quinta-feira, 12 de outubro de 2023

SILERE 59

 

     SILERE NON POSSUM

         (Não me posso calar – Sto Agostinho)

             “Para destruir um povo é preciso destruir as suas raízes.” (Alexandre Soljenitsyne)

 

                    

 

 

                   Carta aos meus amigos – nº 59         

                             

                             BRAGA , 12 -  OUTUBRO - 2023

 

 

  +

PAX

 

«Nos últimos anos, não têm faltado pessoas que procuraram minimizar esta observação. (de que não há alterações climáticas). Citam dados supostamente científicos, como o facto de que o planeta sempre teve e continuará a ter períodos de arrefecimento e aquecimento.» ( Papa Francisco, in Laudate Deum, nº 6)

 

 

CLIMATOLOGIA – é uma Ciência. Não é uma ideologia.

ECOLOGIA – é uma Ciência. Não é uma ideologia.

GEOLOGIA – é uma Ciência. Não é uma ideologia.

PALEONTOLOGIA – é uma Ciência. Não uma ideologia.

 

Peço a maior paciência aos meus Amigos-leitores de observarem, com a maior atenção este gráfico, sobre a evolução da temperatura na Terra desde há 800 000 anos. É Ciência e não ideologia. Este gráfico resulta de observações científicas e não de “ palpites” ideológicos. São dados, factos e não suposições, obtidos por Geólogos, Climatologistas, Geofísicos e outros cientistas universitários.

Os meus Amigos-leitores já viram este gráfico numa das minhas anteriores Cartas e , peço desculpa de insistir em republicá-lo, mas impõe-se que o faça para que a verdade científica não seja maltratada. Gostaria de lhes mostrar outro gráfico, científico e não especulativo ou catastrofista:

Faço o mesmo pedido aos meus Amigos – leitores: Por favor demorem um bocadinho (não precisam de muitos minutos!) a ler este gráfico, sobre a “ ciclicidade” das extinções das espécies. Note, caro Amigo que não havia homens sobre a Terra, nem, consequente e logicamente, eram extinções antrópicas. São dados da Paleontologia, que é uma Ciência e não uma ideologia; da Geologia que também não é ideologia, mas Ciência.

Partilho com os  Amigos-leitores uma particularidade minha: colecciono fósseis e rochas há muitos anos e a maioria esmagadora deles, foram recolhidos por mim. Cito alguns exemplos:

1         Tenho ARENITOS ou Grés de Silves, recolhidos há poucos anos em Silves ( Algarve). A Geologia, a Petrologia e a Climatologia garantem-me (nos) que foram formados em clima seco, quente e desértico. Como sabe caríssimo Amigo-leitor, o Algarve é território do sul do país que não é desértico quente e seco.

2         Possuo, igualmente, Calcários coralígenos (formados pela acumulação de corais), de Pataias (região de Alcobaça). A Geologia, a Paleontologia, a Ecologia e a Zoologia que são Ciências e não ideologia, garantem-nos que aqueles calcários foram formadas em águas pouco profundas, límpidas , quentes e pouco energéticas. Perto de Alcobaça, há já bastante séculos, que não águas com estas características. Estamos, em termos de geolocalização, mais ou menos no centro de Portugal.

3         Na minha colecção, tenho uns quantos exemplares, belíssimos, de Trilobites, dos fósseis mais antigos que possuo. Pelo seu tamanho, cerca de 30/40 cm, são bastante raros. Recolhi-os em Canelas ( Arouca). A Paleontologia, que é uma Ciência e não ideologia, garante que estes animais, altamente diferenciados, viveram em mares profundos e pouco energéticos tendo-se extinguido há cerca de 250 milhões de anos. Ainda não havia homens na Terra. Hoje, os seus fósseis, estão a várias centenas de metros de altitude, no cimo de uma serra. Estamos já a Norte de Portugal, na margem Sul do rio Douro.

4         Não muito longe de Arouca, recolhi vários exemplares de “ Pteridófitas”, semelhantes a actuais fetos. Belíssimos fósseis que encontrei perto de Valongo. Diz-nos a Paleontologia, que é uma Ciência e não uma ideologia, que estas plantas primitivas viveram em pântanos de clima tropical quente e muito húmido. Não é esse o clima de hoje da região de Valongo nem de Portugal. E ainda faltavam muitos milhões de anos para que o Homem surgisse na Terra (o “ facínora” só teria aparecido há cerca de 2 milhões de anos!) e imagine o Amigo-leitor, que já havia Alterações climáticas!

5         Para não aborrecer mais os meus Amigos-leitores, gostaria de lhes dizer que também tenho fósseis de Graptólitos (extintos há mais 400 milhões de anos). Ainda não havia homens na Terra mas havia alterações climáticas profundas!

Em 2019 foi criada por cientistas, entre um prémio Nobel (Prof. Emérito de Geofísica, Guus Berkhout) e um jornalista científico ( Marcel Crok) a Fundação CLINTEL. Seguidamente publicaram um Manifesto assinado por cerca de 1800 cientistas, não ideólogos, de todo o mundo e peritos em Ciências ( Geólogos, Paleontólogos, Geofísicos, Físicos, Geomorfologista, Climatologistas, Biólogos, etc) e não ideólogos manipuladores ou agitadores imberbes que “ avacalham” tudo, partem e danificam pessoas e monumentos. O que defendem? Em resumo:

1.       « A Ciência do Clima deveria ser menos política

2.       as políticas climáticas deveriam ser mais científicas….».

Como geólogo, não embarco em Ciência ideologizada.

Ah! Ia esquecendo de referir, ou melhor, recordar, que mais do que os indígenas cujos ídolos tão cruéis ( como a Kachina ogre) são tão venerados actualmente, o papel inexcedível que, quanto à protecção da Natureza, devo relevar o papel que tiveram , desde o século VI, os monges beneditinos, com S. João Gualberto à cabeça!

Concluindo: desde que à vida na Terra, que há alterações climáticas profundas, inversões magnéticas, extinções massivas de espécies e outros fenómenos geológicos, biológicos ou climáticos. Recordo, aos meus Amigos-leitores, por exemplo, o Vale do Zêzere, em U, uma das várias glaciações que atingiram a Terra ( neste caso a última, a de Wurm) e onde não houve a acção antrópica!

Obviamente que não me posso calar! Nem devo.

SILERE NON POSSUM

Carlos Aguiar Gomes   

P.S.

 

Como sei que há leitores interessados no tema, deixo aqui  referências que li recentemente sobre a manipulação ideológica vigente:

1.       “ There is no Climate Emergency” – Manifesto – Global Climate Intelligence Group – 2019

2.       “ Les écolos nous mentent!” – Jean de Kervasdoué – Ed Albin Michel- Paris – 2021

3.       «  Climat, la part d`incertitude » - Steven E. Koonin ( tradução do inglês ( USA),o autor foi assessor de Barak Obama)- Ed. L´Artilleur – Paris – 2021

4.       “ Identificar, Debatir y Vencer al Idiota” – Ed Parresía – Buenos Aires - 2023-10-11

5.       “ Wokisme” – Anne Toulouse – Ed. Rocher – Monaco- 2022

6.        «  Manual del Bueno Ciudadano – Para Compreender y resistir a la Cultura de la Cancelatión” – Jorge Soley – Ed. AcdP – Madrid – 2022

 

quinta-feira, 5 de outubro de 2023

"As necessidades são gigantescas" diz Arcebispo de Juba sobre o apoio aos que fogem da guerra no Sudão

 "As necessidades são gigantescas" diz Arcebispo de Juba sobre o apoio aos que fogem da guerra no Sudão

https://fundacao-ais.pt/wp-content/uploads/2023/10/noticia-2.jpg“As necessidades são gigantescas” diz Arcebispo de Juba sobre o apoio aos que fogem da guerra no Sudão

 

  • Lisboa, 04 de Outubro de 2023 | PA

 

A guerra no Sudão está a gerar uma grave crise humanitária em África. Milhares de pessoas estão em fuga e procuram acolhimento em países da região. Um deles é o Sudão do Sul. Em entrevista à Agência Ecclesia/Fundação AIS, D. Stephen Ameyu, responsável pela arquidiocese de Juba e desde sábado, 30 de Setembro, um dos novos 21 cardeais da Igreja Católica, fala em milhares de pessoas que estão sem nada, e garante ainda que no Sudão, por causa da guerra, nem as Igrejas têm sido poupadas. “Todas as igrejas em Cartum sofreram danos, todas as paróquias…”

 

O conflito armado no Sudão arrisca-se a ser mais uma guerra esquecida em África apesar das consequências dramáticas a nível humanitário que se estão a verificar na região, com milhares de pessoas a procurarem refúgio nos países vizinhos, fugindo dos combates muito acesos desde 15 de Abril entre o exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido (RSF), um grupo paramilitar.

D. Syephen Ameyu Mulla, 59 anos, Arcebispo de Juba, e desde sábado, 30 de Setembro, Cardeal da Igreja Católica, diz que o seu país, o Sudão do Sul, se tornou por estes dias um porto de abrigo para estes refugiados, mas alerta, em declarações à Agência Ecclesia/Fundação AIS , que “as necessidades são gigantescas” e que é urgente o apoio de organizações internacionais.

 

O prelado pede que estas organizações “venham em ajuda destas pessoas deslocadas, que não têm comida, não têm água, não têm tendas nem as coisas básicas. Deixaram tudo para trás, fugindo pelas suas vidas”.  Muitos destes refugiados estão em Juba, onde “estão a ser instalados campos”, esclarece o Cardeal. A fuga das populações é generalizada.

 

“Mesmo alguns sul-sudaneses que tinham permanecido no Norte estão a voltar ao Sudão do Sul, para encontrar refúgio. Estão a partilhar a vida, juntamente com os seus irmãos no Sudão do Sul, não fazemos diferença entre quem é do Norte e do Sul, deixamos as pessoas entrar, o governo do Sudão do Sul também tem cooperado, desde o início, afirmando que todas as pessoas devem ser acolhidas, abrindo as fronteiras.”, afirma D. Syephen Ameyu Mulla.

 

https://fundacao-ais.pt/wp-content/uploads/2023/10/banner-1.jpg

 

A GUERRA COMO GRANDE AMEAÇA

 

O Arcebispo fala do risco enorme para a estabilidade regional e para as populações, caso o conflito armado no Sudão ultrapasse as fronteiras e venha a alastrar para os países da região. D. Stephen diz mesmo, em jeito de alerta, que “a guerra é contagiosa”. “Esperamos que se possa conter esta guerra, dentro do Sudão, porque se o conflito se espalhar para o nosso país, vai haver um segundo deslocamento interno de pessoas”. 

 

Por isso, os organismos regionais e a União Africana estão a dar o seu melhor para que as duas partes entrem em negociações e assinem a paz. Actualmente o conflito no Sudão – uma dramática luta pelo poder entre dois generais, Abdel Fattah al-Burhan, o actual presidente, que tem o exército sob as suas ordens, e Mohammed Hamdan Daglo, o então vice-presidente, também conhecido por Hemedti, e que controla a RSF, as Forças de Apoio Rápido – está circunscrito na região da capital, Cartum, onde se têm travado violentos combates que não têm poupado sequer as estruturas da Igreja. 

 

“Muitas das nossas igrejas foram bombardeadas, todas as igrejas em Cartum sofreram danos, todas as paróquias”, disse o responsável da Arquidiocese de Juba nestas declarações à Agência Ecclesia/Fundação AIS. O Sudão do Sul está a ser um dos países que mais refugiados tem recebido, mas não é o único.

 

O mesmo se passa, por exemplo, com a Etiópia, o Egipto, a República Centro-Africana e o Chade. Em todos estes países o cenário é idêntico: “As pessoas deslocadas têm muitas necessidades”, explica o prelado. Além do fluxo de refugiados, há ainda o temor de que a guerra possa alastrar também para estes países vizinhos do Sudão, nomeadamente o próprio Sudão do Sul. “Quem sabe? – diz D. Stephen Ameyu. “A guerra pode alastrar para o Chade, para outros países, mas rezo e espero que as pessoas tenham bom senso e se sentem para negociar a paz”, acrescenta.

 

ECOS DA VISITA DO PAPA

 

Para o jovem Cardeal, a visita do Santo Padre ao Sudão do Sul, entre os dias 3 a 5 de Fevereiro deste ano, foi um marco não só na vida da Igreja mas no próprio país. “Foi um abrir de olhos para que a comunidade internacional conhecesse o que estava a acontecer dentro do Sudão do Sul. Não se pode saber as coisas de fora, aprendemos desde dentro. Por isso, foi uma abertura, da nossa parte, para todo o mundo, permitindo que este compreendesse que o Sudão do Sul já é uma nação, também capaz de receber o Santo Padre”, afirmou. Para D. Stephen Ameyu Mulla, a visita foi também um marco por ter decorrido num ambiente absolutamente pacífico, sem violência.

 

“As pessoas pensaram que haveria confrontos, durante a visita, mas não, foi muito pacífico. Agradeço a todos os que estiveram envolvidos e também ao Santo Padre, por ter insistido em ir ao Sudão do Sul”, disse, acrescentando que o facto de Francisco ter sido acompanhado por dois outros líderes religiosos, o arcebispo Justin Welby e pastor Iain Greenshields, permitiu também cimentar as relações entre as três Igrejas, a católica, anglicana e presbiteriana. “A nossa relação com as várias denominações sempre foi muito boa, por isso a visita do Santo Padre cimentou essas relações.”

 

Boas relações que são sempre importantes, ou mesmo fundamentais, quando se fala em paz, em negociações, processo que está a decorrer em Roma com a comunidade de Santo Egídio. A construção da paz é quase sempre um caminho difícil e implica muitas vezes o diálogo inter-religioso. Mas, para o novo cardeal da Igreja Católica, não há alternativa quando se tem de lidar com grupos fundamentalistas, com organizações terroristas.

 

“O diálogo entre religiões sempre ajudou as pessoas a encontrar-se, a ver as coisas que temos em comum e que podemos partilhar, o que nos pode unir. O papel do diálogo inter-religioso no Sudão e no Sudão do Sul é muito importante, ainda hoje, porque persistem grupos fundamentalistas, em particular no Sudão, que não estão dispostos a ceder facilmente, por pensarem que a guerra é a forma de resolver os problemas”, alertou.

 

 

Departamento de Informação da Fundação AIS | ACN Portugal

 

Rua Professor Orlando Ribeiro, 5 D

1600-796 Lisboa | PORTUGAL

TEL (+351) 217 544 000  | TLM (+351) 912 154 168

info@fundacao-ais.pt | www.fundacao-ais.pt

SILERE 58

 

« Europa – o que é isso afinal? ( …). A Europa não é nenhum continente geograficamente evidente, mas trata-se de um conceito cultural e histórico.» ( Cardeal Ratzinger, Porto,5.III.2001)      

 

 

      SILERE NON POSSUM

            (Não me posso calar – Sto Agostinho)

             “Para destruir um povo é preciso destruir as suas raízes.” (Alexandre Soljenitsyne)

 

                    

 

 

 

                    Carta aos meus amigos – nº 58         

                             

                             BRAGA , 5 -  OUTUBRO - 2023

 

 

 

 +

PAX

 

   A frase que dá o mote a esta minha Carta, do então Cardeal Joseph Ratzinger, é o início da magnífica conferência, verdadeira aula magistral – que proferiu na UCP – Porto, em 5 de Março de 2001 e em que discorreu sobre o nosso decadente continente

   Sim, a Europa , com rigor geográfico, tem limites muito “ dilatados” e “ sombreados”. É difícil limitá-la o que já foi feito. Dou um exemplo: as Canárias já deveriam ser África ou, se se quiser, as nossas ilhas atlânticas Flores e Corvo estão assentes na Placa Tectónica americana! Resta-nos a Cultura e a História como disse Joseph Ratzinger para encontrarmos uma identidade próxima que , apesar de tudo, se diferencia muito nas várias realidades espirituais e antropológicas. Há, evidentemente , características idênticas, hoje verdadeiramente alarmantes:

1.      Uma taxa de natalidade assustadoramente baixa e que impede a substituição de gerações;

2.      Um envelhecimento galopante  de todos os povos europeus;

3.      Uma aceleradíssima quebra da implantação do cristianismo outrora presente massivamente em todos os países. Na Suécia, por exemplo, outrora Luterana ( quem nascesse neste país era automaticamente luterano em vigor até 1995) tem hoje a prática dominical reduzida a 1% da população ou o Reino Unido que recentemente já foi classificado como um país não cristão, apesar do seu Chefe de Estado, o Rei, ser o Chefe da Igreja Anglicana desde Henrique VIII;

4.      Abandono dos templos cristãos, de todas as tradições, vendidos para mesquitas ou outros fins como supermercados se não demolidos;

5.      Um aumento frenético da presença muçulmana: praticantes em número galopante, presença de inúmeras e enormes mesquitas , aplicação da Sharia sem peias e contrariando a legislação dos diversos países ou de mercados “ halal” por todo o lado;

6.      Implantação de uma cultura da morte apoiada e incentivada pelos poderes políticos: Aborto livre e gratuito, incluindo o aborto genético copiando a Ideologia Nazi; generalização de leis pró-eutanásia ou a “ comercialização” mais ou menos livre, mas tolerada, do mercado da Procriação Humana ;

7.      Aumento da intolerância persecutória para com os cidadãos que não defendam e usem a Ideologia do Género e o Wokismo, fazendo lembrar os tempos da Inquisição ou do Nazismo e Comunismo;

8.       Apagamento forçado da memória de cada Nação com vista a uma sociedade Global regida pela Agenda 2030;

9.       Promoção da Ecologia não como uma Ciência mas como Ideologia imposta pelos políticos e media;

10.  Aumento do fanatismo , tipo religioso, da Ecologia;

11.  Indiferentismo religioso e declínio brutal do número dos cristãos ( todas as tradições) e da sua influência na sociedade;

12.  Implantação despudorada do medo entre as populações europeias quanto às “ Alterações Climáticas” ignorando, quase sempre, os conhecimentos científicos da Geologia ou da Geografia Física.

Poderia aumentar esta minha lista, que fica em aberto, para desabafar com os meus Amigos-leitores, quanto à decomposição acelerada da Europa e que se está a apagar em colapso cultural e espiritual, fazendo tudo para apagar as suas raízes, o que fizeram do nosso continente um espaço cultural e história com alguns atributos comuns. E estou preocupado. Muito.

   «  Europa – o que é isso afinal ? » como disse o grande Ratzinger, no Porto, há já quase um quarto de século . Nos 10 pontos que referi acima, estão os pontos comuns à  Europa actual e que a descaraterizaram e lhe roubaram a sua identidade.

Que podemos, posso, fazer? Pelo menos não me calar !

 

SILERE NON POSSUM !

Carlos Aguiar Gomes

 

P.S.

 

 (L’effet Streisand désigne un phénomène médiatique involontaire. Il se produit lorsqu’en voulant empêcher la divulgation d’une information que certains aimeraient cacher, le résultat inverse survient, à savoir que le fait caché devient notoire.)

Um leitor, sacerdote, insurgiu-se contra a minha última Carta por analisar a realidade e incongruência sobre a Tradição e Depósito da Fé, de alguns sectores da Igreja neste tempo de grandes e abertas fracturas. Sentiu esse leitor, que eu estaria a contestar o Papa actual e que, por isso, estava a prestar um mau serviço à Igreja. Pergunto, e se fosse isso, quem me poderá impedir se aprendi com estes defensores encarniçados de Francisco os mesmos que a desobedecem ( desobedeceram) ou atacaram ou continuam a atacar Paulo VI quando, por exemplo, publicou a Encíclica HUMANAE VITAE ou a FAMILIARIS CONSORTIO de S. João Paulo II ou todo o papado de Bento XVI com um ódio (repito: ódio) inimaginável (nunca imaginei que tantos sectores da Igreja , Cardeais, Bispos, Religiosos e Leigos, se levantassem despudoradamente contra os ensinamentos de Bento XVI, desrespeitando tudo o que Ele escrevia ou pedia! Lembro-me de uma conferência que fiz sobre S. Bento na qual citava uma frase sobre este Padroeiro da Europa do Papa e de no final, um Padre ter vindo felicitar-me, assim considerava ele,  pela elevada qualidade da minha conferência e lamentar profundamente que tenha citado Bento XVI, numa curtíssima frase!). Criticar o Papa, se é que o fiz, não é um direito que me assiste no campo da minha Liberdade de expressão com cidadão e como católico , apostólico - romano sem pôr em causa o depósito da Fé? Rezo pelo Papa, assim aprendi desde criança com minha Mãe, independentemente de quem é o Sucessor de Pedro. Aprendi, pela vida fora, a respeitar o Papa e aprendi que tenho a obrigação de lhe obedecer e apoiar quando fala “ ex-cathedra” o que tenho feito sempre. Por favor, sejamos justos no tratamento da liberdade e respeitemos os outros quando não leem pela mesma “ cartilha”. Como defendo que não há católicos de primeira ( a não ser os santos?) e católicos de segunda, os que não pensam como eu, assim continuarei. E se achar que este Papa nem sempre usa linguagem límpida e sem ambiguidades ou se preferir falar de uma tal “ conversão ecológica” , ninguém me poderá impedir de achar que não posso concordar e exprimir o meu pensamento, respeitando, porém , quem não pensa assim. E quando digo Papa, aplico o mesmo raciocínio a outros servidores do Evangelho sejam Cardeais ou simples Leigos! Fui claro?

Carlos Aguiar Gomes

domingo, 1 de outubro de 2023

Seminaristas vítimas de dramático sequestro na Nigéria vencem prémio 'Liberdade Religiosa'

 Seminaristas vítimas de dramático sequestro na Nigéria vencem prémio 'Liberdade Religiosa' 




https://fundacao-ais.pt/wp-content/uploads/2023/09/noticia-wp-2.jpg
ESPANHA:

Seminaristas vítimas de dramático sequestro na Nigéria vencem prémio ‘Liberdade Religiosa’

 

  • Lisboa, 27 de Setembro de 2023 | PA

 

A Fundação AIS em Espanha vai atribuir o prémio Liberdade Religiosa 2023 aos dois seminaristas nigerianos que sobreviveram a um dramático sequestro em Kaduna no início do ano de 2020. Um sequestro que terminaria de forma dramática com o assassinato de Michael Nnadi, o mais jovem do grupo, com apenas 18 anos de idade.

 

Stephen Amos e Pius Tabat vão receber a 5 de Outubro, em Madrid, o prémio Liberdade Religiosa instituído pelo secretariado local da Fundação AIS. Ambos foram raptados, juntamente com Michael Nnadi e mais um companheiro, no seminário do Bom Pastor, na Diocese de Kaduna, a 8 de Janeiro de 2020.

 

O estado de saúde débil desse quarto companheiro, Peter Umenukor, valeu-lhe a libertação precoce. Mas Amos, Tabat e Nnadi ficariam reféns dos sequestradores, tendo passado por momentos muito duros, sendo chicoteados quando os obrigavam a telefonar para as famílias pagarem o resgate. Foram dias terríveis que acabariam de foram dramática para Michael Nnadi, que seria assassinado a tiro pelo líder do gangue.

 

Quase quatro anos depois, Kanwai Pius Tabat e Stephen Amos vão ser homenageados em Espanha num evento que procura ser também um alerta para a situação de falta de liberdade religiosa em muitos países do mundo.

 

CAMPANHA DE ALERTA

 

De facto, a liberdade de culto, considerada como um direito fundamental do ser humano, não existe ou está em risco em cerca de um terço de todos os países do mundo.

Esta situação afecta sobremaneira a comunidade cristã, que é a mais perseguida. Calcula-se que mais de 570 milhões de cristãos vivem em países onde a liberdade religiosa é violada. No entanto, apesar da grandeza destes números, a verdade é que a sociedade parece ignorar esta realidade.

 

Perante isto, o secretariado espanhol da Fundação AIS lançou uma campanha, “Tens o direito de Acreditar”, em que se procura sensibilizar a opinião pública para a necessidade de se ter presente a importância da defesa da liberdade religiosa. “Temos o direito de acreditar em Deus em liberdade, sem imposições, sem discriminação, sem perseguições, mas mais de metade da população mundial sofre ataques injustos à sua liberdade religiosa”, disse Raquel Martín, directora de comunicação do secretariado espanhol da Fundação AIS na apresentação desta campanha na passada segunda-feira, dia 25.

 

https://fundacao-ais.pt/wp-content/uploads/2023/09/Evento-ILR-2023-800x573-1.jpg

DIREITO INEGOCIÁVEL

 

No evento participou também um sacerdote oriundo da Índia, precisamente um dos países onde a comunidade cristã mais tem sido perseguida, e um responsável pelo departamento jurídico da Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia. 

 

Este responsável, José Luis Bazán, defendeu que a liberdade religiosa “é um direito inegociável, porque é a base das sociedades livres”, e é sobre este direito que se “cria um espaço de liberdade social para todos”. “Esta não é uma liberdade abstrata, mas um direito que deve ser aplicado e respeitado em todos os níveis e áreas, na educação, trabalho, no mundo laboral e na saúde”, acrescentou.

 

Por sua vez, o Padre Sebastián Jacob, oriundo da região de Kerala, na Índia, explicou que a comunidade cristã no seu país vive tempos muito duros de perseguição, “apesar de a Constituição proteger o direito de professar a própria fé”. O sacerdote recordou alguns dos ataques que os cristãos sofreram nos últimos anos e alertou para o facto de, apenas do primeiro semestre deste ano, já terem sido relatados “mais de 400 casos de perseguição em 23 dos 28 estados da Índia”. Isto explica, disse ainda, a razão pela qual a Índia surge “na lista dos países do mundo onde os cristãos são mais perseguidos”.

O lançamento formal da campanha e a entrega do prémio aos dois seminaristas – prémio que vai já na oitava edição –, vai ocorrer no dia 5 de Outubro, na Fundação Paulo VI, em Madrid.

 

 

Departamento de Informação da Fundação AIS | ACN Portugal

 

Rua Professor Orlando Ribeiro, 5 D

1600-796 Lisboa | PORTUGAL

TEL (+351) 217 544 000  | TLM (+351) 912 154 168

info@fundacao-ais.pt | www.fundacao-ais.pt

SILERE 57

 

«Aquilo de que mais precisamos neste momento da história é de homens que, por meio de uma fé iluminada e vivida, tornem Deus credível neste mundo. O testemunho negativo de cristãos que falavam de Deus e viviam contra Ele ensombrou a imagem de Deus e abriu a porta à incredulidade. Precisamos de homens que mantenham o olhar voltado para Deus e aí aprendam a verdadeira humanidade. (…) Só através de homens tocados por Deus, Deus pode voltar para junto dos homens.»
(Joseph Ratzinger, Subiaco, 1 de Abril de 2005)

 

      SILERE NON POSSUM

            (Não me posso calar – Sto Agostinho)

             “Para destruir um povo é preciso destruir as suas raízes.” (Alexandre Soljenitsyne)

 

                    

 

 

 

                    Carta aos meus amigos – nº 57         

                             

                             BRAGA , 28 - SETEMBRO - 2023

 

 

 

 +

PAX

    «Só através de homens tocados por Deus, Deus pode voltar para junto dos homens.», assim se exprimiu o Cardeal Joseph Ratzinger,depois Papa Bento XVI, com a clareza que lhe era intrínseca, sem deixar dúvidas a ninguém. O Homem, sobre tudo o Homem das geografias da cultura da morte, o Ocidente – o “ lugar” onde o Sol morre – “ matou “ Deus , afastou-se Dele. Nem quer ouvir falar que Ele existe. Não se deixa tocar por Deus, não O ouve nem escuta. A sociedade da abundância tornou-se a sociedade anorética de Deus.

  A propósito desta crise nunca vista na já longa história da humanidade, que se sente, vê e ouve por todo o lado., um amigo enviou-me um “ livrinho” de um santo do século V, que não conhecia e já li várias vezes tal é a força da verdade que transmite. Estou a referir-me ao COMMONITORIUM de S. Vicente de Lérins e que tem sido abusivamente citado mas adulterado por quem tinha a obrigação de o citar correctamente. Por que é que S. Vicente de Lérins escreve este seu pequeno-gigante trabalho, pois a sua explicação serve-me (nos) hoje “ como uma luva”, numa época de fortíssima perturbação na transmissão da Fé. Cito, : « … Posta minha confiança no Senhor, desejo, pois, iniciar a obra que me insta, cuja finalidade é colocar por escrito tudo o que nos foi transmitido pelos nossos pais e que temos recebido em depósito…». Ora , S. Vicente de Lérins, neste pequeníssimo apontamento, refere duas centralidades: “ … o que nos foi transmitido pelos nossos pais…” e  “ …. temos recebido em depósito…”. Isto é, receber, guardando sem alterar, o que foi transmitido pelos antecessores na transmissão da Fé. Não deixa espaço para modificações ao sabor dos tempos, das modas ou para tornar a “ depósito da Fé” simpático e adaptado ao mundo ou, como hoje se diz, “ politicamente correcto”. E este  Padre da Igreja , vai mais longe, corajosamente, dizendo: “ Todo o cristão que queira desmascarar as intrigas dos hereges que brotam ao nosso redor, as suas armadilhas e manter-se íntegro e incólume numa fé incontaminada, deve, com a ajuda de Deus, apetrechar  a sua fé de duas maneiras:

- com a autoridade da lei divina  antes de tudo

- e com a Tradição ( nota do autor desta Carta: não é conservadorismo!) da Igreja Católica.”

   Como é actual o pensamento contido nesta pequena obra de S. Vicente de Lérins, Padre da Igreja!

   

    Quando grandes e imutáveis leis da Igreja, que remontam ao seu Fundador, Nosso Senhor Jesus Cristo, estão sistematicamente a ser alteradas, como estamos a assistir hoje um pouco por todo o lado, creio que nos reconforta “ regressar” aos Padres da Igreja como S. Vicente de Lérins! Caros Amigos-leitores, já se deram conta de como se estão a difundir erros doutrinais dentro de alguns sectores da Igreja? … Até há os querem alterar o Catecismo da Igreja Católica e interpretar as Sagradas Escrituras ao seu modo!

   Depois do II Concílio do Vaticano, falou-se muito da necessidade de “ refontalizar” a Igreja. Ora, talvez este desejo seja mais actual do que nunca: regressar às fontes, a Sagrada Escritura e a Tradição viva que chegou até nós. Por isso faz bem à nossa saúde espiritual reler os Padres da Igreja. S. Tomás de Aquino, S. Bernardo, S. Vicente de Lérins e tantos outros como Sto Agostinho ou Sto Ambrósio ou S. Gregório Magno. Face aos erros que se já espalharam e “ viralizaram” larguíssimos sectores da Igreja, temos de ser firmes amando o pecador e combatendo tenazmente, o pecado que nos é apresentado como fazendo parte do nosso património ( basta não andar muito distraído!).

   Aos que estavam presentes no século V, tempo de S. Vicente de Lérins, e que andavam espalhando os erros, aquele Padre da Igreja disse: “ Charlatães e sedutores , revolucionam famílias inteiras , ensinando o que não convém, com o fim de adquirir uma vil ganância…” Como hoje estas palavras são actuais! Abundam os charlatães da Fé , mesmo e sobretudo intramuros. Estamos expostos aos erros. Queremos, também nós, abraçá-los? O “ depósito da Fé” está contaminado e estamos ameaçados de sermos contaminados. A pandemia do erro grassa por todo o mundo, salvo raras excepções que são perseguidas por quem tem a obrigação de estar vigilante e actuante.

  E S. Vicente de Lérins , afirma:

  «E certamente que é uma grande prova ver um homem sumamente amado e respeitado , que de repente se põe a introduzir ocultamente erros perniciosos. Tanto mais quanto que não existe possibilidade de descobrir imediatamente esse erro…» ( S. Vicente de Lérins). E estamos cheios desses homens , muitos deles em posições chave . Estaremos atentos e vigilantes? Sabemos para onde nos estão a conduzir?

   Como posso calar perante os erros que me circundam?

SILERE NON POSSUM

Carlos Aguiar Gomes

 

 

 

 

 

Família Ulma

  Faz hoje três anos que uma família inteira foi elevada às honras dos altares. A Família Ulma, uma centelha de luz nos anos sombrios da Seg...