quinta-feira, 15 de março de 2018

REFLEXÃO PARA O DIA DO PAI


Nem todos os países celebram o DIA DO PAI na mesma  data. Entre nós, em Portugal, o DIA DO PAI, é comemorado no dia 19 de Março, dia de S. José.
Na actuais circunstâncias sócio-culturais, não quero, não devo nem posso deixar de assinalar e sublinhar a importância desta efeméride. Porque sou Pai. Porque sou cidadão interventivo na res publica. Porque estou atento e me preocupa o desmoronamento da nossa identidade cultural e espiritual.
Assistimos, tantas vezes calados e indiferentes, a uma campanha sistemática para “rasurar” do nosso quotidiano o sentido da palavra PAI e, até mesmo, a própria palavra como “discriminatória” e sexista. O mesmo sucede com a palavra Mãe! Já são incontáveis, entre nós, as tentativas de não se celebrar os Dias do Pai e da Mãe!... E, como vamos tento pão e circo…
Para a corrente ideológica dominante, ditatorial, urge apagar estas designações que “ofendem” (!) a variedade de géneros e a sua identidade.
Assistimos, cada dia mais correntemente, a uma chamada “escrita e linguagem inclusivas”, imposta nos sistemas de ensino e nos “media” e que nos obrigam a banir toda a linguagem “machista” e sexista tal como Pai ou Mãe! Estão a impor-nos uma nova gramática que anula o masculino e o feminino, logo Pai e Mãe, substituídos por um idiota “Progenitor 1 ou A” e “Progenitor 2 ou B”.
Com o recurso aos chamados “bancos de esperma”, de dadores anónimos, logo se impede/dificulta a possibilidade de as crianças saberem quem é o seu Pai. Trata-se de um verdadeiro atentado indigno contra o direito fundamental de cada um saber quem é o seu Pai, um indivíduo do sexo masculino e que, começa por dar espermatozoides, dos quais será eleito um, e que transforma aquele em Pai. É assim que cada Pai começa a sua função na paternidade. Digo, começa e é aí, precisamente que se inicia a função da paternidade e que a morte nunca conseguirá apagar.
Assim, face a este ataque cerrado a um conceito natural da biologia para não falar da antropologia familiar, que se impõe celebrar o DIA DO PAI, que, como se disse se inicia na fecundação de um óvulo por um espermatozoide e continua(rá) pela vida fora tanto em si como na relação com o outro que , assim inicia a sua vida, e na relação com a Mãe que não a dona do filho nem uma indiferente e simples “barriga de aluguer” ou “portadora” de uma vida que espera nascer e a que tal em esse direito. O Pai não é um mero fornecedor de espermatozoides nem a Mãe um simples “tubo de ensaio”.
Ser Pai é um privilégio natural que tem de se saber assumir com toda a responsabilidade. Sempre e em todas as circunstâncias da vida e que se prolongam para lá da morte. É-se Pai para sempre. Nenhum Pai se pode e deve demitir das responsabilidades inerentes. De todas as responsabilidades. Igualmente, nenhum Pai pode ser “demitido” pelo livre arbítrio dos filhos.
Neste DIA DO PAI chama-se a atenção da sociedade para esta grave situação sócio-antrológica das campanhas mais ou menos declaradas, algumas bem descaradas, contra a paternidade (o mesmo se passa com a maternidade) e a que temos de nos saber opor energicamente e determinação contra a ditadura do pensamento único e desnaturado que nos estão a impor de forma ditatorial.
Celebremos o DIA DO PAI, com alegria e com e na gratidão. Lembremos os que já partiram. Rezemos pelos pais que não sabem ser pais.
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Carlos Aguiar Gomes(O autor não acata o chamado AO)  

quinta-feira, 8 de março de 2018

DECLARAÇÃO MUNDIAL DAS MÃES, Uma reflexão com urgência



Queridas Mães
… e Ex.mos Senhores

Expresso-me desta forma porque é, muito particularmente, às mãe, que me quero hoje dirigir. Mas, como todas nós, somos apenas uma pequena parte da sociedade e todos os temas que nos dizem respeito abrangem e tomam enfase na participação da globalidade dessa sociedade em que estamos integradas, daí o seu interesse para todos os presentes.


Não sou, nem quero ser “feminista” nem aceito a “igualdade de género” mas, é conscientemente que me apresento aqui, hoje e agora, exibindo, desde a ponta do pé até aos meus cabelos, todo o colorido da minha sexualidade feminina que muito se honra de o ser e não admite, nem para si nem para os seus pares, a menor descriminação, no trabalho, na sociedade ou na Família.



A dignidade dum ser humano é intocável e igual para todos. E, todos parecemos poucos para pugnar e, digo mais, exigir, o Respeito dessa Dignidade. Citando o Papa Francisco (homilia de 14 de Junho de 2015) passo a ler: “Homem e Mulher são imagem e semelhança de Deus. Isto diz-nos que não só o homem é imagem de Deus, não só a mulher é imagem de Deus, mas também homem e mulher, como casal, são imagem de Deus. A diferença entre homem e mulher não é por oposição, por subordinação, mas sim pela comunhão e procriação, sempre à imagem e semelhança de Deus”.


Esta igualdade na dignidade foi o ponto de partida para a criação do “dia da Mulher”, celebrado pela primeira vez a 28 de Fevereiro de 1909 nos EUA. Em 1910, ocorreu a primeira conferência internacional de mulheres em Copenhague, dirigida pela Internacional Socialista. Na década de 1970, foi designado pela ONU o ano de 1975 como “Ano Internacional a Mulher” e o dia 8 de Março adotado como “Dia Internacional da Mulher”.


É pois, no âmbito desta data que nos reunimos hoje aqui a convite da Milita Sanctæ Mariæ – “Instituto Familiaris Consortio”, para comentar a “Declaração Mundial de Mães” da responsabilidade da “WOMEN OF THE WORLD”.



Gostaria, ainda, de salientar a importância que o tema “MÃE” reveste numa época de hecatombe linguística, de usos e costumes, em que são correntes as designações de “progenitor A ou B, 1 ou 2” a substituir a designação de Pai ou Mãe ou, ainda, o caso dos filhos e seus descendente, serem privados do direito de saber quais as suas origens genéticas e sociais, vítimas do fenómeno de tantas “barrigas de aluguer”, de mães portadoras de filhos que não vão conhecer nem criar.



E vão-me permitir que volte a citar um Papa que a todos nos foi muito querido: S. João Paulo II na sua Carta Apostólica sobre “A Dignidade da Mulher”:



“Se a dignidade da mulher testemunha o amor que ela recebe para, por sua vez, amar, o paradigma bíblico da «mulher» parece desvendar também a ordem do amor que constitui a vocação da mesma mulher. Trata-se aqui da vocação no seu sentido fundamental, pode-se dizer universal, que depois se concretiza e se exprime nas múltiplas “vocações” da mulher na Igreja e no mundo.”



“A força moral da mulher, a sua força espiritual une-se à consciência de que Deus lhe confia de uma maneira especial o homem, o ser humano. Naturalmente, Deus confia todo o homem a todos e a cada um. Todavia, este acto de confiar refere-se de um modo especial à mulher - precisamente pelo facto da sua feminilidade - e decide particularmente da sua vocação.”



“A mulher é forte pela consciência dessa missão, forte pelo facto de que Deus “lhe confia o homem”… esta consciência e vocação fundamental falam à mulher da dignidade que ela recebe de Deus e que a tornam forte consolidando a sua vocação. Deste modo, a “mulher perfeita” (cf. Prov 31, 10) torna-se um amparo insubstituível e uma fonte de força espiritual para os outros, que compreendem as grandes energias do seu espírito. A estas “mulheres perfeitas” muito devem as suas famílias e, por vezes, inteiras nações.”



Mas, sem me querer alongar demasiado em considerações passo a ler os objectivos da ONG “Women of the World Global Platform”, isto é “a voz das mulheres que falam como mulheres”:



- Trata-se de uma iniciativa promovida por organizações Espanholas de profissionais de ética em colaboração com “Women Attitude” e “Femina Europa” e apoiada por grande grupo de organizações mundiais para se tornarem a “voz das mulheres que falam como mulheres”. As instituições que apoiam esta ONG têm o objectivo comum de fazer ouvir a nível, local, nacional, mundial e político a Voz das Mulheres, seus anseios, necessidades, objectivos e exigências, capazes de fazerem mudar, a vários níveis as políticas em relação à Mulher.



Usando as expressões dos seus objectivos passo a ler os 4 pontos seguintes:



1. “Nós queremos quebrar a ultrapassada moda do feminismo radical e da teoria do género a que a mesma nos conduz”.

2. “Não aceitamos mais que as instituições de nível internacional desenvolvam políticas que ignorem, lutem ou suprimam o valor e a dignidade da identidade feminina, da maternidade ou o valor prioritário da dedicação à família.”

3. “Estamos a reganhar para a sua total identidade em complementaridade com o homem, o seu papel como mulheres na sua própria família, na sociedade e no mercado de trabalho e fazer voltar a dar à maternidade o seu valor e dignidade.”

4. “As nossas razões e objectivos já foram traduzidos em mais de 11 línguas e apoiados por 147 ONG de 47 países de diferentes culturas: Albânia, Angola, Argélia, Arménia, Bélgica, Belice, Botswana, Camarões, Rep. Checa, China, Chipre, Espanha, Portugal, Síria…”



Penso que estes objectivos nos fazem sentir que não estamos sozinhas num Ocidente que teima em matar a sua história e a sua cultura, numa corrida vertiginosa rumo a uma hecatombe familiar, social e política.



Cabe-me, agora, passar a ler a “DECLARAÇÃO MUNDIAL DE MÃES” fazendo, no fim de cada ponto um pequeno comentário.



DECLARAÇÃO MUNDIAL DE MÃES

«As mulheres desempenham uma função decisiva na família. A família é o núcleo básico da sociedade e como tal fortalecer-se (…) As mulheres dão um grande contributo ao bem-estar da família e ao desenvolvimento da sociedade, cuja importância, todavia não se reconhece nem se considera plenamente». (Plataforma de Pequim, 1995, capítulo II, parágrafo 2).



1. As mães são o coração e o sustento da família e da sociedade. As mães dão aos filhos cuidado, ternura, compreensão e empatia de que a sociedade carece para progredir com humanidade. O facto de dar a vida, sustentar e alimentar os filhos converte as mães, em colaboração com os pais, na força e na sustentação da humanidade. Mães e pais desempenham cada qual um papel fundamental na sociedade.
(Permitam-me que diga que temos que passar ao grau de exigência para que este ponto seja cumprido imediatamente.)

2. A sociedade precisa de famílias estáveis que permitam aos seus filhos crescer felizes e seguros de si próprios. O conjunto da sociedade beneficia quando os filhos crescem num ambiente familiar estável, junto das mães dedicadas à sua criação e educação.
(Temos que exigir aos decisores políticos e económicos que criem condições para o digno” ambiente familiar estável” e em que as Mães são figuras fulcrais.)

3. A maternidade e a dedicação à família é uma das tarefas mais importantes e gratificantes para uma mulher e benéfica para a sociedade. E sem dúvida muito desvalorizado no mundo de hoje. Ao ignorar ou desprezar a maternidade e a dedicação da mulher à família dificulta-se a construção de sociedades sustentáveis.
(Temos que nós, Mulheres e Mães, saber exigir sem cedências o cumprimento integral deste item.)

4. A maternidade e a dedicação à família são um benefício para as próprias mulheres. Dão-lhe plenitude e realização pessoal, fortalecendo a sua identidade feminina. Com isto, proporcionam outras oportunidades de desenvolvimento humano e de aprendizagem de habilidades de liderança, comunicação e de gestão.
(Temos que, nós Mulheres e Mães tomar consciência da nossa importância e exigir o respeito deste ponto 4º)

5. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais (…). Art. 25.2 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Assim, pois:
1. As mães e os filhos devem ser respeitados e considerados como membros importantes da sociedade.
2. A maternidade e a dedicação à família exigem e merecem reconhecimento social e político.
(Nós, Mulheres e Mães, devemos ser proactivas na luta pelo reconhecimento social e político destes direitos fundamentais acabados de enunciar.)

6. A dedicação exclusiva à família não pode continuar a ser ignorada e, ainda menos, ser considerada uma razão para condenar as mães à morte social.
(Chegou o tempo de dizer “Basta!” a esta descriminação e desvalorização social, cultural e económica do papel das Mães na sociedade,)
«A família é a unidade básica da sociedade» (Plataforma de Pequim, 1995) e a maternidade é o coração da família. Portanto, as mães devem ser respeitadas tanto na política como na sociedade e no lar.»

Permitam-me que termine dizendo o que me vai na alma de Mulher e Mãe: É tempo da sociedade reconhecer o grande valor que cada Mãe é como “Mecenas Social”, promotora de um futuro equilibrado, saudável e sustentável nesta “Casa Comum” que é a Terra.





Luísa Vasconcelos
Braga, 8 de Março de 2018

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Oração pelos Cristãos Perseguidos

Como se havia anunciado, dia 24 deste mês, o Círculo Internacional Shahbaz Bhati, departamento da Militia Sanctae Mariae, associou-se à oração pelos Cristãos Perseguidos, na igreja da Lapa, em Braga.

Assim, às 15 horas, rezou-se o Terço meditado, seguindo o esquema proposto pela Fundação Pontifícia AJUDA À IGREJA QUE SOFRE.

Deste modo, este Departamento da MSM , como é a sua matriz, lembrou os nossos irmãos Perseguidos por causa da sua e nossa fé. No final da recitação do Terço, foi feito o pedido de se ampliarem estas orações e foi sugerido pelo Círculo ( presente em Portugal, no Brasil, França e Inglaterra) que se faça de cada dia 7 do mês uma oração pública por esta intenção.

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O Círculo Internacional Shahbaz Bhati - Portugal

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

A “novilíngua” portuguesa? por Mário Cunha Reis*

Na obra de ficção “1984”, o escritor inglês George Orwell (1903-1950) procura mostrar as “perversões” a que regimes centralizados como o comunismo ou o fascismo estão sujeitos. Descreve um super‑Estado dirigido por um regime totalitário chamado de “socialismo inglês”, no qual a vigilância governamental é omnipresente (“Big Brother”), o revisionismo histórico e a destruição de documentos que contrariam a versão oficial dos factos é sistemático e indispensável à sobrevivência do regime, as liberdades individuais e a liberdade de expressão são suprimidas, consideradas “crime de pensamento” e fortemente perseguidos pela “polícia do pensamento”.
Um dos seus mais importantes instrumentos de manipulação consistiu na criação da “novilíngua”, um idioma fictício que, através de alterações do significado de certas palavras, da sua substituição por outras ou ainda pela proibição do seu uso, reduz a capacidade de as pessoas poderem pensar e comunicar. A dita “novilíngua” chegou aos nossos dias sob a forma de discurso “politicamente correcto”, que foi sendo adoptado devido a uma aparente preocupação com a defesa e promoção da igualdade de direitos entre mulheres e homens, a que vieram a chamar de “igualdade de género”.
A palavra “género” entrou no quotidiano e na linguagem política e na legislação nacional para designar e substituir a palavra “sexo”, o sexo biológico de uma pessoa. Poderá parecer que tal terá acontecido por se tratar de uma palavra mais polida ou refinada, uma vez que a palavra sexo pode mais facilmente ser associada a relação ou acto sexual. Mas não!
Na verdade, a palavra “género” foi introduzida no vocabulário político internacional, em 1995, na IV Conferência Mundial sobre a Mulher, organizada pela ONU, em Pequim, por intelectuais feministas (marxistas e trotsquistas, liberais quanto à moral e liberdade sexuais), com o objectivo de desconstruir a família natural - a constituída por homem e mulher, que permite gerar a vida -, entendida por estas feministas como a fonte de opressão na sociedade e a pedra base do capitalismo.
A chamada “ideologia de género” tem vindo a impor-se de forma furtiva nas nossas vidas, através do sistemas educativo e de saúde, dos meios culturais e políticos, com forte apoio e divulgação através dos meios de comunicação social.
Mas o que tem isto a ver com a língua portuguesa?
Vem isto a propósito da publicação do "Regime Jurídico da Avaliação de Impacto de Género de Actos Normativos" (Lei n.º 4/2018, de 9 de Fevereiro), projecto da iniciativa do PS, que contou com a aprovação do BE, CDS-PP, PEV, PAN e com a abstenção do PSD e do PCP, e que  que entrará em vigor no próximo dia 1 de Abril.
Prevê que os projectos de lei, decretos-lei, regulamentos, etc. elaborados pela administração central, regional e local e propostas de lei à Assembleia da República, sejam sujeitos a “avaliação prévia de impacto de género”. O objectivo será a “diminuição dos  estereótipos de género que levam à manutenção de papéis sociais tradicionais negativos” e “assegurar a utilização de linguagem não discriminatória (…) através da neutralização ou minimização da especificação do género, através do emprego de formas inclusivas ou neutras, designadamente através do recurso a genéricos verdadeiros ou à utilização de pronomes invariáveis.”.
Significa isto que o Estado se prepara para combater o que identifica como “papéis sociais tradicionais negativos”, com o mesmo critério que levou em 2017 a Comissão para a Igualdade de Género a “recomendar” a retirada do mercado de blocos de actividades distintos adaptados ao gosto estético comum de meninas e meninos dos 4 aos 6 anos.
O Estado passará, portanto, a limitar e regular o uso da língua portuguesa, proibindo o de uso de certas palavras e abrindo caminho à punição para quem não o cumpra.
Assim, depois da mutilação da língua portuguesa que resultou do Acordo Ortográfico de 1990, teremos agora sucessivas amputações, retirando aos que escrevem e falam português a possibilidade de se exprimirem livremente, uma vez que a “polícia do pensamento” estará vigilante.
Exagero?
Pois bem. Importa ter presente que estas medidas estão a ser implementadas noutros países, em estado mais avançado.
Em 2015, em França foi publicado um guia que propõe a eliminação da expressão “mademoiselle”, que significa jovem senhora, a ordenação por ordem alfabética de termos masculinos ou femininos idênticos, como seja “senhoras e senhores” ou “igualdade homem-mulher”, e sugere a substituição no nome da “Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão” (1789) por “Declaração Universal dos Direitos Humanos e dos Cidadãos e das Cidadãs”. Em 2016, a Associação Médica Britânica publicou um guia que recomenda a substituição da expressão “mulher grávida” por “pessoa grávida”, para não ferir a susceptibilidade de “homens transgénero”. Em Julho de 2017, o Metro de Londres anunciou a substituição da saudação “damas e cavalheiros” por “olá a todos”, para ser mais inclusivo. No Canadá, foi aprovado neste mês a alteração da versão inglesa do hino nacional, pasme-se (!), em nome da igualdade de género.
Assim, depois de ter sido mutilada pelo Acordo Ortográfico de 1990, a língua portuguesa será agora amputada na sua riqueza vocabular e linguística, em nome de uma suposta igualdade de género, passando a ser um português mais neutro. A “novilíngua” portuguesa?
O autor escreve em português correcto, não reconhecendo o AO 1990.
* Engenheiro e gestor
Membro da TEM/CDS - Tendência Esperança em Movimento

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

A Igreja: TENDA E CAMPANHA




“O lugar da luz é o candelabro… O fermento deve misturar-se na massa… A verdade deve ser agitada dos telhados… (…). A virtude perdeu a força, moída pela varinha mágica do relativismo” (João Aguiar Campos, in “Transparências”, pág.85)


Várias vezes, e muito oportunamente, o Papa Francisco, tem chamado a atenção, naquele seu jeito, de que a Igreja, todos os baptizados, devem assumir-se como cuidadores de uma “Tenda de campanha”, num mundo dividido e em que há inúmeros feridos e moribundos nesta sociedade do “descartável”. Muitos destes feridos estão de tal modo feridos que já nem se apercebem das feridas que os atingem nem se apercebem das causas das suas chagas. Uns mais e outros menos. Mas todos feridos ainda que o orgulho e a vanglória nos iludam e se nos afiguremos incólumes e não a precisarmos de conversão permanente, de curar permanentemente as nossas feridas.

Razão tinha S. João Paulo II, quando escreveu na Sua primeira Encíclica “Redemptoris hominis” que “o caminho da Igreja é o Homem”. O Homem todo e todos os homens. E o Homem ferido deve merecer toda a nossa solicitude e atenção activa e não atenção especulativa.

Indo um pouco mais atrás, à Constituição conciliar “Gaudium et spes”, logo a primeira frase nos remete para esta urgência de estarmos activamente interventivos face ao mundo. E, particularmente, ao mundo dos sofredores. Todos os sofrimentos.

Para lá das fomes, das guerras e das injustiças de uma sociedade decadente e híper-individualista, egoísta, egolátrica, exploradora, ladra ou adicta, há outros sofrimentos, outras feridas dolorosas, como o estraçalhamento da Família, demolida e desfigurada, proposta como modelo “societal” inelutável. É assim, dizem-nos. E, por ser “assim”, somos, para ser “politicamente correctos”, complacentes, somos coagidos a arrecadar, escondendo-os bem, os valores estruturantes da nossa identidade. Mais grave: as grandes instituições de referência, dividem-se: uns sectores com tendências para irem na onda da contemporização, esquecendo os seus princípios fundamentais, enchem-se de “misericórdia” para uns feridos mas de segregação e negação para outros feridos. Outros, os grandes discriminados e insultados, são escorraçados da “tenda”, estes não raras vezes, também, segregadores. Será que a “tenda de campanha” só é para alguns iluminados?

Quando um ferido chega à “tenda de campanha” não se olha, ou não se deve olhar, a quem é. Não se lhe pergunta qual a sua orientação política ou sensibilidade religiosa. Trata-se. Mas trata-se cada ferido de acordo com a gravidade e amplitude dos seus ferimentos. Acompanha-se cada um. Aconselha-se. Dão-se recomendações para continuar a curar-se e para evitar voltar a ter os ferimentos que o levaram à “tenda de campanha”. Avisam-se do modo como devem evitar voltar a serem feridos. Diz-se-lhes que devem continuar o seu tratamento e como o devem fazer. O objectivo dos cuidadores da “tenda de campanha” é tratar, curar, não remediar, e fazer com que se lhes dêem os cuidados necessários, se apliquem os tratamentos exigidos, de acordo com um protocolo. E muito menos enganá-los, dizendo que o curativo não é exigente e nem sempre leva à cura da ferida. E quando tiver alta, o que pode demorar muito tempo, mesmo muito, ou, até nunca conseguirem curar-se, mas mandam as boas práticas que se lhes diga para não recaírem. Que evitem as ocasiões. Ninguém de bom senso lhes pode dizer: vai, estás a caminho da cura, mas podes continuar na mesma! O que os cuidadores devem dizer, muito claramente, é que não voltem às situações de risco. Contudo, há feridos que foram à “tenda de campanha” mas que não têm força suficiente, coragem nem acreditam profundamente de que não podem seguir o caminho que os levou aos ferimentos. Então, será que eles voltarão à “tenda de campanha”? Obviamente que se tropeçarem, os cuidadores da “tenda de campanha” têm a obrigação de, com humildade e caridade, voltarem a iniciar o processo de tratamento. Demore o tempo que demorar. Sem prazo. Se os feridos quiserem. Assim os cuidadores da “tenda de campanha” saibam o modo de agir correcto e não o que está na moda…

«Vai, os teus ferimentos foram curados! Não voltes ao mesmo!». Não voltes ao mesmo. Arrepia caminho.

… E sempre ter a “tenda de campanha” acolhedora, confortável e de porta aberta para todos os feridos. Sempre com uma mão amiga que diga a verdade do ferimento, a dificuldade do tratamento e a necessidade de colaborarem com os cuidadores. Sobretudo com o “Grande e único Cuidador”!

… E que os cuidadores tenham sempre a mão e o coração abertos para ajudar.

… E que os vizinhos não se armem em curandeiros, bruxos ou afins. As boas práticas mandam que se abstenham de comentários. Se puderem que ajudem, a pedido, dos cuidadores.

… E que os feridos que foram à “tenda de campanha” saibam ao que vão.

A “tenda de campanha” está de portas abertas… para quem lá quer entrar, acredita no tratamento e tem a intenção e vontade de seguir os cuidadores.

Para quem não crê no valor da “tenda de campanha” e nos tratamentos de cura, para que critica a dita “tenda”, remédios para a cura dos ferimentos e capacidade dos cuidadores? Ninguém é obrigado a socorre-se da “tenda de campanha” se nem sequer tem consciência de que está ferido. Contudo, a “tenda de campanha” está sempre aberta. Assim os cuidadores mostrem disponibilidade e sagacidade para cuidarem. E paciência.
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Carlos Aguiar Gomes, exprimindo única e exclusivamente a sua opinião pessoal.
(O autor não segue o chamado AO)

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

A aposta beneditina

Reflectindo sobre esta pobre realidade que nos cerca, o meu desalento é muito grande.

Sinto que os valores em que fui criado, em que procurei e me esforcei por viver, colapsaram. Não preciso de “Bola de cristal”, “deitar cartas” ou procurar leituras e interpretações mais ou menos esotéricas. Basta olhar à nossa volta. Ver o que se passa à nossa porta. Ver um telejornal. Observar o comportamento das chamadas, erradamente, elites políticas, económicas e até religiosas, geram em mim um sentimento de derrotado, vencido da vida e de oprimido. Invade-me uma muito forte desilusão.

Porém…

Porém, meditando um pouco na história de S. Bento de Núrsia, do seu tempo igual ao nosso, da espiritualidade que viveu e nos legou, ganho força, mesmo que me sinta uma espécie de Dom Quixote lutando contra moinhos de vento. Mas este Homem (Não é por acaso que S. Gregório Magno começa a sua biografia de S. Bento com uma frase muito sintomática: FUIT VIR… Houve um varão… referindo-se ao biografado, S. Bento), passados quase 1500 anos da sua morte, dá-me alento.

Quem me conhece, sabe que defendo tenaz e convictamente que recristianização da Europa (de todo o Ocidente) tem de seguir o modelo beneditino, de pequenas comunidades que saberão unir a Oração à Acção. Comunidades irradiantes como foram os mosteiros beneditinos, no silêncio operativo.

Se S. Bento escreveu a Regra para monges e eu não o sou nem a maioria dos cristãos que ainda restam, aquela poderá e deverá aplicar-se a leigos. Não foi por acaso que publiquei no Boletim da Basílica de S. Bento da Porta Aberta 30 artigos, durante 30 meses, a que chamei “Passadas com S. Bento”, nos quais, a partir da Regra procurei indicar aplicações ao meu e nosso quotidiano de leigos. Por isso, foi com uma certa satisfação espiritual e a sensação de que não sou um excêntrico isolado, que tomei conhecimento do recente lançamento, em França, de um livro, cujo autor é um conhecido jornalista americano, Rod Dreher, e que se chama: «Comment être chrétien dans un monde qui ne l`est plus – le pari bénédictin» (Ed. Artège, Paris, 2017), livro que já encomendei e de que, ansiosamente aguardo a sua chegada.

O autor, em recente entrevista, entre coisas extremamente importantes, disse: «A aposta beneditina é uma estratégia para viver a sua fé cristã num mundo que já não o é e cada vez mais lhe é mais hostil. Os cristãos, para mim, devem mostrar-se muito mais firmes face à modernidade do que o que têm feito até agora. Durante muito tempo atarefou-se a acomodar-se à vida moderna, tomando para si, nomeadamente, o igualitarismo e o individualismo. É um desastre, não somente para si, mas também para o Ocidente, que vive espiritualmente hoje o que Roma conheceu aquando da sua queda. Convido os cristãos desejosos de sobreviver a tornarem-se versões leigas dos monges beneditinos, que se estabeleceram no meio das ruínas do Império romano. Não somos chamados à vida monástica, mas a Regra de S. Bento contém numerosas lições e práticas adaptáveis à vida de leigos e úteis para fazer frente aos desafios, mesmo de perseguições modernas…».

Perante o desastre, quereremos continuar a só nos importarmos com “pão e circo” e de umas Missas, Eucaristias(!), “lindas”, muito animadas?

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Carlos Aguiar Gomes
(O autor não escreve de acordo com o chamado AO)

Família Ulma

  Faz hoje três anos que uma família inteira foi elevada às honras dos altares. A Família Ulma, uma centelha de luz nos anos sombrios da Seg...