sábado, 25 de abril de 2020

O RUÍDO DAS LIBERDADES DE ABRIL


A consciência da liberdade e da dignidade do homem, de mão dada com a afirmação dos direitos inalienáveis da pessoa e dos povos, é uma das características predominantes do nosso tempo. Antes do cristianismo era impensável, mesmo que agora ainda se possa fomentar de modo errado! A comunicação que Deus fez de si mesmo aos homens tornou Jesus Cristo o acontecimento da História de maior relevância para a Humanidade, ao ponto de dividir a História no antes e no depois de Cristo. Inverteu os valores, fez resplandecer a dignidade pessoal de cada individuo, deu aso à formulação dos direitos humanos mesmo que ainda muito espezinhados. “No mundo pré-cristão, procuraríamos em vão semelhante visão do Homem: nem Platão, que fala de forma sublime do eros, nem nos tratados de Aristóteles e de Cícero sobre a amizade, nem nos escritos dos estoicos se poderá encontrar qualquer atenção à pessoa humana, à qual só se dará fundamento a partir da revelação cristã” (Hans Urs von Balthasar). Jesus, figura dominante da História, veio dar-lhe o seu significado autêntico, a sua direção permanente e definitiva. Não com armas e opressão, mas comprometendo-se com a sorte do homem, em amor e misericórdia. Ateus, crentes, filósofos, escritores, artistas, pessoas de todas as áreas do saber, do poder e do saber fazer, ninguém, ninguém ficou nem fica indiferente perante o que Ele disse e fez, perante o encanto da sua pessoa e da sua doação até ao extremo. Assim aconteceu com todos quantos se cruzaram com Ele ao longo da sua vida terrena e depois da sua Ressurreição, o Grande Dia para toda a Humanidade, a Páscoa. Sim, o Grande Dia, acredite-se ou não! À volta da sua pessoa, ontem e hoje, quantos encontros e desencontros, quanta alegria e entusiasmo, quantas certezas e dúvidas, quantas inquietações e esperanças, quantos, quantos amores apaixonados até ao martírio, quanta vida, quanto testemunho, quanto bem fazer, quantas expressões extraordinárias de arte e beleza em todas as áreas da atividade humana. No entanto, como perante Ele ninguém fica indiferente, também houve e há rejeições. E quantas delas por mera ignorância ou preconceitos como aquele que chegou ao ponto de mandar gravar uma cruz na sola dos sapatos para O espezinhar continuamente. Quanta mentira ou iniciativa para O desmitificar, quantas banalizações e ofensas, quantas apropriações indevidas até para fazer guerras, quantas perseguições, quantos escritos para negar a sua divindade. “Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!”, rezou Cristo na Cruz (Lc 23,34).
Aquele “Tudo está consumado” dito por Jesus no alto do Calvário, não foi uma declaração conformada com o fim de tudo. Não foi uma humilhante rendição porque tudo fracassara. Não, não foi um cruzar de braços perante uma derrota. Foi um vigoroso Sim à vitória da vida sobre a morte, um Sim para restituir ao homem a dignidade perdida e indicar a toda a Humanidade o caminho da Liberdade, da Dignidade e do viver com sentido e esperança. Jesus falou e continua a falar com a simplicidade da sua vida, com a sua humanidade, com a sua obediência ao Pai, com a sua coerência, com a sua fidelidade à verdade e com o seu amor a toda a gente, sem fazer aceção de pessoas, dando prioridade aos que sofrem e aos esquecidos à margem da vida. Foi n’Ele e por Ele que o homem adquiriu plena consciência do sentido da sua vida, da sua dignidade e do valor transcendente da própria humanidade.
Cada país tem o seu Dia Nacional, o qual, infelizmente, nem sempre é o dia da conquista da liberdade, dentro daquela Liberdade e Dignidade de filhos de Deus. Por paradoxal que pareça, esses dias nacionais vão-se sucedendo uns aos outros, tal como aquelas afirmações que são tão verdade enquanto não vem outro e diz o contrário. Parece que cada tempo tem de ter forçosamente os seus heróis. Mudam-se os tempos mudam-se as vontades, sobretudo quando os que governam se esquecem da sua verdadeira missão ao serviço do povo. O último acontecimento mais digno de registo ou tido como revolucionário, para o bem ou para o mal, é sempre o único, o mais nobre e o mais importante para quem o levou acabo, mesmo que o seja para desgraça de um povo. E sempre há gente que está com quem está, quer quando o regime se apoia na razão da força, quer quando se pauta pela força da razão. O virar da casaca é imediato, num esfregar de olhos. A subserviência aos da nova situação é tal que nunca os deixa livres para avaliarem qualquer dos sistemas. E como a fama é um objetivo apetecível, há quem, dentro da façanha revolucionária, não passando de um mero e suplente apanha bolas devido às circunstâncias do momento e das quais porventura não conseguiu fugir, há quem não se canse de gritar ao mundo a fazer crer que foi um grande craque no relvado, um herói indispensável na hora da mudança e a merecer lugar de sócio correspondente e de número na academia da história pátria, quiçá, um cantinho no panteão! Ai estes bípedes humanos que engraçados que somos!...
E assim, uns, como é o nosso caso, festejam com alegria o dia em que a liberdade foi conquistada e se instalou a democracia e os direitos de cidadania. Há festa, vestem-se os fatos de domingar e calçam-se os sapatos de ir à missa, como soe dizer-se, para se entrar no Salão Nobre e florido da República onde os representantes do povo têm a sua cátedra de diagnóstico das maleitas e do receituário para as doenças do Nação. Há discursos empolgados com esticadas reflexões, há palmas e aplausos. E bem, é preciso comemorar e fazer festa. Há conquistas inesquecíveis a merecer festa em qualquer tempo e a qualquer pretexto, com terno e gravata. A ferir a história dos povos, idênticas manifestações também fazem as ditaduras, com desfiles militares a quererem assustar o mundo, discursos empolgados a olhar para o umbigo, aplausos e palmas a aquecer as mãos e a atordoar os ouvidos. Os demagogos encontram aí uma grande ocasião para espraiarem o seu ego por entre discursos inflamados a ecoar por mundo fora. O povo, esse, e conforme os casos, ou se manifesta livremente na alegria e gratidão de ter a liberdade, ou na obrigação de fingir e repudiar a tristeza que lhe vai na alma. Nas próprias escolas, a história última que se estuda, é sempre a história feita pelos últimos vencedores, por aqueles que se encontram ao leme dos países, quer seja a construída pelos que conquistaram a liberdade, quer seja a feita pelos que a esconjuraram. Para uns e outros, importa denegrir o passado como nada tendo de bom, e empolgar o presente como maravilha sem igual. Mas isto também acontece, em democracia, dentro dos partidos que se alternem no poder. Nenhum consegue viver sem denegrir o do turno anterior para que possa engrandecer o que ele agora está a fazer. A história humana, que é cíclica, lá se vai desenvolvendo por entre tais enredos, tantas vezes com a humilhação do povo, do qual, quem manda, se julga dono e senhor, esquecendo que o seu poder é um poder delegado pelo próprio povo, em nome de Deus. E disse Pilatos a Jesus: “Não sabes que tenho autoridade para Te soltar e autoridade para Te crucificar?” Jesus respondeu: “Não terias nenhuma autoridade sobre Mim se ela não te fosse dada do alto” (Jo 19,10-11).
Portugal, nos últimos tempos, saboreou ambos os momentos. Quem agora se apresenta como presa fácil às garras desse traste que é o covid-19, sabe apreciar bem a diferença. Muita gente festejou - ou suportou ver festejar! -, com gosto ou sem gosto, contrariado ou por obrigação, o 28 de maio. Mesmo que o Dia da Restauração e o da República estejam dormentes nos braços de Morfeu, festejemos o 25 de abril, que, neste ano, já deu água pela barba àqueles que, quando falaram sobre os festejos, de tal modo falaram que até as andorinhas suspenderam o voar e as árvores se torceram para os escutar. Mas não gostaram, o efeito foi fraco e era escusado! Esperemos que o povo, que sabe rir dessas horas menos boas dos seus Servidores, não deixe de viver, com gosto e ao seu jeito, e como melhor o conseguir fazer, esse Dia Nacional que a todos nos orgulha e enobrece o país.
Antonino Dias
 Bispo de Portalegre-Castelo Branco, 24-04-2020.

sexta-feira, 24 de abril de 2020

NOVENA A SANTA GIANNA BERETTA MOLLA - Dia 6

NOVENA A SANTA GIANNA BERETTA MOLLA
Início: Dia 19 de abril
Conclusão: Dia 27 de abril
Festa: Dia 28 de Abril

Querida Santa Serva de Deus, Santa Gianna Beretta Molla, rezamos para você porque você foi a mãe caridosa e sofredora que escolheu a vida de seu filho sobre sua própria vida.
Sua fidelidade a Deus trouxe você tão perto de Deus que agora você está descansando em Seu esplendor divino.
Nós humildemente oramos por sua santa intercessão. (Mencione suas intenções aqui)
No meio do seu sofrimento, você continuou sua missão de cuidar dos doentes, necessitados e fracos. E assim nós trazemos nossos corações necessitados para você e pedimos que você ore por nós a Deus nosso Pai...


Santa Gianna, você disse "sim" à nova vida do seu bebê, generosamente sacrificando sua própria vida.
Mostre-nos como dizer “sim” como você fez à vontade de Deus para que possamos chegar ao descanso eterno com Deus no céu.
Ave Maria
Glória ao Pai
Pai Nosso
São Gianna Beretta Molla, rogai por nós!

Instituto Internacional Familiaris Consortio. @iifcbrasil
Milícia de Santa Maria

“Não estamos preparados para enfrentar a pandemia”, diz Nabil Antaki, médico e colaborador da AIS em Alepo

SÍRIA: “Não estamos preparados para enfrentar a pandemia”, diz Nabil Antaki, médico e colaborador da AIS em AlepoSÍRIA:


Não há ainda muitos casos conhecidos de coronavírus na Síria. No entanto, isso não significa que o país venha a ser poupado a uma proliferação da pandemia. Para o médico Nabil Antaki, coordenador da campanha da Fundação AIS “uma gota de leite para as crianças de Alepo”, o baixo número de pessoas infectadas com o Covid19 é apenas consequência dos poucos testes realizados até hoje.

Em entrevista à agência de notícias AsiaNews, Antaki afirma a sua convicção de que “o número de pessoas infectadas pelo coronavírus é maior do que as estatísticas oficiais” apontam, pois não foi ainda iniciada “uma política geral de triagem”. Por isso, “apenas as pessoas com os sintomas mais graves da doença são testadas”.

De qualquer forma, independentemente da real dimensão que o coronavírus possa ter na Síria, este médico cristão manifesta a sua preocupação perante a fragilidade do sistema de saúde pois o país está em guerra há já uma década.

“Não estamos preparados para enfrentar a pandemia. Antes do conflito, o sistema de saúde da Síria funcionava perfeitamente, mas a guerra afectou-o de uma maneira muito profunda”, explica o clínico, apontando também responsabilidades para “as sanções contra Damasco impostas pelos EUA e pela União Europeia”.

Para o doutor Nabil Antaki, se a epidemia vier a alastrar, tornar-se-á evidente a falta de equipamento hospitalar para o tratamento dos pacientes e isso poderá transformar-se num desastre. “Não temos equipamento suficiente para lidar com eles, como ventiladores, leitos para terapia intensiva… seria um desastre.”

Na entrevista à AsiaNews, o colaborador da Fundação AIS reconhece que as medidas adoptadas até agora pelo governo de Damasco têm-se revelado satisfatórias no combate ao alastramento da pandemia do coronavírus.

“Até agora, as medidas tomadas são suficientes: escolas, universidades, restaurantes, cafés, fábricas, escritórios e todas as empresas, além das do sector alimentar, estão fechadas”, estando em vigor o recolher obrigatório a partir das 18 horas. Se o número de pessoas infectadas crescer assinalavelmente, afirma ainda Nabil Antaki, “será necessário declarar” um isolamento mais severo.

Entre todos os sectores da sociedade, são os refugiados e deslocados internos que suscitam maior preocupação por estarem a viver em locais com menos condições sanitárias. Todos os que vivem “nos campos de refugiados são os mais vulneráveis”, diz o médico de Alepo, reconhecendo que, por isso, estão em maior “risco” e são, claro, “uma fonte de preocupação”.

No entanto, Antaki acrescenta que, “pelo menos até agora, não registavam maior incidência de casos do que os demais”.

Nabil Antaki é cristão e médico em Alepo. Especialista em gastroenterologia, tem estado na linha da frente no apoio à população síria vítima de guerra há já uma década. Uma das áreas que o têm notabilizado prende-se com o apoio aos sectores mais fragilizados da população, nomeadamente as crianças. Desde 2015 que é o coordenador da campanha da Fundação AIS “uma gota de leite para as crianças de Alepo”.

Esta campanha, que tem merecido ao longo dos anos um apoio entusiástico por parte dos benfeitores portugueses da AIS, tem-se revelado essencial para a sobrevivência de centenas de crianças.

O próprio Dr. Antaki, numa mensagem enviada para a Fundação AIS, explica isso. “Todos os meses distribuímos leite para cerca de 3 mil crianças e bebés. As necessidades crescem diariamente. Embora este seja um desafio enorme, é também um sinal de esperança.”

Na mensagem de agradecimento que enviou para os benfeitores da Ajuda à Igreja que Sofre, Nabil Antaki explica que todas as pessoas que ficaram na Síria, apesar da guerra e da violência, não podem ser abandonadas. “Estas pessoas precisam tanto de assistência quanto as que já fugiram do país. Precisam de ajuda e de esperança!”

Para as auxiliar, Nabil Antaki decidiu ficar na Síria, junto do seu povo. “Vou ficar em Alepo enquanto precisarem de mim. Obrigado aos benfeitores da Fundação AIS pela ajuda constante!”


Departamento de Informação da Fundação AIS | ACN Portugal

Rua Professor Orlando Ribeiro, 5 D
1600-796 Lisboa | PORTUGAL
TEL (+351) 217 544 000  | TLM (+351) 912 154 168

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Feast of St. George, patron saint of knighthood

Faire is the heaven where happy soules have place
In full enjoyment of felicitie;
Whence they do still behold the glorious face
Of the Divine, Eternall Majestie;

Yet farre more faire be those bright Cherubins
Which all with golden wings are overdight.
And those eternall burning Seraphins
Which from their faces dart out fiery light;

Yet fairer than they both and much more bright
Be the Angels and Archangels
Which attend on God's owne person without rest or end.
These then in faire each other farre excelling
As to the Highest they approach more neare,
Yet is that Highest farre beyond all telling

Fairer than all the rest which there appeare
Though all their beauties joynd together were;
How then can mortal tongue hope to expresse

The image of such endlesse perfectnesse?

Subsequent to holding posts as organist at Lichfield, New College and Christ Church Oxford, composer William Harris went on to become organist and Director of Music at St George’s Chapel, Windsor from 1933. In that post he conducted the music for two coronations and was involved in teaching Queen Elizabeth and Princess Margaret madrigals in the Red Drawing Room of Windsor Castle every Monday when they lived there throughout the wartime period. At these gatherings the two princesses were joined by senior choristers from St George’s with the lower parts sung by a mix of Etonians, Grenadier Guards and members of the Windsor and Eton Choral Society. One can only imagine much merriment was had at such gatherings and wonder whether our current monarch, back at Windsor Castle now, again as a place of shelter, currently dwells on such evenings from the past!

NOVENA A SANTA GIANNA BERETTA MOLLA - Dia 5

NOVENA A SANTA GIANNA BERETTA MOLLA
Início: Dia 19 de abril
Conclusão: Dia 27 de abril
Festa: Dia 28 de Abril

Querida Santa Serva de Deus, Santa Gianna Beretta Molla, rezamos para você porque você foi a mãe caridosa e sofredora que escolheu a vida de seu filho sobre sua própria vida.
Sua fidelidade a Deus trouxe você tão perto de Deus que agora você está descansando em Seu esplendor divino.
Nós humildemente oramos por sua santa intercessão. (Mencione suas intenções aqui)
No meio do seu sofrimento, você continuou sua missão de cuidar dos doentes, necessitados e fracos. E assim nós trazemos nossos corações necessitados para você e pedimos que você ore por nós a Deus nosso Pai...


Santa Gianna, você disse "sim" à nova vida do seu bebê, generosamente sacrificando sua própria vida.
Mostre-nos como dizer “sim” como você fez à vontade de Deus para que possamos chegar ao descanso eterno com Deus no céu.
Ave Maria
Glória ao Pai
Pai Nosso
São Gianna Beretta Molla, rogai por nós!

Instituto Internacional Familiaris Consortio. @iifcbrasil
Milícia de Santa Maria

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Tempos difíceis, como combater este mal dos nossos tempos?


Queríamos muito que este mal não estivesse acontecendo em nossos tempos.

Mas, precisamos tomar atitudes que promovam a segurança e a saúde de todas as pessoas diante deste mal avassalador que de forma incompreensível afetou muitas pessoas e tem tirado a vida de milhões de vidas sem dó, nem piedade.

Para conseguirmos vencer este que é o mal que mais tira vidas humanas nos dias atuais, vamos precisar amar mais a vida, o próximo, a saúde, ter mais cuidados com os mais frágeis e necessitados e lutar para que todos tenham vida e vida em abundância.

Vamos todos nos unir contra o aborto, a pior forma de mal de nossos tempos e promover a vida humana, sobretudo de nossas crianças mais indefesas.

(E pensar que tem gente que é a favor do aborto pedindo para as pessoas se cuidarem do SARS-COV-2. Não é a Covid-19 o maior perigo de nossos tempos, mas as mentes abortistas que promovem e defendem milhões de assassinatos a cada ano).

IIFC
MSM

MILITIA SANCTAE MARIAE – cavaleiros de Nossa Senhora 
Círculo Internacional Cristãos Pelo Ambiente
 S. JOÃO GUALBERTO
                                            
                                
    
                                                         MANIFESTO TERRA
                                         NO DIA MUNDIAL DA TERRA – 22 de Abril

    A Terra  não sente, não pensa, não ama, não venera e não se preocupa, contrariamente ao que escreveu o teólogo da Teologia da Libertação, um conhecido esquerdista e ecologista radical, Leonardo Boff. Não! A Terra não é um ser vivo. É, simplesmente, o suporte da vida, na sua camada mais periférica. Só.
     Para um cristão, Deus enviou o Seu Filho, Jesus Cristo, para salvar o Homem, não a Terra nem qualquer outro ser vivo que não o Homem. É bom termos sempre presente que, na Terra, o cume da criação é precisamente o Homem.
     A Terra também não é uma deusa, GAIA, como este ( teólogo?!) pretende. Isso é paganismo. Só há um Deus, omnipotente, senhor e criador do céu e da terra, do mundo visível e do invisível. A Terra é uma criatura do Criador e, por isso, porque é obra do Criador, merece o nosso cuidado e a nossa guarda respeitosa.
    Toda a agressão contra a vida (verdadeiro biocídio), que é criação de Deus, é uma agressão ao Criador, Deus. Quando se agride a Terra e o que nela existe, praticamos um geocídio, pecado grave contra o Criador. O Criador é que é o centro, fonte e origem das criaturas. Nestas, o Homem tem um lugar especial, única criatura, criada à imagem e semelhança de Deus. Será bom, até para cuidarmos bem da Terra. Citando o mesmo Papa ( in “Evangelium vitae”,nº34): « Confirma-se assim o primado do homem sobre as coisas: estas estão ordenadas ao homem e entregues à sua responsabilidade, enquanto por nenhuma razão pode o homem ser subjugado pelos seus semelhantes e como que reduzido ao estatuto de coisa».
    Quando se retira Deus, o Criador, da nossa vida de humanos, rompem-se os equilíbrios ecológicos. E só há verdadeira Ecologia quando esta integra o Homem. Se este passa a ser entendido como o grande inimigo do meio ambiente, a humanidade desumaniza-se. A humanidade sofre, assim, com essas agressões. Estas são o produto do seu egoísmo, do seu egoísmo descentrado. Quando a humanidade, como nos nossos dias, centra o seu agir e viver só sobre si e tudo o que a envolve faz rodopiar sobre si, para satisfazer a sua egolatria, torna-se ecocida e, consequentemente, geocida.
       A poluição atmosférica, o abuso que fazemos da Natureza atentando contra os diferentes ecossistemas, entre outras causas, explicam alguns desequilíbrios e males de que hoje sofremos. Só tornando a nossa relação com o Ambiente, tendo Deus no centro das nossas vidas e das nossas relações com a Natureza, a criação, será reequilibrada. S. João Paulo II, Magno, deixou-nos estas palavras sábias na Exortação Apostólica Pós-Sinodal “ ECCLESIA IN EUROPA” (nº 89), referindo-se aos maus tratos dados à Terra pela humanidade: « … não se pode esquecer que às vezes é feito um uso indevido dos homens da terra. De facto, faltando à sua missão de cultivar e guardar a terra com sabedoria e amor (cf.Gn2,15), o homem tem em muitas regiões devastado bosques e planuras, poluído as águas, tornado irrespirável o ar, alterado os sistemas hidrogeológicos e atmosféricos e desertificando imensas extensões.
    Neste caso, servir o Evangelho da esperança significa empenhar-se de modo novo num correcto uso dos bens da terra, estimulando uma atenção tal que, além de tutelar ao habitat naturais, defenda a qualidade da vida das pessoas, preparando para as gerações futuras um ambiente mais harmonioso com o projecto do Criador.»
      Nós, os homens, porque sentimos, pensamos, amamos, veneramos e preocupamos e, sobretudo, adoramos a Deus podemos e devemos alterar o ritmo malfazejo que causa mal estar na Terra e a danifica. Assim, usando as palavras de S. João Paulo II, Magno, serviremos o EVANGELHO DA ESPERANÇA. Estaremos deste modo, na nossa missão de estar ao serviço da NOVA EVANGELIZAÇÃO.
     Quando privilegiamos o lucro rápido e desmedido que podemos retirar da Terra em detrimento de uma saudável exploração dos seus recursos e perdemos a capacidade de nos encantarmos com o canto das aves, as cores das flores, o serpenteado de um rio, o fragor das ondas do mar, a beleza de um cristal que brilha e refulge à luz do Sol ou não somos capazes de nos deixarmos fascinar pela beleza nocturna de um céu estrelado… então, a humanidade, todos nós, desumanizamo-nos brutalmente. É então, quando perdemos esta capacidade de olhar e escutar a criação, que nos tornamos predadores vorazes e brutais destruidores da Natureza. A avidez do lucro egoísta torna-nos  insensíveis aos dons da criação e, consequentemente, seus delapidadores agressivos e destruidores. A insensibilidade face à beleza da criação sejam rochas, plantas, trovões, riachos ou animais, faz de nós “ máquinas trituradoras” do Belo, de Deus, que afastamos e ignoramos para sermos “ livremente” ainda mais demolidores desta Terra onde nos foi dado viver, porque Ele se torna incómodo nas Suas criaturas que nós não respeitamos mas de que nos tornamos meros destruidores.
   Quando cada um de nós não sente a Terra como seu habitáculo transitório e de que só somos gestores efémeros;  
   Quando cada um de nós não pensa que não é o dono da criação;
   Quando cada um de nós não ama a Terra respeitando como um palco onde somos actores transitórios;
   Quando cada um de nós não se preocupa em usar com “ conta, peso e medida” dos bens da terra que estão á nossa disposição;
   Quando cada um de nós não adora o Criador como o único autor que fez o céu e a terra e tudo o que nela existe, passando a venerar as criaturas, invertendo a hierarquia natural e espiritual …
   … Então a humanidade está trabalhar para o seu fim. É isto que nós todos queremos?

O  Presidente do Círculo Internacional Cristãos pelo Ambiente S. João Gualberto

Eng. Mário Silva


Família Ulma

  Faz hoje três anos que uma família inteira foi elevada às honras dos altares. A Família Ulma, uma centelha de luz nos anos sombrios da Seg...