sexta-feira, 12 de julho de 2024

DECÁLOGO CONTRA O ALARMISMO VERDE

 

                                                                                                  

                                 MILITIA SANCTAE MARIAE

CÍRCULO INTERNACIONAL CRISTÃOS PELO AMBIENTE S. JOÃO GUALBERTO

                                           = Arbutus unedo=

 

                     DECÁLOGO CONTRA O ALARMISMO VERDE

 

                                     Como deverá agir um cristão?

1.      Em primeiro lugar deve ter respeito pelo tema. Não há acordo entre os cientistas sobre as causas antropogénicas do aquecimento global.E não há acordo, portanto, sobre a oportunidade ou necessidade de provocar  mudanças custosas no comportamento humano, dado que estes não são a causa das mudanças climáticas. Uma pequena variação do aquecimento no Oceano Pacífico tem um impacto  no clima  do planeta infinitamente mais elevado   do que todas as intervenções humanas. A fé leva  o católico a usar a razão , portanto, a não passar por cima da ciência e não fazer que diga o que não disse.

 

2.       Segundo, o católico deve ser realista e não esconder o facto de que as supostas intervenções humanas para reduzir o aquecimento global teriam um preço muito alto. É razoável  pensar  que, portanto, há consideráveis interesses por detrás  do ênfase que existe para que se decidam estas intervenções. Se  se condena a especulação eonómica das empresas num sector, o mesmo deve fazer-se para os de outro sector. A green economy não é celestial no fundo

 

 

3.     Em terceiro lugar, o católico não deveria abandonar-se a  alarmes terroristas: recentemente o jornal “ Avvenire” ( N.T. – jornal italiano) titulou “ Última chamada para o mundo”. O milenarismo dos ecologistas conhece-se desde há muito tempo e são inumeráveis as predições  que fizeram no passado sobre o suposto colapso  do nosso planeta, sobretudo devido à sobrepopulação . Predições que não se tornaram realidade. O católico não deveria deixar-se levar por estas predições catastróficas, especialmente se não têm base científica.

 

4.     Em quarto lugar, a posião católica, especialmente expressa pela Santa Sé ou pelas Conferências Episcvopais, nunca devem moldar-se a decisões políticas. Deveríamos abster-nos ,por exemplo, de apressar-nos a tomar como próprias as decisões da Cimeira de Paris ou da de Katovice ( 2018). São decisões políticas, referem-se a escolhas contingentes e complexas, corre-se o risco de se ser considerado parte. A Igreja deveria propor os grandes princípios, não aderir a soluções políticas que dividem os “ bons” dos “ maus”. Já não  o faz noutras áreas por que deveria fazê-la nesta?

 

 

5.     Quinto lugar, o católico não deveria usar a expressão “ Mãe Terra,” especialmente com maiúsculas e nãoaderir a documentos que usam esta expressão gnóstica, esotérica e idólatra. Tão pouco  deve recorrer a S. Francisco e ao seu Cântico das criaturas para este uso, que não teria nada a ver com o esoterismo. Infelizmente, sem dúvida, muitos documentos eclesiais agora usam a expressão , até ao ponto de não falar de Cristo mas da Mãe Terra.

 

6.     Em sexto lugar, o católico nunca deveria equiparar de imediato a                          ONU com o Bem, e qualquer conclusão  de uma cimeira da ONU a um dever absoluto para as pessoas responsáveis. Sabemos com grande certeza que as agências da ONU frequentemente levam caminhos ideológicos contrários ao verdadeiro bem do homem.A Igreja, em particular,  não deve  amoldar-se às Nações Unidas e compartilhar a sua linguagem. Por exemplo, não  ser acrítica perante o programa de desenvolvimento da ONU até 2030. Nas cimeiras do Cairo ou de Pequim da década de 90 do século passado , a Igreja era crítica face a estas posições. E deveria continuar a sê-lo.

 

 

7.     Sétimo, os governos nunca deveriam aceitar ordens imperativas de entidades supra-estatais sobre estes temas, porque por trás das “ directivas” dos corpos políticos supra-estatais, como por exemplo a União Europeia, há perspectivas ocultas da reação entre o homem e a natureza que podem estar equivocadas.

 

8.     Oitavo lugar, os católicos e muito menos a Igreja, não devem deslumbrar-se com as manifestações de rua que frequentemente são promovidas e financiadas de modo oculto, incluindo quando se trata de eventos juvenis. Com as ordens guiadas e com os estudantes obrigados a sair para a rua, pode-se ser famoso, mas não correcto.

 

 

 

9.     Nono,quando falamos de ecologia ambiental, a Igreja e sempre os católicos devem exigir que também falemos de ecologia humana. Não só devem separar-se ambas,mas que a  ecologia humana sempre se deve antepor  ao meio ambiente.Se nem sequer falamos da luta contra o aborto, não só se torna redutor, mas também enganoso falar de uma luta pela diversidade.

10.                        Em décimo lugar, os católicos nunca deveriam falar da Natureza sem a chamar de “ criação” e nunca deveriam falar da criação sem falar do Criador. Falta a perspectiva decisiva e seria como dizer que as coisas podem estar bem sem a referência a Deus. Isto  contrasta com o que se diz hoje na Igreja, a saber,que existe o pecado do “ecocídio”. Fala-se, mas nunca se refere o Salvador quando se trata de problemas ambientais.

 

                Stefano Fontana ( Osservatorio Cardinal van Thuân, 12.Dez.2019)   

                                      

                                Medronheiro – Arbutus unedo – espécie protegida e símbolo                     

                      do Círculo Internacional Cristãos Pelo Ambiente São João Gualberto

                                                              ( PORTUGAL)    

                                 MILITIA SANCTAE MARIAE

CÍRCULO INTERNACIONAL CRISTÃOS PELO AMBIENTE S. JOÃO GUALBERTO

                                           = Arbutus unedo=

 

                     DECÁLOGO CONTRA O ALARMISMO VERDE

 

                                     Como deverá agir um cristão?

1.      Em primeiro lugar deve ter respeito pelo tema. Não há acordo entre os cientistas sobre as causas antropogénicas do aquecimento global.E não há acordo, portanto, sobre a oportunidade ou necessidade de provocar  mudanças custosas no comportamento humano, dado que estes não são a causa das mudanças climáticas. Uma pequena variação do aquecimento no Oceano Pacífico tem um impacto  no clima  do planeta infinitamente mais elevado   do que todas as intervenções humanas. A fé leva  o católico a usar a razão , portanto, a não passar por cima da ciência e não fazer que diga o que não disse.

 

2.       Segundo, o católico deve ser realista e não esconder o facto de que as supostas intervenções humanas para reduzir o aquecimento global teriam um preço muito alto. É razoável  pensar  que, portanto, há consideráveis interesses por detrás  do ênfase que existe para que se decidam estas intervenções. Se  se condena a especulação eonómica das empresas num sector, o mesmo deve fazer-se para os de outro sector. A green economy não é celestial no fundo

 

 

3.     Em terceiro lugar, o católico não deveria abandonar-se a  alarmes terroristas: recentemente o jornal “ Avvenire” ( N.T. – jornal italiano) titulou “ Última chamada para o mundo”. O milenarismo dos ecologistas conhece-se desde há muito tempo e são inumeráveis as predições  que fizeram no passado sobre o suposto colapso  do nosso planeta, sobretudo devido à sobrepopulação . Predições que não se tornaram realidade. O católico não deveria deixar-se levar por estas predições catastróficas, especialmente se não têm base científica.

 

4.     Em quarto lugar, a posião católica, especialmente expressa pela Santa Sé ou pelas Conferências Episcvopais, nunca devem moldar-se a decisões políticas. Deveríamos abster-nos ,por exemplo, de apressar-nos a tomar como próprias as decisões da Cimeira de Paris ou da de Katovice ( 2018). São decisões políticas, referem-se a escolhas contingentes e complexas, corre-se o risco de se ser considerado parte. A Igreja deveria propor os grandes princípios, não aderir a soluções políticas que dividem os “ bons” dos “ maus”. Já não  o faz noutras áreas por que deveria fazê-la nesta?

 

 

5.     Quinto lugar, o católico não deveria usar a expressão “ Mãe Terra,” especialmente com maiúsculas e nãoaderir a documentos que usam esta expressão gnóstica, esotérica e idólatra. Tão pouco  deve recorrer a S. Francisco e ao seu Cântico das criaturas para este uso, que não teria nada a ver com o esoterismo. Infelizmente, sem dúvida, muitos documentos eclesiais agora usam a expressão , até ao ponto de não falar de Cristo mas da Mãe Terra.

 

6.     Em sexto lugar, o católico nunca deveria equiparar de imediato a                          ONU com o Bem, e qualquer conclusão  de uma cimeira da ONU a um dever absoluto para as pessoas responsáveis. Sabemos com grande certeza que as agências da ONU frequentemente levam caminhos ideológicos contrários ao verdadeiro bem do homem.A Igreja, em particular,  não deve  amoldar-se às Nações Unidas e compartilhar a sua linguagem. Por exemplo, não  ser acrítica perante o programa de desenvolvimento da ONU até 2030. Nas cimeiras do Cairo ou de Pequim da década de 90 do século passado , a Igreja era crítica face a estas posições. E deveria continuar a sê-lo.

 

 

7.     Sétimo, os governos nunca deveriam aceitar ordens imperativas de entidades supra-estatais sobre estes temas, porque por trás das “ directivas” dos corpos políticos supra-estatais, como por exemplo a União Europeia, há perspectivas ocultas da reação entre o homem e a natureza que podem estar equivocadas.

 

8.     Oitavo lugar, os católicos e muito menos a Igreja, não devem deslumbrar-se com as manifestações de rua que frequentemente são promovidas e financiadas de modo oculto, incluindo quando se trata de eventos juvenis. Com as ordens guiadas e com os estudantes obrigados a sair para a rua, pode-se ser famoso, mas não correcto.

 

 

 

9.     Nono,quando falamos de ecologia ambiental, a Igreja e sempre os católicos devem exigir que também falemos de ecologia humana. Não só devem separar-se ambas,mas que a  ecologia humana sempre se deve antepor  ao meio ambiente.Se nem sequer falamos da luta contra o aborto, não só se torna redutor, mas também enganoso falar de uma luta pela diversidade.

10.                        Em décimo lugar, os católicos nunca deveriam falar da Natureza sem a chamar de “ criação” e nunca deveriam falar da criação sem falar do Criador. Falta a perspectiva decisiva e seria como dizer que as coisas podem estar bem sem a referência a Deus. Isto  contrasta com o que se diz hoje na Igreja, a saber,que existe o pecado do “ecocídio”. Fala-se, mas nunca se refere o Salvador quando se trata de problemas ambientais.

 

                Stefano Fontana ( Osservatorio Cardinal van Thuân, 12.Dez.2019)   

                                      Resultado de imagem para medronhos

                                Medronheiro – Arbutus unedo – espécie protegida e símbolo                     

                      do Círculo Internacional Cristãos Pelo Ambiente São João Gualberto

                                                              ( PORTUGAL)   

quinta-feira, 11 de julho de 2024

11 de JULHO - DIA DE S. BENTO - Padroeiro da Europa

 



    “Pelo final do século V, o Império Romano estava em ruínas. Enfraquecida desde dentro pela corrupção, pela opulência, pela luxúria e pelo comodismo, a cidade de Roma foi, durante boa parte do século, violentamente invadida por povos estrangeiros. O Império foi à falência, tanto moral quanto financeiramente, e, por volta do ano 500, Bento — um jovem nobre da cidade de Núrsia — decidiu que a melhor coisa que poderia fazer era subir para as montanhas e tornar-se eremita. Primeiro, foi para Subiaco e viveu numa caverna, onde foi orientado por um monge mais velho. Finalmente, mudou-se para o sul, em Monte Cassino, onde estabeleceu pequenas comunidades de homens e mulheres que pudessem seguir uma vida simples e digna de trabalho, estudo e oração. G. K. Chesterton diz que cada século é salvo pelo santo que lhe é mais contrário. A simplicidade monástica de São Bento era justamente a resposta de que a corrupção e a opulência do decadente Império Romano precisavam. Ele respondeu à luxúria com a pureza, à avareza com a simplicidade, à ignorância com a sabedoria, à decadência com a diligência e ao cinismo com a fé. Suas comunidades nas montanhas se tornaram faróis numa época de trevas e um refúgio para as tempestades que estavam prestes a cair. Vale a pena lembrar o exemplo de Bento hoje, quando muitos veem aproximar-se as mesmas tempestades do que parece ser a derrocada da civilização ocidental. Quando consideramos o fim que levou a Roma pagã, os paralelos são sensivelmente similares. Também a nossa cultura está enfraquecida desde dentro por incríveis opulência, luxúria e sensualidade. Como os antigos romanos, a nossa sociedade mata os seus filhos que ainda não nasceram a um nível alarmante e também investe grandes montantes em máquinas militares para dominar o mundo. Nossos ricos “patrícios” reinam a partir dos seus templos de poder sem nenhuma preocupação com o povo, enquanto os “plebeus” comuns rangem os dentes com descontentamento cada vez maior. Também nós nos sentimos ameaçados por bárbaros desconhecidos que vêm do outro lado do mundo e também nós nos preocupamos em defender - nos das hordas que cruzam as nossas fronteiras. Por que Bento escolheu simplesmente retirar-se? Acredito que ele o fez porque percebeu que a civilização romana não tinha salvação, ela já tinha chegado ao fim de sua vida útil. O primeiro capítulo da Epístola de São Paulo aos Romanos explica como Deus entrega as pessoas aos seus desejos pecaminosos e, por isso, as suas mentes ficam obscurecidas. Elas se tornam viciadas e cegas pelo pecado e são incapazes de pensar retamente. Bento subiu para as montanhas porque percebeu que com os romanos não havia diálogo. Não havia argumento possível porque os seus corações e mentes estavam obscurecidos. Eles tinham perdido a capacidade de raciocinar e a habilidade de escutar e amar a verdade. Essa é cada vez mais a situação do mundo de hoje. Já há muito tempo que a nossa civilização virou as costas para a verdade, para a beleza e a para a bondade da fé cristã; que temo - nos sujeitados ao comodismo, entregando-nos a grandes pecados de luxúria, crueldade e assassinato. Como sociedade, nós destruímos o matrimónio, abusamos de nossas crianças, matamo-nos uns aos outros, travamos guerras e roubamos os mais pobres. Nossos corações e mentes estão agora obscurecidos. Atingidos pelo cancro intelectual do relativismo, não somos capazes nem de ouvir a razão nem de produzir argumentos. Fomos abandonados ao turbilhão de nossas emoções, agitados pela raiva, pelo ódio irracional e pela frustração demoníaca. O que podemos fazer? Como católicos, nós viveremos cada vez mais a “opção beneditina”. Há quem pense que terminaremos escondendo -nos em nossos próprios enclaves, como sobreviventes de um holocausto nuclear, mais ou menos como um regresso às catacumbas. Eu não seria tão pessimista. Acredito que a “opção beneditina” pode ser simplesmente uma percepção de que precisamos retornar à essência da nossa fé e vivê-la em nossas comunidades paroquiais já existentes. Nossas paróquias podem tornar-se refúgios de paz, centros de cultura, educação e razão. Elas podem tornar-se lugares onde a oração, o trabalho e o estudo são valorizados. Sem formar novas comunidades monásticas, nossas famílias e paróquias podem transformar - se em “mosteiros domésticos”, onde nós viveremos com simplicidade e cultivaremos com consciência a nossa fé, refugiando-nos do dilúvio que devasta a nossa sociedade. Para tanto, nós precisaremos reavaliar a nossa relação com a cultura que nos rodeia. Precisaremos simplificar as nossas vidas. Será que realmente precisamos de todas essas coisas materiais que nos puxam para baixo e nos atolam nas dívidas e no estresse? Será que realmente precisamos correr tão freneticamente, com tanta pressa, o tempo todo? Temos realmente que nos conformar com a sociedade agitada, vaidosa e avarenta em que vivemos? Realmente precisamos de todo esse entretenimento e distração que nos leva à destruição? Acho que não. Contra tudo isso, a “opção beneditina” colocará o nosso foco nos votos que estão no coração da Regra de São Bento: estabilidade, obediência e conversão de vida. A estabilidade nos ajudará a desenvolver raízes profundas em nossa fé, em nossas famílias e em nossa Igreja. Encontraremos aí a nossa segurança, e não no nosso trabalho, no nosso dinheiro ou ) nas nossas realizações. A obediência significa que procuraremos submeter-nos constantemente às Sagradas Escrituras, aos ensinamentos da Igreja, a Deus e uns aos outros. A conversão de vida significa que tudo o que fizermos e dissermos, e toda decisão que tomarmos, será determinada por nosso desejo de sermos completamente transformados na imagem de Cristo. Ou, como São Bento põe na sua regra, “Nada antepor a Cristo”. As simples e humildes comunidades beneditinas tornaram-se a fundação da maior civilização que o mundo já viu. Por um milénio, a Europa cristã esteve enraízada na singela intuição de São Bento de Núrsia. Se os católicos fizerem essa opção, ainda podemos forjar uma fundação forte e vigorosa para o futuro da nossa sociedade.( in  National Catholic Register  - Tradução: ChurchPOP).


BENTO XVI : UM PREFÁCIO de leitura indispensável

 

                                         BENTO XVI : UM PREFÁCIO de leitura indispensável

 

A Editora do Patriarcado de Moscovo ( Igreja Ortodoxa ) acaba de editar, em russo ,  o XI volume da Opera Omnia ( de todos os trabalhos ) do Papa Emérito Bento XVI. Por esta edição se pode imaginar o enorme prestígio de que goza este fabuloso Papa junto da Igreja Ortodoxa.

Bento XVI, com o espírito profundamente beneditino que sempre o caracterizou, fez um Prefácio para este volume, que um amigo fez o favor de me enviar já traduzido ,e  que me encantou plenamente. Assim quero partilhá-lo com quem tem a paciência de me ler. A riqueza do texto é demasiado importante para que não seja divulgado ao máximo.

Aqui fica, pois, o citado Prefácio e deixo os votos aos meus leitores de que tenham igual proveito que eu tive ao  lê-lo. Sugiro que depois de uma primeira leitura, tornem a reler este magnífico texto:

 

“ A nada se dê prioridade senão ao Culto Divino. Com estas palavras São Bento estabelece na regra de vida que criou a absoluta prioridade do Culto Divino em relação a todas as restantes actividades da vida monástica (ponto 43,3). Este facto não era óbvio nem mesmo para a vida monástica, pois para os monges era essencial o trabalho científico e agrícola, áreas em que podiam, certamente, surgir urgências que podiam fazê-las parecer mais importantes que a liturgia. Perante tudo isto, São Bento coloca a prioridade na liturgia, realçando inequivocamente a prioridade do próprio Deus na nossa vida: “Na hora do Ofício Divino, mal se oiça o sinal, deixa-se tudo o que se tiver em mãos e corresponda-se ao chamamento com a máxima solicitude” (43,1). 

 

Na consciência dos homens de hoje as coisas de Deus e em particular a liturgia não surgem como um assunto urgente. Há urgência para todo o tipo de coisas, mas a causa de Deus não parece que o seja alguma vez. Pode-se dizer, com justiça, que a vida monástica é diferente da vida dos homens que estão no mundo – mas ainda assim a prioridade de Deus, que esquecemos, vale em ambos os casos. Se Deus já não é importante, então alteramos os critérios para estabelecer o que é importante. Quando o homem coloca Deus numa das suas gavetas, está a colocar-se sob condicionalismos que o fazem escravos de coisas materiais e que são, portanto, opostas à sua dignidade. 

 

Nos anos que sucederam o Concílio Vaticano II voltei a tomar consciência da prioridade de Deus e da Liturgia Divina. O mal-entendido que se difundiu abundantemente na Igreja Católica, relativamente à reforma litúrgica, levou a que se pusesse sempre em primeiro plano o aspecto da instrução, da criatividade e actividade pessoal. A actividade dos homens fez que quase ficasse esquecida a presença de Deus. Nesta situação (em que nos encontramos) fica cada vez mais claro que a existência da Igreja vive da justa celebração da liturgia e que, portanto, a Igreja está em perigo quando o primado de Deus não surge na liturgia e, daí, na vida.

 

A causa mais profunda da crise que se abateu sobre a Igreja está no ocultar a prioridade de Deus na liturgia. Tudo isto levou a dedicar-me ao tema da liturgia com mais afinco que no passado porque sabia que o verdadeiro renovamento da liturgia é uma condição fundamental para o renovamento da Igreja. Foi desta convicção que nasceram os estudos que estão agrupados agora no presente volume XI da Opera Omnia. No fundo, ainda que com todas as diferenças existentes, a essência da liturgia no Oriente e no Ocidente é única e a mesma. Assim espero que este livro possa ajudar também os cristãos da Rússia a compreender melhor e de uma nova forma o grande dom que nos é dado na Santa Liturgia. ( Trad. de S.P. )

 

 Que quem leu este extraordinário texto, não tenha  dado  por perdido o tempo. Além disso, bem gostaria que muita coisa mudasse na Liturgia , sobretudo na Missa, e que Deus fosse , de facto ,  o centro para Quem todos se devem voltar. Se voltassem a “ orientar”.

 

 “A causa mais profunda da crise que se abateu sobre a Igreja está no ocultar a prioridade de Deus na liturgia”, repescando palavras de Bento XVI.  “Nada antepor ao amor de Cristo” – RB 4, 21

“Nada antepor ao amor de Cristo” – RB 4, 21

Carlos Aguiar Gomes antepor ao amor de Cristo” – RB 4, 21

( O autor não acata o chamado AO )

 

 

 

terça-feira, 9 de julho de 2024

NOSSA SENHORA DA PAZ

 

                                                                                      

 

                                          NOSSA SENHORA DA PAZ               

 

                                                    9 de JULHO DE 1657

 

 Entronização da Estátua de Nossa Senhora da Paz na presença de Luís XIV e do Núncio Apostólico

 

  A Estátua de Nossa Senhora da Paz é a herança da ilustre Casa de Joyeuse no Vivarais (França) Teria sido encomendada por Jean de Joyeuse cerca de 1530. Um dos seus filhos trouxe-a para Paris onde se instalou com sua Mulher, Catherine de La Vallette, na rua de Sant-Honoré, num palacete contíguo ao mosteiro dos Capuchinhos e aí fez uma capela para Nossa Senhora.

   Ficando viúvo, entrou para os Capuchinhos: a pequena imagem vai aí ficar durante 63 anos. Em 21 de Julho de 1651, em plena Guerra dos Trinta Anos, as crianças juntavam-se  diante da Imagem dos Capuchinhos, cantando em alta voz a Salve Regina. Ocorrem vários milagres e os parisienses começam a invocar a Senhora sob o título de “Nossa Senhora da Paz”.

   Os peregrinos afluem tão numerosos que é preciso pensar em aumentar a capela; o que fez  Mademoiselle  de Guise, sobrinha-neta de Henri de Joyeuse; a imagem foi solenemente entronizada  no novo santuário pelo Núncio Apostólico, na presença do Rei, da Corte e de uma multidão de parisienses em 9 de Julho de 1657.

  No ano seguinte, o Rei Luís XIV contraiu febre tifoide em Calais e temia-se pela sua vida. A Rainha pede orações. Os Capuchinhos  dirigem-se a Nossa Senhora da Paz e alcançou-se a cura do Rei, tida por miraculosa. Ana de Áustria encomenda, então, a Michel Corneille um grande quadro como ex-voto (está agora nas colecções do Palácio de Versailles). A devoção popular aumenta sobretudo no dia da sua festa, fixada a 9 de Julho. Pede-se à Rainha da Paz pela paz no Reino, pela paz no mundo, pela paz nas famílias, pela paz nos corações…

   Salva durante a Revolução, em 6 de Maio de 1806, a estátua de Nossa Senhora da Paz chega ao convento de Picpus muito perto da “Praça do Trono”, hoje “Praça da Nação”. Em 9 de Julho de 1906, a Estátua de Nossa Senhora da Paz é oficialmente coroada em nome do Papa S. Pio X.

   Em meados da década de 70 do século passado, a Militia Sanctae Mariae – cavaleiros de Nossa Senhora, contrariamente ao que era costume, realizou o seu Capítulo Geral (em  Agosto) num Colégio que as Irmãs dos Sagrados Corações, ditas de” Damas de Picpus”, tinham à saída da cidade de Chartres. No último dia capitular, ao almoço, uma das Irmãs veio ter com os freires e amigos reunidos no refeitório do Colégio e deu-nos a informação de que iriam abandonar o referido Colégio e que, assim, poriam à nossa disposição todos os objectos de culto que serviam a grande Capela da casa. Cada um levaria o que quisesse e, se assim o entendesse, poderia deixar uma esmola para as missões que a Congregação tinha em África. Terminada a refeição, muitos dos presentes dirigiram-se à sala indicada. Um cavaleiro de Nossa Senhora, português, viu a imagem de Nossa Senhora da Paz que estava no transepto, do lado da Epistola, cercada com centenas de ex-votos, em mármore (?), de agradecimento de graças obtidas por intermédio de Nossa Senhora, cobrindo várias décadas, sendo mais abundantes as que se referiam às duas Guerras Mundiais. Foi um choque tremendo! Ver aquela imagem sair do local onde gerações de carnutenses tinham implorada a paz para si, para os seus e para a França, levou a que a trouxesse consigo, tendo, obviamente deixado uma contribuição razoável para as suas capacidades, já que aquela imagem não tinha preço. Diga-se que é uma réplica em côr e tamanho, das muitas que as “ Damas de Picpus” espalharam pelo mundo. Esta é em porcelana fina pintada de preto tendo na mão um ramo de Oliveira.

   Chegando a Portugal, com sua Mulher, entenderam que aquela imagem devia ter um lugar diferente da sua casa, mas estar à veneração dos fiéis. Assim, foi oferecida à MSM ( Portugal).

   É esta a explicação para a posse desta imagem por parte da Militia Sanctae Mariae – cavaleiros de Nossa Senhora.

   Para memória futura o signatário passou este episódio, sucintamente enquadrado pela origem da devoção a Nossa Senhora da Paz , a escrito neste documento.

Carlos Aguiar Gomes

Braga,4.V.22                                         

 

                       ORAÇÃO A NOSSA SENHORA DA PAZ

                          ( Notre Dame de Paix de Picpus)

 

Santíssima Virgem, Augusta Rainha de Paz, obtende-me de Vosso Filho, a Paz que Ele deixou em herança aos Seus discípulos.

O mundo não a conhece, não a saberia oferecer;

Ela só habita nos corações puros e santificados pela Graça.

Que eu conserve esta Paz do céu no respeito, na cordialidade, paciência e caridade para com todas as pessoas com quem convivo, com Deus e comigo próprio, pela prática de todas as virtudes! Espalhai-a também sobre a Igreja, sobre as famílias, sobre os meus amigos, sobre toda a humanidade.

Fazei que vivamos cá em baixo na Paz de um coração puro, a fim de merecer um dia a Paz eterna no céu. Amém.

(Tradução e adaptação de C.A.G. do original em francês com Imprimatur de G. Lefebvre, Vigário Geral de Paris, 15 de Agosto de 1902)

domingo, 7 de julho de 2024

Catolicismo confrontacional

 

Catolicismo     confrontacional

Eric Sammos, Editor Jefe de la revista Crisis Magazine Eric Sammos, Editor Jefe de la revista Crisis Magazine
 | 

(Eric Sammons en Crisis Magazine)-Llevo más de dos décadas hablando públicamente sobre la fe católica. Lo he hecho de manera informal, en reuniones individuales, así como de manera formal en eventos parroquiales y diocesanos. Durante mucho tiempo he seguido la regla principal establecida entre los católicos públicos:

Sobre todo, sé amable.

Por supuesto, la Regla de Amabilidad no se presenta de esa manera. Se presenta como una regla de “caridad” y de respeto a la “dignidad” de cada persona. No me malinterpreten, estamos llamados a la caridad, y cada persona tiene dignidad. Pero esas eran solo palabras en código para la regla subyacente real, la de ser amables. Después de todo, no queremos que nadie piense que los católicos somos malos. De hecho, estamos obsesionados con cómo nos percibe la gente, desesperados por obtener el respeto humano de nuestros oponentes.

Pero, independientemente de si esa estrategia fue alguna vez eficaz o no, ya no tiene sentido en el mundo actual. La cultura ha cambiado radicalmente en las últimas dos décadas, convirtiendo la Regla de la Amabilidad en una estrategia derrotista. Nuestros oponentes no quieren sentarse a la mesa con nosotros; quieren aplastarnos. Sin embargo, todavía veo a católicos públicos enfatizar continuamente que debemos ser caritativos (léase: amables) con los activistas homosexuales o que debemos respetar la dignidad (léase: restar importancia a la locura) de las personas transgénero.

Hoy vivimos en una era en la que fuerzas poderosas (en el gobierno, los medios de comunicación, el mundo académico y otras instituciones de élite) trabajan activamente para erradicar nuestra fe y preparar a nuestros hijos para la depravación. Aplicar la regla del buen comportamiento a estos enemigos está condenado al fracaso.

Si alguien apoya a un hombre que mueve su trasero desnudo frente a los niños en un desfile del Orgullo, no es un interlocutor.

Si alguien etiqueta a los católicos como antisemitas, racistas, misóginos, homofóbicos o transfóbicos, simplemente por creer en las enseñanzas católicas, no es alguien con quien debatir.

Si alguien insiste en que no hay nada de malo en que un hombre deje a su esposa y a su familia para encontrar su “verdadero yo” como “mujer”, no es alguien con quien se pueda razonar.

Lo más importante es que si alguna de estas personas apoya el uso del poder del Estado para aplastar el disenso de sus opiniones (y la mayoría lo hace), entonces ser amable solo acelera el día en que los católicos fieles sean arrestados por sus creencias.

¿Qué significa esto en la práctica? ¿Qué significa dejar de ser “amable”? No significa que seamos unos imbéciles, pero sí que nos enfrentemos directamente al mal, sin importar cómo reaccionen nuestros enemigos. En pocas palabras, somos confrontativos.

Permítanme darles un ejemplo reciente. El sábado pasado, me uní a un grupo de más de 100 hombres que rezaron el rosario en las escaleras de nuestra iglesia catedral. Puede que esto no suene extraordinario, pero lo que lo hizo diferente fue que lo hicimos mientras comenzaba el desfile del orgullo gay de la ciudad justo al lado de la catedral.

Llevamos banderas e imágenes del Sagrado Corazón y rezamos en reparación al Sagrado Corazón por los pecados de los participantes del Orgullo. Pedimos a Dios que convierta los corazones de los infieles y tenga misericordia de todos nosotros.

Ahora bien , estoy seguro de que los participantes del Orgullo nos miraban como si fuéramos unos “odiadores” intolerantes y sin cariño. Uno nos gritó “¡Jesús no era blanco!”, dando a entender que todos éramos supremacistas blancos. Nuestra imagen pública no era “amable”; era inherentemente conflictiva.

Estoy seguro de que por eso muchos católicos, especialmente los católicos públicos, no apoyan iniciativas como la nuestra. Nuestro evento no se anunció en ningún boletín parroquial y el arzobispo no nos apoyó. Aunque estos católicos se opongan a las actividades del Orgullo, no quieren parecer poco caritativos (es decir, desagradables). Sin embargo, lo que estábamos haciendo era lo más caritativo posible: rezar por sus almas, proclamar la verdadera fe y combatir directamente las fuerzas demoníacas presentes en el desfile.

Vi una dinámica similar a principios de los años 90 con el movimiento pro-vida. Muchos de los líderes pro-vida respetables se opusieron a nuestras iniciativas de acción directa en las clínicas de abortos (consejería en la calle, oración y rescate). Les preocupaba que eso diera una imagen negativa al movimiento pro-vida; era demasiado confrontativo. Sin embargo, esa acción directa fue responsable de salvar incontables vidas. No nos importaba no tener buena apariencia; no estábamos en esto por relaciones públicas, sino para salvar bebés. Las fuerzas pro-aborto nos iban a odiar pase lo que pase, así que no tenía sentido restringir nuestras actividades para lograr que les cayéramos bien.

Permítanme darles otro ejemplo, aunque no sea católico. Hace poco, Tucker Carlson estuvo en un evento en Australia en el que un periodista liberal comenzó a hacerle preguntas que estaban pensadas para hacer que Carlson pareciera un racista violento.

Carlson da vuelta la situación con maestría, negándose a aceptar las falsas premisas de la periodista. La confronta directamente, incluso se burla de ella. Algunos podrían decir que Carlson no estaba siendo “caritativo”, pero su confrontación directa con ella en realidad fue caritativa, porque reveló la verdad para que todos la vieran. Los católicos debemos ser igualmente confrontativos cuando somos atacados y difamados.

Los católicos fieles de hoy deben darse cuenta de que ya hemos perdido la batalla de las relaciones públicas: nuestras élites culturales nos odian y quieren destruirnos, sin importar cuán amables intentemos sonar. En ese entorno, debemos contraatacar y enfrentarnos directamente a nuestros enemigos. Debemos orar en los desfiles del Orgullo, oponernos directamente a las Horas del Cuento de las Drag Queens e instar a nuestras bibliotecas públicas a que no promuevan libros LGBTQ+. Sí, se nos verá como poco caritativos y malos, pero esa es nuestra imagen de todos modos por simplemente no estar de acuerdo con su maldad. Así que también podríamos trabajar contra ese mal.

Somos la Iglesia Militante y debemos empezar a actuar como tal nuevamente.

Família Ulma

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