Beleza a desafiar-nos.

      SILERE NON POSSUM

            (Não me posso calar – Sto Agostinho)

             Para destruir um povo é preciso destruir as suas raízes.” (Alexandre Soljenitsyne)

 

                     Carta aos meus amigos – nº 50           

                             

 

                              BRAGA , 10 - Agosto - 2023

 

 

 

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PAX

   Agora, que acabou a Jornada Mundial da Juventude , Lisboa 23, que teve um impacto mundial brutal, com a presença de jovens de  todo o mundo, veio-me à memória o « GRANDE ENCONTRO DA JUVENTUDE», em que participei, realizado em Lisboa, nos dias 20 e 21 de Abril de 1963 e que reuniu entre 50 e 60 mil jovens de todo o país . Recordo o enorme entusiasmo da juventude católica que encheu as ruas de Lisboa e vários estádios de futebol da capital.

  Recordo que meses antes , Outubro, o Papa João XXIII, tinha aberto a II Concílio do Vaticano e que vi em transmissão directa ( a preto e branco!).

   Lembro a mensagem dos Bispos portugueses e que aqui deixo um extracto:

https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEhf-yNoQ66hhyM14nM1Ffb-lOVyN2RJOKQgQu4xvbQWv0kRNowxaRC_eoNAjUawWD9Ubcc1JxPp9j1_VgJbyUgCs0vkGdmIeuosnV-C7SrtTrST87qcpqYM56jY_FlQ1REn2-RUNqBH76afhieIJJjrh79fMiTWDLztOYTUpmGRqJN02ICtXIt0taU=w640-h440

« Pára um pouco e pensa no compromisso que tomas ao participar no Grande Encontro da Juventude»

  Fui relembrar a Radiomensagem que o Papa de então enviou e escutada em silêncio por aqueles milhares de jovens vindos dos quatro cantos do país e de que transcrevo algumas frases que então  nos dirigiu:

1.Sentímo-Nos felizes de saudar-vos com paternal afecto e grande comprazimento pelo interesse que demonstrais em apro­fundar o estudo da doutrina social da Igreja e pela solicitude em fazê-la penetrar, como fermento vivificante, nas estruturas da sociedade.

O tema proposto nesta circunstância «Os Jóvens escolhem a Deus» reflete com clareza os vossos sentimentos, as vossas aspirações, os vossos ideais, que estão contidos no próprio nome com que vos adornastes «Juventude Católica», isto é, Juventude crente, operante, exemplar e que, com ardor, busca nas fontes da vida sobrenatural o alimento quotidiano para a sua própria elevação espiritual e acção conquistadora.

2. Não ignorais, amados filhos e filhas, como, em todos os tempos, o homem se encontrou exposto a graves perigos, a ponto de esquecer a sua origem e o seu fim. Agora, a maior parte da Juventude de todos os países do mundo procura em Deus luz de orientação, segurança de doutrina, paz de consciência, justiça e Caridade difundidas em qualquer ordem e sector da convivência humana. E porque foi testemunha de experiências a que nada valeram, ela se volta para o Pai das Luzes com alma grande e confiante. Tal é a vossa escolha, o vosso programa de vida e de apostolado, seguindo as pègadas daqueles que, nas fileiras das vossas Associações, vos precederam no sinal da fé. «Deus Dominus, et illuxit nobis» (Ps. 117, 27).

3. Agrada-Nos confirmar a Nossa paternal confiança nos Jóvens, em cujas mãos está o futuro do mundo. Encorajados pela fé viva, pela fidelidade à oração, com uma vida interior engrandecida pela comunhão com Jesus Eucarístico «caminho, verdade, vida», os Jóvens saberão dar o seu bom testemunho e ser, pelo seu exemplo, o canal que levará a tantas almas, tão afas­tadas de Deus, a doutrina da vida que, com ânsia, elas esperam.

   Estas foram palavras do Papa que convocou o II Concílio do Vaticano.

   O Cardeal Patriarca, Cardeal Cerejeira, também nos dirigiu palavras que ainda hoje são importantes:

 “não vos bastará ser cristãos fervorosos; será preciso que sejais também cientificamente competentes, tecnicamente capazes e profissionalmente peritos”. ( Cardeal Cerejeira).

  Tudo fazia prever que este encontro seria uma grande “ alavanca”, ao ritmo co Concílio e do carisma da Acção Católica que era vigoroso até essa altura. Mas não! Foi o “ canto do cisne” desse grande movimento laical católico. Pertenci e militei na JEC ( Juventude Escolar Católica) até entrar na Universidade, dois anos depois de ter participado no dito Grande Encontro da Juventude. Quando cheguei ao ensino universitário, interessei-me pela JUC ( Juventude Universitária Católica). Sol de pouca dura! “aquilo” tinha acabado de perder o seu carisma. Saí. Não era o que procurava e precisava. A Acção Católica estava já num estertor de morte!

   A Acção Católica entrou em derrapagem e, finalmente… morreu. Tinha perdido o seu carisma: preparar os jovens (e os menos jovens nos chamadas Ligas Católicas temáticas por áreas profissionais) para serem cristãos no mundo, fermento da massa, impregnando a sociedade dos valores do Evangelho. A Acção Católica procurava que os cristãos fossem verdadeiros “ animadores cristãos da ordem  temporal”.

   O Grande Encontro da Juventude, tão promissor na sua efectivação e realização, foi contaminado. De morte.

   Ficarei eternamente grato à Acção Católica pelo muito que me deu para uma compreensão  e acção de uma “  animação cristã da ordem temporal”, aliás o II Concílio do Vaticano veio sublinhar esta perspectiva para o laicado. Ah! O II Concílio do Vaticano não veio criar um ramo da Sociologia nem fundar uma “ nova Igreja”!

   Segui esta Jornada Mundial da Juventude – Lisboa 23  com atenção e interesse. O que vai seguir-se, é a minha grande questão. O que vi e ouvi na televisão ou o que li nos media, deixa-me expectante. Ou foi tudo encenação, espectáculo  brilhante? Cristo, “ o Caminho, a Verdade e a Vida” passou mesmo? Foi Ele o centro real, objetivo, apresentado sem subterfúgios ou ambiguidades? Por que O arrumaram em cave (?) metido em caixas de plástico no final da Vigília? Ele, não deveria ser o centro do centro desta Jornada?

   Lembrei-me do mote do Grande Encontro da Juventude, Lisboa 1963:

                              «Os novos escolhem Deus».

    E hoje? Foi esta mensagem que foi transmitida em Lisboa na JMJ, Lisboa 23?

   Sim, se os jovens de hoje não tomam para a sua vida o mote de primeiramente escolherem Deus, para que serviu esta Jornada?

   Não me posso calar. Não posso deixar de desabafar a minha grande inquietação se as escolhas dos jovens não passarem, na generalidade, com convicção, pela escolha de Deus para a sua vida de “ reanimadores” cristãos da ordem temporal em todos os domínios da vida.

SILERE NON POSSUM!

SILERE 49

 

       


     SILERE NON POSSUM

            (Não me posso calar – Sto Agostinho)

             Para destruir um povo é preciso destruir as suas raízes.” (Alexandre Soljenitsyne)

 

                    

                  Carta aos meus amigos – nº 49           

                             

 

                             BRAGA , 3 - Agosto - 2023

 

 

 

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PAX

 

«TODA A FORMA DE ARTE É, A SEU MODO,UM CAMINHO DE ACESSO À REALIDADE MAIS PROFUNDA DO HOMEM E DO MUNDO» (S. João Paulo II, Magno, in Carta aos Artistas, Maio de 1999)

 

   O Papa S. João Paulo II, Magno, em preparação do Jubileu do ano 2000, escreveu aos Artistas uma Carta notável e que , creio, já entrou no esquecimento. E é lamentável! A proposta do Papa apresentada em 4 de Abril de 1999, termina com um repto que aqui deixo:

« … que a vossa arte contribua para a consolidação duma beleza autêntica que, como reflexo do Espírito de Deus, transfigure a matéria, abrindo os ânimos ao sentimento do eterno!».

  Nas últimas décadas, temos assistido, no chamado campo das artes, a uma promoção da arte bruta, grotesca, disforme, caótica e desarmónica. Basta ver algumas “esculturas” que enchem tantas praças e ruas das nossas vilas e cidades. Muitas não passam de um amontoado de pedras, verdadeiros «caos de blocos» como se diz em Geologia ou de pedaços de ferro emaranhados e retorcidos. Quanto à pintura, lembro-me de ter visto uma tela, exposta numa “grande” exposição, pintada exclusivamente de branco. Ou de textos, ditos poéticos, de leitura arrevesada e nulos de ideias e beleza. E, caros Amigos-leitores, vi, no Palácio Foz (Lisboa), antigo SNI, em meados da década de 60 do século passado, uma escultura que era o lixo ( cotão, fios soltos, papeis amarrotados e outros materiais idênticos recolhidos , talvez, depois de varrer para o canto da sala, o lixo que restou de uma festa!).

  Não pense o Amigo-leitor que sou adepto e admirador de réplicas de modos artísticos do passado. Estes tiveram o seu tempo que passou. São aldrabices que vemos, infelizmente, em muitos locais como igrejas em que “ abarrocam” ambões ou altares! O nosso tempo tem grandes artistas que exprimem em linguagem contemporânea inovadora, belas obras de arte. Recordo a nossa saudosa Maria Amélia Carvalheira ou Carlos Vizeu como grandes ceramistas. Notáveis. Vem-me à memória algumas esculturas , modernas, de André Charlier. Extasio-me, por exemplo, com a igreja conventual do mosteiro cisterciense de Novy Dvur ( Chéquia) na sua linguagem extremamente despojada e reduzida ao essencial que nos convida e convoca para a oração. No campo da Música, não posso nem quero, esquecer Manuel Faria, Carrapatoso, Hermenegildo Faria, entre outros portugueses contemporâneos que atingem níveis de perfeição na modernidade. E Arv Prat ou Olivier Messian não podem ser esquecidos!

   Todo este extenso preâmbulo vem a propósito de um grande artista bracarense e de nível nacional: Domingos Araújo. Discreto. Humilde. Perfeito na sua arte. Estou a referir-me ao maior (não estou a exagerar!) pontilhista português vivo. Ver a suas obras, sublimes em pontilhismo ,é ser impelido a, quer se queira quer não, contemplar obras de arte que, pela sua perfeição, sentido de fidelidade e reflexo da alma do autor nos remetem para a Beleza incriada que as suas mãos ( e olhos!) trabalham com a alma cheia do Belo que é Deus!

   Traços firmes e suaves. Sombras e perpectivas esplêndidas. Mais do que parecerem  fotografias, os seus trabalhos espelham visões metafísicas da física dos materiais que representam!

  Como nos disse S. João Paulo II, Magno, na citada Carta aos Artistas:

«A beleza é chave do mistério e apelo ao transcendente. É convite a saborear a vida e a sonhar o futuro. Por isso, a beleza das coisas criadas não pode saciar, e suscita aquela arcana saudade de Deus que enamorado do belo, como Agostinho, soube interpretar com expressões incomparáveis: “ Tarde Vos amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei!” ( S. JPII , Magno, o.c. )

  Sim, Domingos Araújo, abre-nos portas para contemplarmos “ A beleza (como) chave do mistério e apelo ao transcendente.”

   … Por isso, o nosso tempo, indiferente a Deus, repele e cultiva o disforme, o feio e caótico que nos afastam do Criador.

   Domingos Araújo segue, e bem, muito bem, a “ VIA PULCHRITUDINIS”, o caminho da Beleza.

   Como nos disse o grande Doutor da Igreja, Bento XVI dirigindo-se aos Representantes da Cultura ( Lisboa 12 de Maio de 2010):

    «Fazei coisas belas, mas sobretudo tornai as vossas vidas lugares de beleza.» É este o caminho que Domingos Araújo segue!

   Posso ficar calado perante as obras de arte com que este artífice ( que faz arte) nos oferece à contemplação?

   Citando, mais uma vez, S. João Paulo II Magno, na Carta aos Artistas:

«Diante da sacralidade da vida e do ser humano, diante das maravilhas do universo, o assombro é a única atitude condigna»

   Com a sua obra de artista, Domingos Araújo deixa-nos assombrados perante as belezas que o Homem foi produzindo e reproduzindo através dos tempos!

    Não, não me  posso calar!

    SILERE NON POSSUM

 

Carlos Aguiar Gomes

 

P.S:

 

Está patente na Torre do Museu Pio XII uma mostra dos trabalhos de Domingos Araújo até Setembro. 

sábado, 5 de agosto de 2023

Homélie sur l’Évangile de la Transfiguration par l'Ab. Hervé Hygonnet

donée le 5 mars 2023

Bien chers Fidèles,

En ce IIè dimanche de Carême, l’église offre à la méditation l’Évangile de la Transfiguration.

Notre Seigneur Se manifeste glorieusement et spectaculairement à trois Apôtres privilégiés, Pierre, Jacques et Jean. Ceux-ci Le voient donc une splendeur toute surnaturelle, et distinguent aussi, de part et d’autre du Maître, Moïse et Elie, figures emblématiques de la Loi et de la Prophétie.

Pierre de dire : « nous sommes bien ici… » et de proposer d’installer un campement, sans doute pour goûter aisément la suavité de l’expérience mystique dont il est favorisé.

Toutefois, la vision s’interrompt bien vite.

Les trois Apôtres ne voient désarmais plus que « Jésus, seul »; Qui leur enjoint de taire cette expérience spirituelle extraordinaire, jusqu’au jour de sa Résurrection d’entre les morts.

Ainsi est-il enseigné que la vie chrétienne -vie de fidélité envers le Christ et auprès de Lui n’est pas constituée de consolations surnaturelles successives et répétées, mais bien du quotidien service et amour du Seigneur.

Vie sobre et besogneuse, vie de prière attentive et sans guère d’expérience surnaturelle ressentie. La Fidélité à Notre Seigneur est récompensée dans l’Au-Delà, dans l’Éternité : c’est là son salaire, sa récompense.

Ici-bas, on travaille et on combat pour Notre Seigneur.

Là-haut on jouit de la récompense, qui sera grande dans l’Éternité, et de la victoire, qui sera acquise une fois pour toutes.

Dès le IIè dimanche de Carême donc, l’Église indique à ses fidèles enfants, qui se sont lancés généreusement dans leur Carême, de persévérer au long cours ; qu’il faudra prendre leur rythme et accomplir « la course » (dont parle S. Paul dans certaines Épitres), qui est non pas une course vive et accomplie comme d’un puissant coup de reins, non pas brève et intense, mais une course de fond, qui prend son rythme et sa valeur au fil des semaines; et même de toute la vie.

Rarement, mais quelque fois tout de même, la quotidienne Fidélité chrétienne est stimulée et encouragée par l’un ou l’autre joie spirituelle particulière, spécialement ressentie, mais ce « ressenti » n’est pas ce qu’il faut rechercher, car il faut rechercher Dieu, une relation personnelle et vivifiante avec Lui, et, après la mort puis la Résurrection, la vision splendide de Celui-ci, comme face-à-face.

Voilà, chers Fidèles, le message : soyez -justement- fidèles, car la fidélité est l’expression mûre et décisive de l’amour.

Dans la joie et la peine, dans les périodes de dévotion faciles et dans les difficiles, soyez là, auprès du Seigneur, pas pour goûter sa suavité, mais pour Lui exprimer votre attachement dans les grandes et les petites occasions, dans les sourires et dans les larmes.

Au cours du Carême, sur une période déjà assez longue de 46 jours, vos efforts de prière, de pénitence et de charité fraternelle seront féconds pour autant qu’ils élèveront votre âme, lui permettront de pratiquer davantage la vertu, et lui procureront des récompenses vraies, dont celle d’un meilleur tonus spirituel, que outre âme saura reconnaître expérimentalement.

Sursum corda; haut les cœurs.

Chacun selon ses forces et l’inspiration de la grâce offrira fidèlement ses résolutions, toujours conformes aux deux exigences d’un effort chrétien: réel et raisonnable à la fois.

Notre Dame de Fatima, reine du très Saint Rosaire, saura vous guider et vous obtenir de grandes grâces.

En union de prière de tous et de chacun, spécialement dans la récitation quotidienne du Chapelet.

São Bernardo de Claraval, o abade que modelou a Igreja

  No coração da Idade Média, num tempo de cruzadas, reformas e renovação espiritual, ergue-se a figura luminosa de São Bernardo de Claraval ...