sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

Akallabêth

«Felizes sois quando vos insultarem, vos perseguirem e mentindo disserem todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque a vossa recompensa é grande nos céus, pois do mesmo modo perseguiram os profetas antes de vós».  (Mt 5, 11-12)

Quando a Amazon anunciou uma série sobre a Segunda Era na Terra Média, eu fiquei naturalmente curioso. Ao fim de um episódio, ainda quis dar o benefício da dúvida; ao fim do segundo, estava francamente desapontado e ao fim do terceiro decidi parar de perder o meu tempo. Em vez disso, fui reler Tolkien: a começar pelo Silmarillion, depois a Balada de Leithian, o relato da chegada de Tuor a Gondolin, a História dos Filhos de Húrin, a lenda de Aldarion e Erendis... até que cheguei à Akallabêth. E foi aí que comecei a viajar em pensamento...

Naquele relato, encontrei muitos paralelismos com o tempo em que vivemos: os homens que endurecem o coração e se esquecem da graça que receberam, começam a murmurar uns contra os outros e a cobiçar o destino dos seus irmãos. A cisão da sociedade entre Sinodais (os homens-do-Rei) e Católicos (os Fiéis, amigos dos Elfos), na qual os primeiros começam por injuriar, depois exilar, escravizar e por fim imolar os segundos no templo de um deus falso que lhes promete a imortalidade nesta vida. Sauron é o sumo-sacerdote desse culto à Escuridão, que promete a liberdade e a supremacia aos seus seguidores. Na Rainha Tar-Míriel, vejo Francisco: consciente dos erros que permite, mas rodeado de maus conselheiros e sem força para reconduzir um rebanho ao caminho certo.

Sabemos como acaba a história? A ilha afunda-se e as ondas arrasam toda a glória construída pelas mãos desses homens, bons e maus. Tar-Míriel tenta fazer chegar um louvor ao Deus Único, mas tarde de mais. O Rei Ar-Pharazon e a sua armada incontável acabam traídos pelo seu próprio propósito: são soterrados e esquecidos num vale entre as Pélori e, privados do dom da morte (uma dádiva do Deus Único que chama os seus filhos prediletos a descansar no seu colo), aguardam o dia do julgamento, na Batalha das Batalhas. Os Fiéis, guiados por Elendil e os seus filhos, escapam em nove barcos, empurrados por um vento providencial, para um recomeço na Terra Média. O mal já não tem máscara.

 


  

Biodiversité : Action Écologie publie une étude qui contredit le catastrophisme

Biodiversité : Action Écologie publie une étude qui contredit le catastrophisme

Communiqué d’Action Ecologie :

Sous l’égide des Nations Unies, la Conférence sur la biodiversité (COP 15) va s’ouvrir à Montréal le mercredi 7 décembre. À l’image des grandes conférences sur le climat, cet évènement va être sans nul doute l’occasion pour les pouvoirs publics et les ONG de pousser un cri d’alarme. Selon eux, nous serions en train d’assister à l’agonie du vivant et à un effondrement dramatique de la biodiversité. À la veille de cette grand-messe qui s’annonce funeste, Action Écologie publie une étude exclusive qui vient remettre en cause le catastrophisme et qui dévoile l’existence de très bonnes nouvelles qu’il est aujourd’hui malhonnête de vouloir ignorer.

Cette étude, rédigée par Bertrand Alliot, environnementaliste, ancien membre du Conseil d’Administration de la LPO (Ligue pour la Protection des Oiseaux) et Christian Lévêque, Directeur de Recherche honoraire à l’IRD (Institut de Recherche pour le Développement), revient d’abord sur des fausses croyances qui ont la vie dure et qui sont pourtant propagées sans état d’âme par les ONG. Ainsi, il n’est pas vrai d’affirmer comme on l’entend souvent que :

  • « 69% des populations d’animaux sauvages vertébrés ont disparu en moins de cinquante ans » ;
  • « 80% des insectes ont disparu » ;
  • « Une espèce de mammifère sur 3 est en danger » ;
  • « 30% des oiseaux ont disparu de France ».

En se basant sur des études de spécialistes de la biodiversité et sur les mêmes données utilisées par les ONG, Action Écologie démontre qu’il s’agit là d’approximations grossières voire carrément de désinformation.

L’étude montre ensuite que la situation de la biodiversité sur un continent très urbanisé comme l’Europe est loin d’être dramatique. Bien sûr, certaines espèces voient leur population baisser, mais de nombreuses autres se portent beaucoup mieux. La situation des mammifères est particulièrement enviable : depuis des décennies, il y a un retour spectaculaire qui concerne un nombre important d’espèces au rang desquelles le castor, la loutre, le bouquetin, le chamois, le loup, le lynx et bien d’autres.  Les oiseaux ne sont pas en reste. S’il existe bien des sujets de préoccupation pour les espèces liées aux espaces agricoles, les ornithologues ont constaté ces dernières décennies une explosion des populations d’oiseaux d’eau et une augmentation importante des populations de rapaces.

Par ailleurs, au sujet des insectes, la situation semble bien plus contrastée qu’il n’y paraît. Ainsi qui sait que le nombre de colonie d’abeilles mellifères a augmenté dans le monde de 65% entre 1960 et 2013 ?

Pour toutes ces raisons, l’alarmisme n’est pas de mise. Action Écologie salue le travail effectué depuis des décennies par les amoureux de la faune sauvage, mais elle enjoint également les ONG et les pouvoirs publics à refuser d’alimenter les peurs sur un sujet sur lequel il y objectivement beaucoup de raisons d’être optimiste.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

NOSSA SENHORA DA CONCEIçÂO - PADROEIRA DE PORTUGAL E DO BRASIL - SILERE nº 15

 

                           


     

                                                TVTELARIS REGNI

                 SILERE NON POSSUM

                                          (Não me posso calar – Sto Agostinho)

“Para destruir um povo é preciso destruir as suas raízes.” ( Alexandre Soljenitsyne)

 

                  Carta aos meus amigos – nº 15

 

                      BRAGA – 8 de DEZEMBRO de 2022

 

 

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PAX

 

Caros Amigos:

 

 

 

   "Para que seja mais notória a obrigação que eu e todos meus vassalos temos de defender que a Virgem Senhora Nossa foi concebida sem pecado original, houve por bem resolver que em todas as portas e entradas das cidades, vilas e lugares de meus Reinos se ponha, em uma pedra lavrada, a inscrição de que será cópia esta carta: Encomendo-vos a façais pôr nas portas e lugares dessa cidade (ou vila) e me aviseis de como o tendes executado." ( Dom João IV, 30.VI.1654).

 

 

 

 

   Ainda hoje se podem ver estas placas que testemunham o cumprimento pelas vilas e cidades do “ Reino de Maria”, Portugal. Por exemplo, em Guimarães, na Praça da Oliveira, no edifício da antiga Câmara Municipal, está  uma lápide de granito com a gravação da vontade do Rei restaurador lembrar o voto e a ordem real .

   O Papa definiu, a 8 de Dezembro de 1854, pela Bula “ INEFFABILIS DEUS” o dogma da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria, a THEOTOKOS, na qual afirmava que Maria tinha sido concebida desde o momento inicial da Sua existência, sem pecado original.

  “D. João IV, atento a uma religiosidade que também já envolvera a construção de monumentos como o Mosteiro da Batalha, o Convento do Carmo e o Mosteiro da Conceição, coroou a Imagem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa como Rainha e Padroeira de Portugal durante as cortes de 1646.

A Universidade de Coimbra tem um papel importante em todo este processo, já que todos os seus intelectuais defenderam o dogma sob forma de juramento solene.” Esta tradição manteve-se até à proclamação da república que proibiu este juramento.

  “Após a proclamação dogmática, surgiu em Portugal um movimento no sentido de erguer um monumento nacional que assinalasse a definição de Pio IX.

  Em 1869 concluiu-se esse primeiro monumento, no Sameiro, em Braga, seguindo-se-lhe a construção dum santuário dedicado à Imaculada Conceição de Maria, cuja imagem foi coroada solenemente em 1904.” ( Agência Ecclesia) Este é o santuário mariano mais visitado , depois de Fátima, em Portugal e mereceu a visita de S. João Paulo II Magno em 1982, a 15 de Maio. Nesta visita, a homilia foi dedicada, numa vibrante convocatória, à Família para que assuma as suas funções primordiais no concernente à defesa da Vida e da educação dos filhos e que 40 anos volvidos, mantém toda a actualidade de então.

  Num momento da história humana de desconstrução mais do que demolição do entendimento do que é a Pessoa Humana, o Homem, e a Família, momento de perda generalizada da memória familiar e social, recordar, vivendo, esta grande solenidade da Imaculada Conceição impõe-se com imperativo de gratidão para com a THEOTOKOS, imaculada e sempre Virgem Maria.

   Na realidade, se politicamente Portugal já não tem um Rei, o nosso país continua a ter a sua Rainha que se mantém coroada pela coroa dos nossos reis que fizeram Portugal, malgrado as campanhas FEROZES contra a nossa acrisolada devoção e amor para com a Senhora da Conceição. Honremo-La, pois assim honramos a Tradição dos nossos antepassados que sabiam que por Ela chegamos mais facilmente a Seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo. Como seria bom que acordássemos deste torpor embriagado pelo esquecimento que nos impuseram. Sim, caros leitore-Amigos, o dia 8 de Dezembro não é um feriado qualquer de que muitos desconhecem o significado. O dia 8 de Dezembro é o dia da Padroeira celeste de Portugal. Honremo-La como nossa Mãe e Madrinha, pois que “ quando Portugal foi a baptizar” já o povo a tinha como Mãe e a teve, também, como sua Madrinha celeste!

   Não deixemos, de modo algum, “ cancelar” a nossa História pois nela está como companheira celeste da nossa viagem no tempo e no espaço a Senhora Santa Maria, a IMACULADA CONCEIÇÃO, Protectora do Reino, a “ TUTELARIS REGNI”, o Seu reino: Portugal! Ela é a nossa RAINHA e vai continuar a sê-lo.

 

“ DIGNARE ME LAUDARE TE VIRGO SACRATA.

DA MIHI VIRTUTEM CONTRA HOSTES TUOS!”

 

SILERE NON POSSUM!

 

Carlos Aguiar Gomes.

Braga, na solenidade da Imaculada Conceição de 2022  

 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

5 de DEZEMBRO - festa de S. Geraldo

 



Dia 5 de Dezembro celebra-se a festa de S. Geraldo. A Capela onde está sepultado, é ornamentada de fruta em memória do milagre que fez , em Bornes de Aguiar onde estava em visita pastoral e onde faleceu.
Além de ser o padroeiro celeste da cidade de Braga, é nesta sua capela, anexa à Catedral de Braga, que a MILITIA SANCTAE MARIAE - cavaleiros de Nossa Senhora foi erecta canoncamente em Portugal por S. Excia Reverendíssima o Senhor Dom Francisco Maria da Silva, Arcebispo e Senhor de Braga e Primaz das Espanhas, no dia 26 de Outubro de 1975.
Para assinalar esta efeméride, ontem, dia 4, o Priorado de S. Nuno ( Portugal) celebrou Vésperas solenes na igreja da Lapa ( Braga), presididas pelo Rev. Padre André Olim, Capelão de Obediência da MSM.

domingo, 4 de dezembro de 2022

MUITOS ABALARAM COM AZIA AVINAGRADA..

 


MUITOS ABALARAM COM AZIA AVINAGRADA... (cf. Jo 6, 66)


Eu sei, a afirmação em título é ousada, mas pode levar alguém, igual, a tomar o fármaco que o safe dessa coisa. Sem diagnóstico individualizado, vou medicar com um genérico, o texto desta semana. No entanto, talvez possa, também ele, provocar alguma acidez em alguns leitores, é verdade, mas não é por mal. A provocação pode ser útil e boa, pode fazer desaparecer o mal, evitando tomar Rennie ou Kompensan. Se, mesmo assim, deixar alguém com a gana de me torcer o pescoço, paciência! Mas acho que qualquer pescoço não merece o esforço de uma torcedura assim tão solene e carinhosa. Então, conversemos como amigos sem que algum se queira apresentar como exemplar. A amizade sincera fala com sinceridade, ajuda a refletir no respeito pelas diferenças, escutando e falando. Também a amizade com Jesus nos leva a propalar o que Ele disse e fez e a esclarecer porque é que o fez e disse.
Quando Jesus falava das exigências de ser seu discípulo, causou muita mossa em alguns ouvintes, acharam duro, voltaram as costas, saíram a rezingar. A partir daí, “muitos dos seus discípulos voltaram para trás e já não andavam com Ele” (Jo 6, 66). Voltar para trás nem sempre é bom! Deixar de andar com Ele muito menos! Ouvimos muitas vezes alguém dizer-se católico não praticante. Não estou a dizer que quem o diz esteja mesmo a voltar para trás ou a deixar de andar com Ele. Mas é uma espécie de ‘trunfo’ que se ripa do baralho embaralhado e se bate com estrondo sobre a mesa para que todos fiquem a saber que quem o puxa e bate é que sabe jogar no jogo da vida. Com total respeito pela liberdade e pelo à-vontade com que as pessoas usam esse ‘trunfo’ de afirmação a manifestar uma certa clarividência pessoal nunca vista, custa-me acreditar – e perdoem-me esta dúvida nada cartesiana -, custa-me acreditar que estas pessoas se sintam confortáveis nessa cama em que se deitam. É certo que, nesta matéria, não é saudável agir por obediência infantilizada ou porque alguém, sem mais, quis impingir as suas certezas. A força da minha dúvida, porém, não se me coloca aí. Coloca-se, isso sim, a nível daquela gentileza pessoal que nasce do saber que amor com amor se paga. Corresponder ao amor de Deus por cada um de nós tem as suas exigências, em liberdade para fazer o que devo, em verdade porque só a verdade nos libertará, em querer o bem e praticá-lo, mesmo que acarrete dor e sacrifícios. Quem ama sofre! Deus que nos ama, sofreu por nós na cruz, dando a vida. Mas será que, de facto, bastará o relacionamento intimista de cada um com Deus, submetendo, sem mais, a religião ao seu modo de pensar, ao seu conforto e satisfação pessoal? Eis o busílis! Desde os primórdios da humanidade que toda a cultura e civilização teve um sistema religioso, mais simples ou mais complexo, a falar desta relação do homem com o sobrenatural. Um conjunto de princípios, valores, crenças, símbolos e práticas religiosas a saber e a cumprir, aceites por um mero sentimento religioso ou pela fé mais ou menos esclarecida, dando sentido à vida e unindo quem os segue. No nosso caso, sendo embora uma religião do Livro com os seus valores e doutrina, o Cristianismo é Cristo. Toda a História da Salvação converge para Ele. Ser seu discípulo é pegar na cruz de cada dia e segui-lo, sabendo e praticando o que devemos praticar e saber. Ser cristão implica ser praticante. Isto não quer dizer que tudo o que os cristãos e Igreja Católica faz esteja a ser bem feito. Há muita coisa que depende de quem o faz e das suas circunstâncias, mesmo que haja o dever de o fazer com qualidade. Tampouco quer dizer que quem é cristão seja perfeito, saiba tudo, não tenha dúvidas, só tenha de ensinar e nada tenha a aprender. Pelo contrário, o cristão tem consciência da sua fragilidade. A prática religiosa, porém, ajuda-o a crescer, a esclarecer dúvidas, a buscar a perfeição, a obter maior conhecimento de Deus e da sua Igreja, a ir corrigindo o que está mal, a agir na caridade, com humildade, em comunhão, colaborando com os outros. Dizer-se ‘católico não praticante’ pode significar que a pessoa, embora simpatize com o cristianismo, ainda está num processo dinâmico de conversão, sim, pode significar isso. Mas também pode dizer que a pessoa se fechou em si, criou as suas próprias verdades de acordo com o seu estilo de vida, talvez cómodo, talvez light, talvez descafeinado, transformando o absoluto em relativo e esquecendo a religião na qual Deus se revela, endeusando-se e glorificando-se a si próprio.
Dentre muitos exemplos possíveis, repetimos o mais comum: imaginem que um futebolista de gabarito foi selecionado para fazer parte da equipa dum jogo a disputar. Aceita o desafio, veste o equipamento, entra para o relvado e perfila-se na fotografia da praxe. O árbitro dá o apito inicial, e, agora, o dito cujo, senta-se ao lado do retângulo decidindo que hoje vai ser um jogador não praticante! Para além do mal exemplo, do ridículo que seria e da falta de solidariedade com os colegas de equipa, estamos a adivinhar que, da parte dos aficionados, logo saltariam montanhas de insultos, gritos, vosearia e bem sabemos mais o quê...
Uma equipa é um todo, um corpo treinado por alguém e onde cada um que se prese não deve fazer o que entende nem esquecer o todo da equipa. Tem de haver ‘obediência’, uma espécie de amor filial ao treinador, solidariedade no grupo e com a estrutura. Todos, com alegria e entusiasmo, devem sentir-se no dever de dar o seu melhor para que o jogo tenha arte e beleza e se atinja o resultado desejado. A Igreja é um corpo, nela cada um tem uma função a desempenhar para que ela seja bela e sempre jovem, atingindo os fins para que existe. Todos são selecionados, todos jogam, não há suplentes, todos são importantes. A Igreja existe para evangelizar! A evangelização faz-se pela palavra e pelo testemunho, pela alegria e coerência com que se vive e fala. Só assim se poderá gerar aquela empatia que convida, provoca, interpela, evangeliza e converte. Não se harmoniza com espiritualidades privadas, subjetivas, ao sabor dos gostos e consumos pessoais, relativizando a ‘tradição’ e a própria instituição, peneirando o Evangelho para selecionar apenas o que não faz mexer a pessoa da sua zona de conforto. Deus não é uma espécie de bombeiro a cuja porta só se bate quando a casa está a arder ou a vida corre mal. Em princípio, ser cristão é ser praticante, não por obrigação ou porque a lei manda, isso seria muito pobre. Mas por exigência interior e pela necessidade de o testemunhar a quem amamos, a começar por casa. O cristão não vai à Igreja como quem vai ao mercado quando precisa de algo. A Igreja não é qualquer coisa que está fora dele. Ele é Igreja, celebra como Igreja e com a Igreja. A evangelização precisa do entusiasmo, da colaboração e das achegas de todos em ordem à coerência e à perfeição de todos. O Senhor não se acomodou, não desistiu em momentos de prova, não desceu da cruz para agradar a quem o desafiava, amou-nos até ao fim, confiou em nós, enviou-nos em seu nome, como amigos. Amor com amor se paga.
+ Antonino Dias
Bispo de Portalegre-Castelo Branco, 02-12-2022.

sábado, 3 de dezembro de 2022

"Se houvesse quem os instruísse na fé, tenho por certo que seriam bons cristãos."

 Das cartas de São Francisco Xavier, presbítero, a Santo Inácio

(Cartas de 20 de Out. de 1542 e 15 de Janeiro de 1544) 


                                         Anunciar o Evangelho

   Viemos por povoações de cristãos, que se converteram há uns oito anos. Nestes sítios não vivem portugueses, por a terra ser muitíssimo estéril e extremamente pobre. Os cristãos destes lugares, por não terem quem os instrua na nossa fé, somente sabem dizer que são cristãos. Não têm quem lhes diga Missa e, ainda menos, quem lhes ensine o Credo, o Pai--Nosso, a Ave-Maria e os Mandamentos. Quando eu chegava a estas povoações, baptizava todas as crianças por baptizar. Desta forma, baptizei uma grande multidão de meninos que não sabiam distinguir a mão direita da esquerda. Ao entrar nos povoados, as crianças não me deixavam rezar o Ofício divino, nem comer, nem dormir, e só queriam que lhes ensinasse algumas orações. Comecei então a saber por que é deles o reino dos Céus. Como seria ímpio negar-me a pedido tão santo, comecei pela confissão do Pai, do Filho e do Espírito Santo, pelo Credo, Pai-nosso, Ave-Maria, e assim os fui ensinando. Descobri neles grande inteligência. Se houvesse quem os instruísse na fé, tenho por certo que seriam bons cristãos.
   Muitos deixam de se fazer cristãos nestas terras, por não haver quem se ocupe de tão santas obras. Muitas vezes me vem ao pensamento ir aos colégios da Europa, levantando a voz como homem que perdeu o juízo e, principalmente, à Universidade de Paris, falando na Sorbona aos que têm mais letras que vontade para se disporem a frutificar com elas. Quantas almas deixam de ir à glória e vão ao inferno por negligência deles! E, se assim como vão estudando as letras, estudassem a conta que Deus Nosso Senhor lhes pedirá delas e do talento que lhes deu, muitos se moveriam a procurar, por meio dos Exercícios Espirituais, conhecer e sentir dentro de suas almas a vontade divina, conformando-se mais com ela do que com suas próprias afeições, dizendo: «Senhor, eis-me aqui; que quereis que eu faça? Mandai-me para onde quiserdes; e se for preciso, até mesmo para a Índia».

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

SILERE NON POSSUM nº14

 

  




    SILERE NON POSSUM

                        (Não me posso calar – Sto Agostinho)

“Para destruir um povo é preciso destruir as suas raízes.” ( Alexandre Soljenitsyne)

 

 

                Carta aos meus amigos – nº 14

 

                      BRAGA – 1 de DEZEMBRO de 2022

 

 

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PAX

 

Caros Amigos:

   Antes de tudo, quero agradecer os inúmeros testemunhos tão simpáticos e animadores  que me têm sido enviados por Amigos a propósito destas minhas despretensiosas Cartas semanais . Estas partilham com os leitores-Amigos algumas das  minhas inquietações face a uma sociedade que se vê dia-a-dia apodrecer perante o silêncio cúmplice da maioria dos meus concidadãos, com honrosas mas raras excepções.

  Assistimos no chamado Ocidente e muito particularmente na Europa a uma sistemática e contínua lavagem ao cérebro de todos nós manipulando palavras, esvaziando-as do seu autêntico sentido, criando o que Georges Orwell chamou de novilíngua e/ou divulgando massivamente conceitos societais artificiais e completamente deslocados da nossa cultura e, verdadeiros atropelos à Ciência, livre e independente das elucubrações ideológicas que invadiram políticos, docentes, comunicadores sociais, etc.

  Nesta Carta queria comentar convosco uma notícia que deixou absolutamente atónito. E que tomei conhecimento pelo jonal ABC ( Espanha).,(edição digital de  26.XI.22, às 10h17m)

« O Governo de Espanha vai aprovar um projecto-lei que definirá 16 ( DEZASSEIS!) modelos de famílias», segundo revelou em exclusivo àquele diário espanhol, a Ministra Dos “Direitos Sociais e Agenda 2030”, Ione Belarra. Que modelos esta esclarecida Ministra vai impor a todos os espanhóis e que muito brevemente cá vai chegar:

1.        “ Transnacional”, quando algum dos seus elementos vive fora do território nacional;

2.       “ Intercultural”, quando os seus elementos procedem de ambientes ou etnias diferentes;

3.       “ Biparental”,composta por duas pessoas unidas ou que já o estiveram, por vínculo matrimonial ou como par e em união de facto e seus descendentes comuns ou não;

4.       “ Reconstituída”, quando um ou ambos do par  têm filhas ou filhos de uniões anteriores;

5.       “ Retornada” , quando um dos seus elementos de cidadania espanhola durante o primeiro ano depois do seu regresso a Espanha, tendo residido pelo menos um ano no exterior;

6.       “ Jovem”, formada por uma pessoa menor de 29 anos e seus descendentes ou por duas pessoas menores de 29 anos unidas por vínculo matrimonial ou união de facto e seus descendentes;

7.       “ Monomarental” ou “ Monoparental” por uma só pessoa progenitora, mulher ou homem;

8.       “ LGBT homoparental” e “ homomarental”, composta por pelo menos, uma pessoa pertencente a algum dos colectivos LGBTI ( pessoas lésbicas, gays, trans, bissexuais, intersexuais ou pertencentes a outras minorias sexuais ou de género) ou duas pessoas do mesmo sexo ou género unidas por vínculo matrimonial ou em união de facto;

9.       “ Imigrante”; grupo familiar em que todos ou alguns dos seus integrantes se estabeleceram em território nacional procedentes de outro país.

10.   ETC!...

  Ufa! Já estava cansado e baralhado com o produto da imaginação da citada Ministra espanhola!

   Que posso concluir desta proposta orwelliana sobre a família? Trata-se da “ descontrução” total do conceito que chegou até hoje sobre a Família. O que essa criatura do Governo espanhol e seus sequazes  pretende é apagar o conceito vigente e natural de Família.

  Destruir tudo o que nos associe a uma família composta por Homem, Mulher, descendentes e ascendentes e colaterais (estes foram apagados) da “ construção social” de sua excelência sem excelência nenhuma!

   Até o meu computador me assinala erro em palavras da novilíngua, como monomarental!

   Ah! Este projecto vai ser obrigatório em todas as escolas de Espanha onde deverá constar do perfil escolar para todos os alunos, alunas e alunes! Todos devem seguir o “ catálogo” desta ministra (como esta palavra, neste contexto, se confunde com sinistra). Toda a administração pública tem de seguir esta linguagem e os próprios pais não podem opor-se a que os seus filhos, filhas e filhes recebam esta formação! Aliá impõe-se que toda a documentação destinada aos alunos terá de seguir este “ vademecum”. Inacreditável mas verdadeiro! O Estado Espanhol, aliás como outros ditos democracias que se aprontam, perante políticos e pais calados como ratos, para fazerem “ copy past” desta “ luminosa ideia” que nos chega de Espanha.

   Já está implantada na linguagem de muitos dos meus concidadãos a arquitectura linguística da chamada “ Teoria do Género”. Desconstrói-se a Pessoa Humana, criando dezenas, sempre  a aumentar , de géneros, abolindo a gonocoricidade do espécie humana – Homo sapiens -  tal como ela é definida pela Biologia e não pela dita  “ Engenharia social” que impõe pelo terrorismo do pensamento woke uma visão errónea da nossa corporeidade bio- psico -  social.  Agora vai-se à Família, alicerce de toda a civilização!

   Tomo a liberdade de lembrar aos meus pacientes leitores-Amigos que, sem dúvida, que hoje e sempre, o combate político foi e é indubitavelmente e prioritariamente um combate cultural. Olhemos com alguma atenção, por exemplo, o campo da publicidade, da música ( sobretudo ligeira), da poesia, do teor de artigos dos articulista “ fazedores de opinião” em grandes meios de comunicação, dos entorses provocados na nossa língua ou do cinema e teatro e até da moda. Estes são campos preferenciais para directa ou subliminarmente criar uma nova cultura propicia à ditadura woke, política pois.

  Para terminar esta Carta, chega denunciar este ataque feroz e tresloucado contra a Família?

   Não, de todo. Temos a obrigação de denunciar e contestar, com lógica, esta barbaridade civilizacional. Impõe-se uma vigilância activamente actuante.

  

    SILERE NON POSSUM!

 

Carlos Aguiar Gomes

 

Família Ulma

  Faz hoje três anos que uma família inteira foi elevada às honras dos altares. A Família Ulma, uma centelha de luz nos anos sombrios da Seg...